Como enfrentar e superar a Síndrome do Ninho Vazio?

Por Auxiliadora Paiva

Na semana próxima passada, fizemos uma abordagem muito interessante sobre a Síndrome do Ninho Vazio, esse processo de grande dificuldade, para algumas pessoas, que são atingidas por esse distúrbio emocional. Muitos leitores se identificaram com as informações trazidas no texto e elas mesmas solicitaram que abordassemos sobre as formas de como enfrentarmos e combatermos essa Síndrome.
Por ser considerada como uma estrutura relativamente nova a ser explorada, essa Síndrome atinge um número muito maior de pessoas que podemos supor. A saída dos filhos da Casa Mater, para alguns representa um grande transtorno para os pais, principalmente para as mães. Como superar essa Síndrome? Como enfrentar essa situação? E quais as “armas” poderemos ativar para bloquear e tentar eliminar esse processo? Por isso nesse texto, iremos listar alguns passos para serem seguidos, pelas pessoas atingidas por esse contexto.
A pesquisadora científica Ghislaine Demombynes, é coautora do livro “Filhos adultos: do apego a autonomia”, ela nos traz algumas informações interessantes sobre o assunto. Com ele iremos descortinar, aclarar e elucidar as estruturas pertinentes, a esse contexto. A Síndrome do Ninho Vazio, surge como um aprendizado grandioso, tanto para a área profissional, como para a área pessoal e também conjugal. Com ela, precisamos fazer uma conexão saudável com a vida. Precisamos buscar outras fontes de prazeres , pois ela é um processo natural, que se verifica nas relações familiares. Vamos a seguir listar o passo a passo, a ser implantado aos primeiros sintomas da SNV.
Primeiro passo – Aceitação: a aceitação deve ser um processo natural na dinâmica familiar. Ela deve ser uma garantia de controle sem que haja sufocamento dos filhos. Aceitar a dor e ser paciente com essa dor. Isso por que ela é um indicativo da existência de um imenso amor, que se tem pelos filhos. Inaugure uma mudança em sua vida. Confie no futuro, pois ele só dependerá de você. A Síndrome, não é uma doença, é um conjunto de sentimentos que envolve um ser. Até no climatério, na menopausa ou andropausa, pode haver fatores contribuintes.
Segundo passo – Aproveitar: busque ocupações mais salutares, agora que o seu tempo estará mais disponível. Assuma a nova situação, renove-se, cuide-se, aproveite as novas oportunidades que a vida está a lhe ofertar. Faça uma mudança geral, inclusive do seu exterior. Faça algo que te deixe feliz e realizada. Troque o estilo de vestir ( respeitando é claro, a idade e o biotipo). Mude os hábitos de vida. Esvazie os quartos dos filhos que se foram, desapegue-se e transforme esse espaço. Crie um outro ambiente,a exemplo de uma sala de assistir a TV, uma sala de leitura e relaxamento ou até um closet.
Terceiro passo – Modificar: mude a sua postura em relação aos seus filhos. Por eles serem adultos e independentes, aconselhar e opinar, deverá ser somente no momento em que for solicitado pelos mesmos. Deixem que os filhos adquiram a autoconfiança e que tomem as suas próprias decisões. Crie a sua agenda pessoal e liste as atividades que deseja realizar, seja na semana ou no mês. Pratiquem exercícios físicos, pois eles favorecem a eliminação de estados depressivos ou melancólicos. Modifique a sua alimentação, faça reeducação alimentar. Organize o seu cardápio com qualidade e sem estresse.
Quarto passo- Temor: essa fase é natural, o medo faz parte desse processo. Porém é também aconselhável fazer a repaginada dele, visto que não houveram perdas e sim uma modificação de status. Aprenda a conviver com essa nova etapa da vida, praticando as coisas que foram colocadas de lado, em nome dos excessivos cuidados para com os filhos.
Quinto passo- Resistência: transforme esse sentimento, perceba que a sua proteção e autoridade durante a infância e adolescência, já fazem parte de um passado. Entregue-se, permita-se vivenciar esse momento e aproveite para desfrutar as coisas boas que a vida ainda tem a lhe oferecer. Não resista, amolde-se a essa nova etapa, a esse novo estágio da sua vida.
Sexto passo – Apreciação: comemore as vitórias e realizações dos seus filhos. Assim como também, acompanhe os fracassos ou desacertos. Veja-os com olhos de ajuda e aconselhamento. Não utilize o seu olhar com críticas destrutivas e nem comemore o insucesso, a derrota. Fique junto, dê o ombro, o colo e tudo que for preciso para acalentar essa fase.
Sétimo passo – Crescimento: ao superar as situações descritas anteriormente, isso evidencia uma nova faceta da sua vida, uma nova postura, que será vista pelos filhos como um modelo de renovação pelo surgimento de uma nova pessoa. Isso chama-se crescimento pessoal. Essa é a meta que deveremos traçar e seguir.
Oitavo passo – Comemorar: precisamos aplaudir a nova fase de vida, através da transformação pela adoção do novo tipo de relacionamento dos pais com os filhos. Inaugure uma nova etapa em sua vida. Afaste-se da amargura e da depressão. Renove os votos matrimoniais, faça uma segunda lua de mel. Programe uma excursão a dois, algo que vocês nunca fizeram após o nascimento dos filhos. Dê brilho a sua vida. Ame-se. Permita-se vivenciar grandes momentos, que ainda estão presentes ao seu redor.
Pois é, tudo isso não é uma receitinha de bolo, onde as quantidades são devidamente medidas. Não é também um mistério, uma missão impossível. É uma questão de querer. E querendo verdadeiramente, o Universo vai conspirar a seu favor. Se ficar difícil enfrentar essa situação, peça ajuda. Recorra a um profissional competente, que irá ser o facilitador da mudança. A vida sempre está nos proporcionando oportunidades de modificações em nossa forma de ser. Vamos transformar o nosso “ Modus Operandis” em relação ao nossos filhos. Vamos eliminar o “ complexo galináceo”, aquela estrutura onde queremos ter os nossos filhos debaixo das nossas asas. Vamos ser como Águias, que carregam os seus filhotes, para as mais altas montanhas, onde ela ensina a eles a defender-se das situações adversas, mas também ensina-os a alçar vôos, cada vez mais altos. Pense nisso.
Na próxima semana, também a pedidos, estaremos falando sobre os sentimentos dos filhos após a saída da casa dos pais. Como eles reagiram com essa mudança. Como eles se adaptaram a essa nova realidade. Para alguns a saída foi uma verdadeira “ Carta de Alforria”, para outros, foi uma realização, um desejo que envolvia a construção de um novo núcleo familiar, uma nova célula. Assim como também falaremos um pouco, sobre os tão comentados “filhos cangurus”, que hoje são bastantes explorados pela mídia. Até lá. Aguardo vocês.
Namastê.

Fontes de pesquisas: www.amentemaravilhosa.com.br
www.blog.psicologiaviva.com.br
Fonte da imagem: www.psiquiatraportoalegre.med.br

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