{"id":19762,"date":"2019-07-16T16:03:40","date_gmt":"2019-07-16T19:03:40","guid":{"rendered":"https:\/\/canalfolia.com.br\/?p=19762"},"modified":"2019-07-16T16:03:40","modified_gmt":"2019-07-16T19:03:40","slug":"o-brasil-e-a-educacao-superior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/o-brasil-e-a-educacao-superior\/","title":{"rendered":"O BRASIL E A EDUCA\u00c7\u00c3O SUPERIOR"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Por Wanderley Ribeiro<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Grande \u00e9 a satisfa\u00e7\u00e3o em estarmos iniciando, nesta destacada m\u00eddia digital, uma Coluna sobre Educa\u00e7\u00e3o. Nesta semana, enfocaremos um assunto que n\u00e3o deixa de atemorizar pais, professores e filhos: os modos de sele\u00e7\u00e3o \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o Superior brasileira.<br \/>\n\u00c9 bom deixar claro, desde j\u00e1, que alguns, como o mestre Luiz Ant\u00f4nio Cunha (1986), trazem \u00e0 tona o debate se a Educa\u00e7\u00e3o Superior no Brasil foi tardia. Mas, \u00e9 o pr\u00f3prio Cunha quem afirma e n\u00f3s concordamos que aqui e nas demais Col\u00f4nias portuguesas, os Col\u00e9gios implantados pelos jesu\u00edtas tinham curr\u00edculo muito parecido \u00e0s universidades implantadas pelos espanhois em suas col\u00f4nias, apenas a denomina\u00e7\u00e3o era Col\u00e9gio.<br \/>\nO Brasil j\u00e1 teve v\u00e1rias formas de se ingressar na Educa\u00e7\u00e3o Superior, anteriormente chamada Ensino Superior. Na Col\u00f4nia, n\u00e3o existia exame formal, pois bastava o exame de classes, quem tinha e quem n\u00e3o tinha posses. O Imp\u00e9rio trouxe o exame preparat\u00f3rio, para quem pleiteasse vaga neste grau de ensino. Tal exame passou a facilitar, em muito, o acesso \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o Superior, diminuindo a elitiza\u00e7\u00e3o deste ensino prova disso \u00e9 o relato do ent\u00e3o diretor da Faculdade de Direito de Recife ao Minist\u00e9rio do Imp\u00e9rio, em 1885, conforme Cunha (1986, p.128):<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esses exames s\u00e3o aqui um objeto da galhofa, e os jornais da terra, de vez em quando, convidam os carroceiros, carvoeiros, a ir \u00e0quela prov\u00edncia (Rio Grande do Norte) habilitar-se para matr\u00edcula naquela faculdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste modo, surge, no final do Imp\u00e9rio, o exame de madureza, com o fim de se evitar essas facilidades.<br \/>\nA Rep\u00fablica nos daria o exame de admiss\u00e3o, que, segundo Ribeiro (1994, p.16):<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[&#8230;] dizia-se na \u00e9poca que sob pena de n\u00e3o ter alunos o n\u00edvel de exig\u00eancias destes exames teve de diminuir, como exemplo a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro que em seu primeiro exame de admiss\u00e3o reprovou 50% dos candidatos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1915 surgia o exame vestibular, com algumas caracter\u00edsticas que se mantiveram por muito tempo, tais como: realizados sempre em janeiro de cada ano; formado de uma prova escrita (tradu\u00e7\u00e3o de textos em duas das seguintes l\u00ednguas estrangeiras: franc\u00eas, ingl\u00eas ou alem\u00e3o; uma prova oral que tinha conte\u00fado determinado segundo a escola que iria ingressar; e certificado de aprova\u00e7\u00e3o no ensino secund\u00e1rio. As mudan\u00e7as foram t\u00e3o dr\u00e1sticas que, na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1916, s\u00f3 ingressaram 2 alunos, contra 283 no ano anterior!<br \/>\nCom a Reforma Rocha Vaz, em 1925, surgia o germe do concurso vestibular classificat\u00f3rio, ao se estabelecer um limite quantitativo m\u00e1ximo para a admiss\u00e3o numa faculdade, o qu\u00ea n\u00e3o ocorria at\u00e9 ent\u00e3o, pois todos os aprovados tinham direito \u00e0 matr\u00edcula.<br \/>\nEm 1968, com a Lei n\u00b05.540, nova mudan\u00e7a: troca-se o nome de exame para concurso vestibular classificat\u00f3rio, pois concurso apenas classifica seus candidatos segundo o n\u00famero de vagas estabelecidos, terminando com a sensa\u00e7\u00e3o de aprova\u00e7\u00e3o que levava estudantes e professores \u00e0 rua, numa \u00e9poca de ditadura.<br \/>\nAt\u00e9 1996, muitas modifica\u00e7\u00f5es foram introduzidas: duas etapas, provas dissertativas, dentre outras.<br \/>\nCom a Lei n\u00b09.394\/96, a atual Lei de Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o Nacional (LDB), o vestibular n\u00e3o foi extinto, como foi erroneamente apregoado, mas n\u00e3o \u00e9 mais a \u00fanica forma de ser admitido \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o Superior.<br \/>\nComo com essa liberdade houve excessos, como reserva de vagas para estudantes de escolas de Ensino M\u00e9dio que mantinham estabelecimentos de Educa\u00e7\u00e3o Superior, sele\u00e7\u00e3o via entrevistas, entre outros, o Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (CNE) resolveu disciplinar tal situa\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s da Resolu\u00e7\u00e3o CNE n\u00ba98\/99.<br \/>\nO Exame Nacional de Ensino M\u00e9dio (ENEM), institu\u00eddo pela Portaria MEC n\u00ba438, e realizado, anualmente, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira (INEP) \u00e9 uma realidade e uma alternativa cada vez mais requisitada ao vestibular, como acertadamente defendemos desde de seu surgimento. Outra alternativa de sele\u00e7\u00e3o \u00e9 o que a Universidade de Bras\u00edlia (UnB) faz h\u00e1 alguns anos: o vestibular desde a primeira s\u00e9rie do Ensino M\u00e9dio.<br \/>\nPara uma luta mais igual no acesso \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o Superior brasileira, urge uma escola p\u00fablica de Ensino Fundamental e M\u00e9dio, como j\u00e1 propunha o mestre An\u00edsio Teixeira: p\u00fablica, gratuita e de qualidade.<br \/>\nMelhor preparado, o estudante da escola p\u00fablica, salvo raras exce\u00e7\u00f5es, n\u00e3o ser\u00e1 apenas mais um na rela\u00e7\u00e3o candidato\/vaga, mas um candidato com reais possibilidades de chegar \u00e0 universidade e, acima de tudo, um cidad\u00e3o pleno de seus direitos e deveres.<\/p>\n<p>Refer\u00eancias<\/p>\n<p>BACELAR, Joildo. Primeira universidade do Brasil. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.historia-bahia.com\/primeira-universidade.htm<\/p>\n<p>CUNHA, Luiz A. A universidade tempor\u00e3. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1986.<\/p>\n<p>RIBEIRO, Wanderley. Vestibular classificat\u00f3rio como, por que e para quem? Salvador: EUA, 1994.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Wanderley Ribeiro Grande \u00e9 a satisfa\u00e7\u00e3o em estarmos iniciando, nesta destacada m\u00eddia digital, uma Coluna sobre Educa\u00e7\u00e3o. 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