{"id":21707,"date":"2020-01-20T09:26:22","date_gmt":"2020-01-20T11:26:22","guid":{"rendered":"https:\/\/somdepapo.com.br\/?p=21707"},"modified":"2020-01-20T09:26:22","modified_gmt":"2020-01-20T11:26:22","slug":"e-os-filhos-por-que-querem-sair-do-ninho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/e-os-filhos-por-que-querem-sair-do-ninho\/","title":{"rendered":"E os filhos! Por que querem sair do &#8220;Ninho&#8221;?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Por Auxiliadora Paiva<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante duas semanas, a coluna Positividade trouxe a baila a discuss\u00e3o, no bom sentido, sobre a S\u00edndrome do Ninho Vazio, com as suas repercuss\u00f5es e tamb\u00e9m as suas formas de enfrentamento e supera\u00e7\u00e3o. E hoje encerrando a Trilogia SNV, iremos abordar o outro lado da \u201cmoeda\u201d, a outra parcela de envolvimento com essa S\u00edndrome. Estamos falando dos filhos, daqueles que direta ou indiretamente favorecem a instala\u00e7\u00e3o do evento psicol\u00f3gico emocional. Como esses filhos reagem a essa sa\u00edda? Quais s\u00e3o as consequ\u00eancias reais que ser\u00e3o vivenciadas por eles, logo ap\u00f3s o \u201cdesmame\u201d ou ap\u00f3s ao corte do chamado \u201ccord\u00e3o umbilical\u201d. O texto de hoje, ser\u00e1 dedicado todos eles, aos que conseguiram romper com essa barreira e assim como tamb\u00e9m aos que ainda est\u00e3o em pleno processo de conviv\u00eancia familiar e n\u00e3o deram essa guinada.<br \/>\nSe a SNV, se apresenta como uma situa\u00e7\u00e3o muito delicada para algumas pessoas, nos dias atuais aparece uma outra estrutura peculiar, que \u00e9 a S\u00edndrome do Ninho Cheio ou SNC. E o que vem a ser esse processo? Essa \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o que se adequa aos filhos adultos, que se recusam a sair da casa dos pais. \u00c9 a chamada \u201c Adolesc\u00eancia Estendida\u201d. Nela h\u00e1, por parte dos filhos, uma nega\u00e7\u00e3o em assumirem as suas responsabilidades e de tormarem-se independentes, de sua fam\u00edlia. Esse \u00e9 um fen\u00f4meno crescente na nossa sociedade contempor\u00e2nea.<br \/>\nComo isso acontece? Quais s\u00e3o os elementos favorecedores? Assim como a SNV, traz uma s\u00e9rie de transtornos para um n\u00facleo familiar, a S\u00edndrome do Ninho Cheio, a SNC, tamb\u00e9m os trazem, principalmente para a vida do casal (os pais), que durante muitos anos da vida matrimonial, se programaram para se dedicarem- se um ao outro, para viverem mais intensamente essa vida a dois, ap\u00f3s os filhos se tornarem adultos. \u00c9 um verdadeiro \u201cbanho de \u00e1gua fria\u201d, pois joga por terra a constru\u00e7\u00e3o de um projeto de vida a dois, p\u00f3s adolesc\u00eancia.<br \/>\nAs autoras Betty Carter e M\u00f4nica McGoldrick, em conjunto com outros colaboradores, escreveram o livro intitulado \u201cAs Mudan\u00e7as no Ciclo de Vida Familiar\u201d, por volta da d\u00e9cada de 90. Elas descrevem nesse livro sobre a s\u00e9rie de est\u00e1gios pelos quais passam a institui\u00e7\u00e3o familiar. Nesse processo h\u00e1 uma necessidade de se ter um olhar mais criterioso e apurado, na condu\u00e7\u00e3o dessas adversidades. A sa\u00edda de alguns filhos da casa dos seus pais, representa para eles um grito de liberdade, uma desatar das amarras da saia da mam\u00e3e, ou do bolso do papai. Essa nova realidade, esse novo estilo de vida, para muitos \u00e9 apenas uma maquiagem muito bem articulada, pois eles saem da casa dos pais, mas continuam na depend\u00eancia deles.<br \/>\nH\u00e1 uns tempos atr\u00e1s, s\u00f3 era permitido aos filhos sa\u00edrem da casa dos pais, ap\u00f3s o casamento. Hoje essa realidade est\u00e1 cada vez mais em desuso. Hoje, principalmente na Europa e nos Estados Unidos, \u00e9 quase raro encontrar jovens universit\u00e1rios residindo com os pais. Ao entrar para a Universidade, eles manifestam a necessidade de buscarem a sua independ\u00eancia, seja ela financeira ou pessoal. Aqui no Brasil, por quest\u00f5es culturais, ainda estamos caminhando a passos de tartarugas, ou seja lentamente. Ao sair da casa dos pais, alguns jovens se perguntam: O que vou fazer agora? Como vou me habituar com o gerenciamento da minha vida? Como irei administrar as minhas despesas? Como irei organizar o meu dia a dia, sem a presen\u00e7a dos meus pais?<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil enfrentar esses desafios, pois houve uma mudan\u00e7a avassaladora na vida de cada um dos filhos. \u00c9 voc\u00ea trocar casa, comida, roupa lavada e organizada, pela administra\u00e7\u00e3o de contas de \u00e1gua, luz, condom\u00ednio, supermercado, tudo isso ao final do m\u00eas. Por essas raz\u00f5es, \u00e9 que esse momento decisivo, n\u00e3o pode ser tomado sem um planejamento, sem uma prepara\u00e7\u00e3o. Sem esse trabalho bem estruturado, em vez da liberdade, haver\u00e1 a instala\u00e7\u00e3o de momentos de angustia e apreens\u00e3o.<br \/>\nOs motivos da sa\u00edda jamais poder\u00e1 ser transit\u00f3rio, isto \u00e9, proporcionado por uma briga com os pais, ou por uma paix\u00e3o arrebatadora. As raz\u00f5es devem ser claras e objetivas, pois essa ser\u00e1 uma decis\u00e3o natural, sem o desgaste da falta de certeza quanto ao ato de querer mudar. Vejamos abaixo alguns sinais premonit\u00f3rios, onde claramente se percebe, que chegou a hora de sair da casa dos pais. Eles s\u00e3o:<br \/>\n1-\u201c O Maldito\u201d hor\u00e1rio: quando voc\u00ea vai sair para curtir uma balada, os seus pais estipulam sempre o seu hor\u00e1rio da volta. As vezes sua m\u00e3e liga \u201ctrocentas\u201d vezes para o seu celular, exigindo o retorno, justamente na hora em que a balada est\u00e1 bombando. Os seus hor\u00e1rios s\u00e3o incompat\u00edveis com o dos seus pais.<br \/>\n2- O barulho: mesmo quando voc\u00ea chega tarde, e tem o cuidado de tirar os sapatos, e de fazer o m\u00e1ximo de sil\u00eancio, para n\u00e3o acordar seus pais, voc\u00ea busca o relaxamento e o descanso. Por\u00e9m pela manh\u00e3, bem cedinho, voc\u00ea \u00e9 despertado ao som do liquidificador, da TV, da conversa intermin\u00e1vel ao celular da sua m\u00e3e com as amigas. N\u00e3o h\u00e1 respeito pelo descanso alheio.<br \/>\n3- A bagun\u00e7a: o seu quarto \u00e9 bagun\u00e7ado, mas voc\u00ea sabe tudo onde est\u00e1, \u00e9 a chamada \u201c bagun\u00e7a organizada\u201d. O filho acumula pilhas de roupas na poltrona, mistura as roupas usadas com as lavadas. Um caos, e os seus pais n\u00e3o param de reclamar. Seu quarto \u00e9 o seu territ\u00f3rio.<br \/>\n4- A transa: hoje o apelo sexual \u00e9 muito grande, na juventude os horm\u00f4nios est\u00e3o em ebuli\u00e7\u00e3o. Por isso cada vez mais encontramos os filhos querendo buscar uma satisfa\u00e7\u00e3o para a sua libido. Da\u00ed, muito comum os namorados quererem dormir juntos. N\u00e3o \u00e9 raro se ouvir aquela pergunta que n\u00e3o quer se calar: ser\u00e1 que ele\/ ela pode dormir aqui em casa? Os pais perdem o f\u00f4lego,suam frio, a press\u00e3o fica descompensada. O pensamento dos pais fa\u00edsca, lampeja: meu filho(a) vai transformar a nossa casa em um motel.<br \/>\nTudo isso e muito mais s\u00e3o alguns dos motivos para quem quer sair da casa dos pais. Por\u00e9m existe um motivo fundamental, ele \u00e9 o elemento principal para essa mudan\u00e7a. O que ser\u00e1? \u00c9 o desejo de querer ter um local somente seu, com a sua cara, do seu jeito. Onde se encontre a sensa\u00e7\u00e3o de liberdade e de independ\u00eancia. Cada pessoa necessita buscar e trilhar no seu pr\u00f3prio caminho, independente de qualquer situa\u00e7\u00e3o. Se vai sair de casa, comece a planejar a sua nova vida, organize as suas finan\u00e7as. Pesquise locais para alugar um im\u00f3vel que seja compat\u00edvel com o seu rendimento. N\u00e3o se desespere por n\u00e3o saber fritar um ovo ou fazer um suco de laranja. Pe\u00e7a ajuda, compre um livro de receitas, matricule-se em um curso de culin\u00e1ria e d\u00edvida com os seus pais essa sua experi\u00eancia, durante a sua nova realidade.<br \/>\nPartilhe as suas vivencias, n\u00e3o como um SOS, mas como uma nova estrutura de vida. Sinalize para eles que voc\u00ea tirou as rodinhas de apoio da bicicleta da vida. Fa\u00e7a eles perceberem que o pintinho saiu debaixo das asas da galinha e do espor\u00e3o do galo e que agora est\u00e1 ciscando em novo terreno. Que o pintinho come\u00e7a a andar com as suas pr\u00f3prias patinhas, buscando realizar-se e ser feliz.<br \/>\nEssa \u00e9 a trajet\u00f3ria daqueles que se encorajaram em romper, com os p\u00e9s no ch\u00e3o, uma rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia e de vulnerabilidade. Avante nessa proposta. Siga firme no prop\u00f3sito e seja Feliz.<br \/>\nNamast\u00ea<\/p>\n<p>Fonte de pesquisa:www.minhavidacompartilhada.com.br<br \/>\nTrecho de palestra apresentada no C.E. Paulo e Estev\u00e3o, em 2003.<br \/>\nFonte da imagem: www.uol.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Auxiliadora Paiva Durante duas semanas, a coluna Positividade trouxe a baila a discuss\u00e3o, no bom sentido, sobre a S\u00edndrome do Ninho Vazio, com as suas repercuss\u00f5es e tamb\u00e9m as suas formas de enfrentamento e supera\u00e7\u00e3o. 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