{"id":23400,"date":"2020-07-04T11:16:10","date_gmt":"2020-07-04T11:16:10","guid":{"rendered":"https:\/\/somdepapo.com.br\/?p=23400"},"modified":"2020-07-04T11:24:00","modified_gmt":"2020-07-04T11:24:00","slug":"mestre-gil-e-sua-historia-na-musica-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/mestre-gil-e-sua-historia-na-musica-brasileira\/","title":{"rendered":"Mestre Gil e sua hist\u00f3ria na m\u00fasica brasileira"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Por Walter Silva<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ben\u00e7\u00e3o, mestre Gil!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podem me chamar de exagerado, ainda que eu me considere modesto por isso, quando afirmo que, na semana passada, o Brasil reencontrou-se com a cultura ao comemorar o nascimento de um dos seus maiores trabalhadores, Gilberto Passos Gil Moreira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Celebrar um anivers\u00e1rio, mais do que celebrar a vida, \u00e9 celebrar a exist\u00eancia. \u00c9 o reencontro simb\u00f3lico com algo considerado importante no plano individual ou coletivo, por isso n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que damos tanta import\u00e2ncia \u00e0 comemora\u00e7\u00e3o de nascimentos, mortes e datas hist\u00f3ricas. \u00c9 uma forma muito especial de lembrar ao tempo cronos, o que mede, a rela\u00e7\u00e3o que ele deveria estabelecer com uma outra compreens\u00e3o grega de tempo, o tempo kair\u00f3s, aquele necess\u00e1rio para que algo aconte\u00e7a. Mas qual a melhor maneira de estabelecer tal rela\u00e7\u00e3o? Produzindo, criando, transformando, significando o nosso \u201cestar com o mundo\u201d. Agora, mais uma vez eu lhes pergunto, \u00e9 exagero associar o anivers\u00e1rio de Gil a um reencontro com a cultura brasileira? Evidentemente que n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A obra de Gil qualificou o estar com o mundo de todos n\u00f3s que, de alguma forma, nos conectamos ao simbolismo das suas can\u00e7\u00f5es e da sua musicalidade. Poucos trabalhadores da cultura que ocuparam\/ocupam o espa\u00e7o midi\u00e1tico de maior expressividade conseguiram, ao mesmo tempo em que divulgaram\/divulgam a produ\u00e7\u00e3o musical baiana, contribuir para que ela se sustentasse enquanto express\u00e3o popular. A musicalidade de Gilberto Gil conseguiu fazer isso porque ela \u00e9 pr\u00e1xica, ela n\u00e3o isola a reflex\u00e3o da a\u00e7\u00e3o. Dando nome aos bois, falo aqui do indispens\u00e1vel apoio dado por Gil ao afox\u00e9 Filhos de Gandhy, na d\u00e9cada dos anos 1970, quando a entidade viu a sua exist\u00eancia fortemente amea\u00e7ada. Em outras palavras, exercendo o seu of\u00edcio de cantor e de compositor, Gil comp\u00f4s e cantou o afox\u00e9 Filhos de Gandhy mundo afora, reposicionando a institui\u00e7\u00e3o e uma das nossas mais aut\u00eanticas express\u00f5es culturais: o afox\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Saindo do campo estritamente simb\u00f3lico, Gilberto Gil foi um dos poucos trabalhadores da cultura que tiveram a oportunidade e assumiram o compromisso de colaborar para o avan\u00e7o do setor no nosso pa\u00eds. Por meio da democratiza\u00e7\u00e3o do acesso aos recursos p\u00fablicos, os trabalhadores da cultura viram, por meio dos Pontos de Cultura e das pol\u00edticas de cultura implementadas na \u00e9poca em que Gil foi ministro, oportunidades bem mais dignas de desenvolverem os seus trabalhos e de reverberarem as manifesta\u00e7\u00f5es culturais locais, falo isso de forma ampla, mas sem esquecer que, por todo o pa\u00eds, muitas gest\u00f5es locais desastrosas contribu\u00edram para o esvaziamento dos Pontos e da Rede de Cultura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como a m\u00fasica cria conex\u00f5es fant\u00e1sticas, ainda mais quando associadas \u00e0 internet, acho dif\u00edcil que algu\u00e9m que esteja lendo esta coluna n\u00e3o tenha visto o v\u00eddeo em que diversos cantores e cantoras homenagearam Gilberto Gil interpretando \u201cAndar com f\u00e9\u201d, uma can\u00e7\u00e3o gravada no \u00e1lbum \u201cUm banda um\u201d (1982), cujo refr\u00e3o considero um verdadeiro mantra afro-baiano: \u201cAndar com f\u00e9 eu vou, porque a f\u00e9 n\u00e3o costuma falhar\u201d. Que homenagem bacana\u2026 que emo\u00e7\u00e3o deve ter sentido Gil ao perceber a alegria e o carinho dos amigos entoando aquela can\u00e7\u00e3o. Pois que venha 79, 80 e por a\u00ed vai, pois, depois que voc\u00ea chamou os orix\u00e1s para verem os Filhos de Gandhy, com certeza eles n\u00e3o perdem um anivers\u00e1rio seu.<\/p>\n<p>Refer\u00eancias:<\/p>\n<p>FREIRE, Paulo. Educa\u00e7\u00e3o como pr\u00e1tica da liberdade.18rd. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.<\/p>\n<p>https:\/\/ youtube\/DK06zbkZ18w<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Walter Silva Ben\u00e7\u00e3o, mestre Gil! Podem me chamar de exagerado, ainda que eu me considere modesto por isso, quando afirmo que, na semana passada, o Brasil reencontrou-se com a cultura ao comemorar o nascimento de um dos seus maiores trabalhadores, Gilberto Passos Gil Moreira. 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