{"id":23967,"date":"2020-08-15T16:37:49","date_gmt":"2020-08-15T16:37:49","guid":{"rendered":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/?p=23967"},"modified":"2020-08-15T16:37:49","modified_gmt":"2020-08-15T16:37:49","slug":"a-cor-do-som-e-rosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/a-cor-do-som-e-rosa\/","title":{"rendered":"A Cor do Som \u00e9 Rosa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Por Walter Silva<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">T\u00e1 na cara o tema que eu vou tratar na coluna desta semana, n\u00e9? A volta da Cor do Som com um trabalho exclusivo de m\u00fasicas instrumentais. Estou falando do \u00c1lbum Rosa, nome dado ao projeto que, por enquanto, s\u00f3 est\u00e1 dispon\u00edvel nas plataformas de streeming de m\u00fasica.<br \/>\nN\u00e3o d\u00e1 pra falar do \u00c1lbum Rosa sem fazer uma viagem no tempo, at\u00e9 porque essa foi a proposta do projeto: uma releitura de alguns cl\u00e1ssicos instrumentais gravados nos tr\u00eas primeiros discos do grupo, no final dos anos 70.<br \/>\nCom alt\u00edssimas doses de m\u00fasica instrumental de qualidade, os discos A Cor do Som (1977), na minha opini\u00e3o o melhor do grupo, e A Cor do Som ao vivo no Montreaux International Jazz Festival (1978) \u201cbugaram\u201d a cabe\u00e7a da cr\u00edtica especializada, que n\u00e3o esperava que aquelas \u201ccobras criadas\u201d com cara de meninos pudessem compor e executar com tanta maestria o que compuseram e executaram. Mesmo sendo bem recebidos pela cr\u00edtica e pelo meio musical, as vendas com os dois primeiros trabalhos n\u00e3o decolaram, fazendo com que a Warner, gravadora que lan\u00e7ou o grupo, \u201csugerisse\u201d a inser\u00e7\u00e3o de can\u00e7\u00f5es para tornar o terceiro vinil mais comercial. Foi assim que o grupo correu atr\u00e1s de Gil, Caetano e Moraes e gravaram as can\u00e7\u00f5es \u201cAbri a porta\u201d (Dominguinhos e Gilberto Gil), \u201cBeleza Pura\u201d (Caetano Veloso) e \u201cSwing Menina\u201d (Moraes Moreira e Mu). Preciso falar alguma coisa dessas can\u00e7\u00f5es e do sucesso que foi o vinil Frutificar, gravado em 1979? Creio que n\u00e3o. Voltemos, ent\u00e3o, ao \u00c1lbum Rosa, porque \u201cembora choque, Rosa \u00e9 cor bonita\u201d, j\u00e1 disse Gil.<br \/>\nO mais novo \u00e1lbum instrumental da Cor do Som chega bonito! E n\u00e3o tinha como ser diferente, afinal, al\u00e9m do virtuosismo continuar sendo a marca do grupo, a proposta do projeto e a qualidade do repert\u00f3rio aproxima o fasc\u00ednio dos novos ouvintes com a curiosidade e o saudosismo dos antigos. Ah, e a \u201ccapa\u201d, hein? Um espet\u00e1culo \u00e0 parte criado pelo artista pl\u00e1stico carioca Batman Zavareze, a partir de telas pintadas por Mu e Dadi (que pena eles n\u00e3o terem tido um Batman em 1979).<br \/>\nAs duas primeiras m\u00fasicas do \u00c1lbum s\u00e3o especiais para o grupo e para os f\u00e3s da Cor do Som, pois nunca tinham sido gravadas em est\u00fadio. Tanto \u201cChegando da terra\u201d (Armandinho) como \u201cDan\u00e7a Saci\u201d (Mu) s\u00f3 foram registradas no \u201cbolach\u00e3o\u201d de 1978. A terceira m\u00fasica, \u201cArpoador\u201d (Armandinho\/Dadi\/Gustavo\/Mu), apesar de ser uma velha conhecida do p\u00fablico, pois foi gravada originalmente no LP de 1977 e regravada em 1978 na vers\u00e3o \u201cao vivo\u201d, experimenta, agora, a sua terceira releitura: perdeu a \u201csuingueira\u201d de Ary, mas deixou bem mais expl\u00edcita uma latinidade psicod\u00e9lica; t\u00e1 novinha!<br \/>\nAs tr\u00eas pr\u00f3ximas m\u00fasicas s\u00e3o as contribui\u00e7\u00f5es do LP de 1979. \u201cFrutificar\u201d (Mu), a quarta m\u00fasica, deve ser a mais conhecida e uma das mais belas composi\u00e7\u00f5es gravadas pela Cor do Som (incluo tamb\u00e9m \u201cPororocas\u201d no rol das mais belas, mesmo admitindo que chega ser irrespons\u00e1vel tomar partido dessa forma). S\u00f3 para dar uma ideia do peso de \u201cFrutificar\u201d, \u00e9 ela quem abre e fecha o LP que leva o seu nome (isso mesmo, s\u00e3o duas faixas no mesmo LP, uma esp\u00e9cie de \u201cfaixa b\u00f4nus\u201d dos anos 70); fez parte do projeto A Cor do Som \u2013 Ac\u00fastico, que resultou na grava\u00e7\u00e3o de um CD e um DVD em 2006 (uma linda releitura com a inser\u00e7\u00e3o de um viol\u00e3o de doze cordas); e reaparece agora em 2020. A quinta m\u00fasica, gravada em 1979 e em 1997, no CD A Cor do Som &#8211; ao vivo no Circo, \u00e9 \u201cPororocas\u201d (Armandinho e Luis Brasil), uma das tantas contribui\u00e7\u00f5es que Armandinho deu para o bandolim brasileiro. Encerrando as contribui\u00e7\u00f5es do LP de 1979 vem \u201cTicaricuriqueto\u201d (Armandinho). Inspirado no riff introdut\u00f3rio de \u201cPel\u00f4 Patrim\u00f4nio\u201d (Armandinho e Moraes Moreira), uma can\u00e7\u00e3o gravada no CD Jubileu de Ouro (2000), Armandinho reafirma o rock como uma das suas mais fortes influ\u00eancias musicais. Sem d\u00favida, essa foi a faixa que teve a releitura mais radical do \u00c1lbum Rosa, pois ganhou uma pegada rock\u2019n rool na vers\u00e3o \u201c20.20\u201d que estava encoberta na primeira grava\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAvan\u00e7ando para as duas \u00faltimas m\u00fasicas, temos \u201cEsp\u00edrito infantil\u201d (Mu), um chorinho lindo gravado em 1977 e em 1978, que na vers\u00e3o 2020 ficou mais cadenciado na primeira parte e deu ao piano de Mu Carvalho maior destaque e, finalmente, \u201cSauda\u00e7\u00e3o \u00e0 paz\u201d (Mu), mais uma m\u00fasica que conheceu o est\u00fadio pela primeira vez, pois s\u00f3 havia o registro dela no show A Cor do Som \u2013 Ac\u00fastico.<br \/>\nImposs\u00edvel ouvir o \u00c1lbum Rosa sem dar vontade de sair correndo para comprar o CD ou o LP, que o grupo pretende lan\u00e7ar em breve, assim como \u00e9 uma tarefa dif\u00edcil n\u00e3o comparar as novas grava\u00e7\u00f5es com as \u201coriginais\u201d.<br \/>\nPessoalmente, gosto muito de releituras. Lembro, agora, do CD \u201cEu e Mem\u00ea, Mem\u00ea e Eu\u201d, um cl\u00e1ssico gravado por Lulu Santos em 1995, quando ele fala sobre como os remix s\u00e3o interessantes, pois possibilitam olhares diferentes sobre \u201cum trabalho que n\u00e3o importa quem fez\u201d, e finaliza: \u201ccada um tem um jeito de contar a mesma hist\u00f3ria\u201d. Essa deixa de Lulu, que eu trago aqui, \u00e9 para destacar que o olhar mais bacana que poderemos ter nas releituras \u00e9 justamente o de tentar encontrar a hist\u00f3ria que est\u00e1 sendo recontada. \u00c9 por isso que eu considero as releituras um ato de extrema coragem, principalmente quando esse desafio recai sobre aquelas obras que parecem atemporais; obras que parecem (mas s\u00f3 parecem) ter sido feitas apenas com uma \u00fanica possibilidade perfeita de leitura, impossibilitando a sintonia de qualquer outro executor com a dimens\u00e3o criativa do criador; obras como essas eu chamo de \u201ccl\u00e1ssicos\u201d.<br \/>\nSempre que ou\u00e7o can\u00e7\u00f5es como \u201cO b\u00eabado e o equilibrista\u201d, interpretada por Elis Regina, ou como \u201cStay around a little longer\u201d, interpretada por Buddy Guy e B. B. King, essa sensa\u00e7\u00e3o reaparece e eu me pego pensando no desafio que seria algu\u00e9m rel\u00ea-las; no quanto o universo da m\u00fasica ganharia se esse desafio fosse encarado. Essa foi uma quest\u00e3o que o \u00c1lbum Rosa criou para si mesmo: como recontar \u201cArpoador\u201d, \u201cFrutificar\u201d e \u201cPororocas\u201d? Por ser um \u00e1lbum de releituras de m\u00fasicas autorais perfeitas, fica dif\u00edcil para os criadores encontrarem espa\u00e7o para radicalizar a \u201cdesconstru\u00e7\u00e3o criativa\u201d que nos assombraria com um novo perfeito.<br \/>\nAgora \u00e9 curtir o \u00c1lbum Rosa, comprar o CD assim que sair, e esperar que o pr\u00f3ximo projeto traga releituras e in\u00e9ditas que marcar\u00e3o os m\u00fasicos e os apaixonados por m\u00fasica das pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es, assim como fizeram com a minha.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Walter Silva T\u00e1 na cara o tema que eu vou tratar na coluna desta semana, n\u00e9? A volta da Cor do Som com um trabalho exclusivo de m\u00fasicas instrumentais. Estou falando do \u00c1lbum Rosa, nome dado ao projeto que, por enquanto, s\u00f3 est\u00e1 dispon\u00edvel nas plataformas de streeming de m\u00fasica. 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