{"id":24010,"date":"2020-08-19T10:42:56","date_gmt":"2020-08-19T10:42:56","guid":{"rendered":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/?p=24010"},"modified":"2020-08-19T10:42:56","modified_gmt":"2020-08-19T10:42:56","slug":"a-historia-de-paulo-goetze-com-a-cantora-daniela-mercury","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/a-historia-de-paulo-goetze-com-a-cantora-daniela-mercury\/","title":{"rendered":"A hist\u00f3ria de Paulo Goetze com a cantora Daniela Mercury"},"content":{"rendered":"<p>Por Paulo Goetze<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recebi com muito entusiasmo o convite para fazer parte deste portal escrevendo 1 vez por semana sobre cultura. Confesso que fiquei surpreso, mas empolgado para come\u00e7ar. Bem, nessa primeira semana resolvi escrever um pouco sobre mim para que as leitoras e leitores conhe\u00e7am esse interlocutor. Sendo bem sucinto, me chamo Paulo Goetze, tenho 36 anos, sou bacharel em Estudos de G\u00eanero e Diversidade e mestre em G\u00eanero, Mulheres e Feminismo pela Universidade Federal da Bahia. Atualmente curso doutorado no mesmo programa.<br \/>\nNo mestrado escrevi uma disserta\u00e7\u00e3o em que me debru\u00e7o sobre a trajet\u00f3ria e produ\u00e7\u00e3o de Daniela Mercury. A escolha do tema deste trabalho se deu pela minha afinidade com a artista desde os 8 anos e, posteriormente, pela aproxima\u00e7\u00e3o com ela a partir dos meus 18 anos. Enquanto estudante de gradua\u00e7\u00e3o passei por um programa de mobilidade em Portugal e, nesse per\u00edodo (2013), ao assistir a um show de Daniela no Coliseu, em Lisboa, fiquei curioso com a afirma\u00e7\u00e3o dela ao apresentar a portuguesa Teresa Salgueiro para um dueto. Daniela disse que Teresa \u00e9 tamb\u00e9m compositora, que pouca gente sabe disso e que o mesmo acontece com ela. Mesmo sendo reconhecida como cantora brasileira em muitos pa\u00edses do mundo e com uma carreira s\u00f3lida, poucas pessoas a reconhecem como autora de suas can\u00e7\u00f5es, de seus pensamentos cantados. Vou apresentar neste artigo um pouco do que escrevi neste trabalho acad\u00eamico que foi publicado em livro em 2019.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-24011\" src=\"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/00448cfe84.jpg\" alt=\"\" width=\"534\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/00448cfe84.jpg 534w, https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/00448cfe84-200x300.jpg 200w, https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/00448cfe84-280x420.jpg 280w\" sizes=\"(max-width: 534px) 100vw, 534px\" \/> <img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-24012\" src=\"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/93dd1ed22c.jpg\" alt=\"\" width=\"552\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/93dd1ed22c.jpg 552w, https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/93dd1ed22c-207x300.jpg 207w, https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/93dd1ed22c-290x420.jpg 290w\" sizes=\"(max-width: 552px) 100vw, 552px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O objetivo principal foi evidenciar, atrav\u00e9s da an\u00e1lise cr\u00edtica das letras das can\u00e7\u00f5es escritas por Daniela Mercury, a sua trajet\u00f3ria como uma cantautora, termo que n\u00e3o \u00e9 utilizado com frequ\u00eancia no Brasil, mas \u00e9 bem difundido principalmente na Europa para designar a artista que escreve, comp\u00f5e e canta seu pr\u00f3prio material. Tamb\u00e9m pontuo as quebras de paradigmas e inova\u00e7\u00f5es que Daniela trouxe para o carnaval da Bahia, como, por exemplo, o primeiro camarote, em 1996, criado para abrigar artistas e jornalistas e, portanto, dar visibilidade ao circuito Barra-Ondina; em 2000 a fus\u00e3o do samba-reggae, m\u00fasica brasileira, com a m\u00fasica eletr\u00f4nica, o house e o drum\u2019n\u2019bass; ou ainda em 2005 a inclus\u00e3o de m\u00fasica erudita quando levou um piano de cauda em cima do trio el\u00e9trico, s\u00f3 para citar algumas ocasi\u00f5es.<br \/>\nTomo como ponto de partida a entrada de Daniela no mercado brasileiro com o show no v\u00e3o livre do MASP no qual ela recebeu o primeiro contato com a gravadora Sony Music para gravar um disco com distribui\u00e7\u00e3o nacional. A manchete no jornal Folha de S\u00e3o Paulo informou: \u201cCantora baiana p\u00e1ra a Avenida Paulista!\u201d e em subt\u00edtulo: \u201cRitmo contagiante de Daniela Mercury faz estrutura do MASP tremer\u201d! Foi assim que a cidade de S\u00e3o Paulo amanheceu em 6 de junho de 1992, um dia depois de Daniela apresentar seu show, marcado para meio dia, com dura\u00e7\u00e3o de menos de 1 hora no maior v\u00e3o livre da Am\u00e9rica Latina no Museu de Arte de S\u00e3o Paulo e parar a Avenida Paulista, o endere\u00e7o mais conhecido e movimentado da maior cidade do pa\u00eds. Segundo a not\u00edcia, cerca de 20 mil pessoas se aglomeraram e impediram o tr\u00e2nsito nos dois sentidos da avenida. O projeto \u201cSom do Meio Dia\u201d, promovido pela Secretaria Municipal de Cultura de S\u00e3o Paulo, era um show com artistas novos, uma maneira de apresenta\u00e7\u00e3o do que fazia sucesso nas regi\u00f5es do pa\u00eds.<br \/>\nDaniela come\u00e7ou a cantar em bares aos 15 anos, em 1980, com um repert\u00f3rio diversificado, mas sempre com m\u00fasicas de MPB, recheado de can\u00e7\u00f5es de Chico Buarque, Milton Nascimento, e das cantoras Gal Costa e Elis Regina. Nessa \u00e9poca nem imaginava que seria uma cantora de sucesso. Em 1982, a jovem cantora subiu em um trio el\u00e9trico pela primeira vez e, segundo ela, o trio era t\u00e3o ruim que o som parecia \u201ccarro de vender frutas\u201d. Em 1986, ao lado de apresenta\u00e7\u00f5es em barzinhos de Salvador, ela foi convidada para backing vocal da banda do Bloco Eva e em 1987 trabalhou nesta mesma fun\u00e7\u00e3o com o cantor Ger\u00f4nimo, compositor que estourava com sua m\u00fasica \u201cEu Sou Neg\u00e3o\u201d. Tamb\u00e9m em 1987, Daniela Mercury ouviu, pela primeira vez durante o carnaval, a can\u00e7\u00e3o afro \u201cFara\u00f3 \u2013 Divindade do Egito\u201d, de Luciano Gomes. O cantor Marcion\u00edlio, ent\u00e3o vocalista da Banda Eva, contara a ela sobre uma nova can\u00e7\u00e3o que estava fazendo sucesso nas ruas. Ent\u00e3o, em frente \u00e0 est\u00e1tua do poeta Castro Alves, na Pra\u00e7a do Povo, a vocalista baiana ouviu \u201cEu falei Fara\u00f3&#8230;\u201d e a multid\u00e3o inteira respondeu \u201c\u00ca\u00ea Fara\u00f3&#8230;\u201d Sobre esse momento, Daniela fala no document\u00e1rio \u201cAx\u00e9: Canto do povo de um lugar\u201d, de 2017:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNaquele momento eu fiquei toda arrepiada e decidi que era aquilo que eu queria para a minha vida. Foi ali que eu decidi adotar o samba-reggae como bandeira. Um samba novo nasceu e \u00e9 dele que eu vou me alimentar. Eu estava experimentando, aprendendo a cantar, a lidar com o p\u00fablico. At\u00e9 que surgiu o samba-reggae, que no come\u00e7o virou moda, todo mundo fazia. E eu resolvi esperar. Porque moda na Bahia passa em dois anos, todo mundo faz, depois todo mundo para de fazer. Dito e feito. Veio a primeira leva de samba-reggae, seguiu o sucesso de Luiz Caldas e Sarajane, e foi um fen\u00f4meno enorme, uma explos\u00e3o r\u00e1pida no Brasil. Mas a\u00ed come\u00e7ou a lambada, outro fen\u00f4meno, internacional, e esqueceram o samba-reggae. Pensei: \u2018largaram pra mim\u00b4\u201d<br \/>\nE foi atrav\u00e9s desta nova matriz, do som feito pelo Olodum, que ela teve certeza do que seria sua vida art\u00edstica. O Olodum chegou muito forte com a batida do samba-reggae sintetizada por Neguinho do Samba nas ladeiras do Pelourinho, sendo, inclusive, reconhecida internacionalmente atrav\u00e9s do interesse de Paul Simon e posteriormente Michael Jackson. Toda a performance de Daniela Mercury se pautou na reprodu\u00e7\u00e3o da identidade baiana. Nas roupas, por exemplo, ela utilizava figurino pintado \u00e0 m\u00e3o por Alberto Pita, idealizador do Cortejo Afro, artista pl\u00e1stico que h\u00e1 mais de 30 anos desenvolve trabalhos ligados \u00e0 est\u00e9tica e \u00e0 cultura africanas.<br \/>\nA aproxima\u00e7\u00e3o de Daniela com os blocos afros se tornou uma marca em sua trajet\u00f3ria, sendo frequentadora ass\u00eddua dos ensaios dos blocos desde muito jovem. A rela\u00e7\u00e3o dela com o Il\u00ea Aiy\u00ea, o Olodum e a Banda Did\u00e1, por exemplo, vai al\u00e9m da escolha de suas m\u00fasicas para o repert\u00f3rio e a incorpora\u00e7\u00e3o de passos e gestos do Candombl\u00e9 utilizados em suas coreografias, Daniela procura dar visibilidade aos blocos em shows e em videoclipes que s\u00e3o pulverizados por todo o mundo.<br \/>\nQuantitativamente, entre 1991 e 2012, Daniela Mercury gravou 14 discos, com um total de 205 m\u00fasicas, sendo 43 autorais, o que d\u00e1 um total de quase 21% de m\u00fasicas pr\u00f3prias. Em 2015, ela gravou um disco totalmente autoral. Nele a cantora disserta sobre suas inquieta\u00e7\u00f5es, suas preocupa\u00e7\u00f5es, questionamentos, sua maneira de ver o mundo e se relacionar com ele e suas influ\u00eancias, como o Movimento Antropof\u00e1gico, por exemplo, al\u00e9m da luta contra o racismo, o machismo e toda forma de opress\u00e3o. A capa deste \u00e1lbum foi inspirada no manifesto feito por John Lennon e Yoko Ono, em 1981, pela paz e pelo amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vejo Daniela como uma cronista que est\u00e1 sempre antenada com o mundo, mas com as ra\u00edzes bem fincadas no solo f\u00e9rtil da Bahia.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-24013\" src=\"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/john-ls-690x437-1.jpeg\" alt=\"\" width=\"690\" height=\"437\" srcset=\"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/john-ls-690x437-1.jpeg 690w, https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/john-ls-690x437-1-300x190.jpeg 300w, https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/john-ls-690x437-1-663x420.jpeg 663w\" sizes=\"(max-width: 690px) 100vw, 690px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s a escrita do trabalho, fiz um perfil no Instagram (@danielamercurysuporte) onde posto sempre atualiza\u00e7\u00f5es da carreira de Daniela como uma forma de atualiza\u00e7\u00e3o do livro que est\u00e1 dispon\u00edvel no site www.queerlivros.com.br, na Amazon ou diretamente comigo.<\/p>\n<p>At\u00e9 a pr\u00f3xima quarta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Paulo Goetze Recebi com muito entusiasmo o convite para fazer parte deste portal escrevendo 1 vez por semana sobre cultura. 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