{"id":24713,"date":"2020-10-08T15:53:46","date_gmt":"2020-10-08T15:53:46","guid":{"rendered":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/?p=24713"},"modified":"2020-10-08T15:53:46","modified_gmt":"2020-10-08T15:53:46","slug":"da-repressao-ao-excesso-o-sexo-no-seculo-xxi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/da-repressao-ao-excesso-o-sexo-no-seculo-xxi\/","title":{"rendered":"Da repress\u00e3o ao excesso: o sexo no S\u00e9culo XXI"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Por Wladimir Oliveira<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os semblantes sexuais colocados \u00e0 oferta fast food est\u00e3o a\u00ed mais para ocultar a &#8220;n\u00e3o-rela\u00e7\u00e3o sexual&#8221;(o desencontro) do que para o resultado da evolu\u00e7\u00e3o da liberdade sexual sobre os corpos, reivindicada no limiar do s\u00e9culo passado. A era da pornografia virtual possibilita uma satisfa\u00e7\u00e3o sexual do n\u00edvel imagin\u00e1rio com incid\u00eancia sobre o corpo, mas que nunca ser\u00e1 um sexo entre dois sujeitos. Transa-se com uma imagem, seja ela distribu\u00edda para milhares ou em uma troca virtual entre duas pessoas. Os efeitos desta era, de acordo com o psicanalista Jacques Miller s\u00e3o devastadores e \u201ccujas consequ\u00eancias nos costumes das novas gera\u00e7\u00f5es, quanto ao estilo das rela\u00e7\u00f5es sexuais, j\u00e1 estamos acompanhando: desencantamento, brutaliza\u00e7\u00e3o, banaliza\u00e7\u00e3o\u201d.<br \/>\nA publicidade, as letras de m\u00fasicas populares como sertanejo e funk, nos levam a pensar que estamos out, perdendo algo ao se relacionar sexualmente com uma s\u00f3 pessoa, ou investindo em outros prazeres como hobbies, esportes, ficando sozinho, ou com amigos. \u201c A vida \u00e9 curta, curta um caso\u201d diz o slogan de uma rede social voltado para pessoas comprometidas que est\u00e3o dispostas a encontros sexuais. Nesta rede social cuja procura \u00e9 necessariamente sexo sem compromisso, foi realizada uma pesquisa com dois perfis falsos, um masculino e um feminino, com fotos e dados f\u00edsicos semelhantes, e revela a ansiedade mais para o lado masculino; a mulher recebeu 83 mensagens e 245 formas de contato, o masculino recebeu 1 mensagem e 5 formas de contato, ambos em 24 horas.<br \/>\nEste formato de satisfa\u00e7\u00e3o da puls\u00e3o esc\u00f3pica (do olhar) e do automatismo do gozo genital, tira do sujeito do desejo de ser desejado, \u00e9 sempre solit\u00e1rio, n\u00e3o h\u00e1 uma resposta do outro. \u201cO sexo fr\u00e1gil, no que concerne ao porn\u00f4, \u00e9 o masculino, que cede a isso de muito bom grado. Quantas vezes n\u00e3o ouvimos em an\u00e1lise homens que se queixam das compuls\u00f5es de acompanhar as perip\u00e9cias pornogr\u00e1ficas e at\u00e9 mesmo de estoc\u00e1-las em uma reserva eletr\u00f4nica! Do outro lado, o das esposas e das amantes, pratica-se menos do que o conhecimento que se tem da pr\u00e1tica de seu parceiro. Ent\u00e3o, depende: considera-se uma trai\u00e7\u00e3o ou um divertimento sem consequ\u00eancias. Essa cl\u00ednica da pornografia \u00e9 do s\u00e9culo XXI s\u00f3 a evoco, mas ela mereceria ser detalhada por ser insistente e porque h\u00e1 aproximadamente quinze anos tornou-se extremamente presente nas an\u00e1lises.\u201d (Miller, O inconsciente e o corpo falante)<br \/>\nA presen\u00e7a de imagens do nu ocorreu em v\u00e1rios per\u00edodos da humanidade, o Barroco no renascimento foi bastante marcado pela nudez e sensualidade. Por conta da repress\u00e3o sexual da igreja na \u00e9poca, os artistas reproduziam nas cenas da mitologia e religi\u00e3o grande quantidade de corpos nus, cujas cenas evocam o gozo, mas n\u00e3o exp\u00f5em o ato sexual.<br \/>\nNo livro \u201cMan (Dis) connected\u201d (\u201dHomem (des) conectado\u201d), o professor da Universidade de Standford Philip Zimbardo, mostra os resultados de uma pesquisa realizada com 20 mil jovens e aponta os riscos de novos h\u00e1bitos criados pela tecnologia. A disponibilidade de pornografia gratuita na internet, possibilitou este novo v\u00edcio em gera\u00e7\u00f5es de homens jovens com problemas no desenvolvimento social e nas conquistas acad\u00eamicas, al\u00e9m, naturalmente, das dificuldades no relacionamento sexual e afetivo com as garotas, e disfun\u00e7\u00e3o er\u00e9til.<br \/>\nA forma como os homens e mulheres se encontram com a sexualidade \u00e9, e sempre foi diferente, dadas as diferen\u00e7as anat\u00f4micas e culturais com que se definem os pap\u00e9is de cada sexo. \u00c9 um ponto enigm\u00e1tico com incid\u00eancia em todo o funcionamento ps\u00edquico do sujeito. Estruturalmente a mulher precisa do amor para gozar, o homem tem o gozo genital. O que est\u00e1 em pauta tanto na psican\u00e1lise quanto na psicologia s\u00e3o as consequ\u00eancias da oferta do sexo expl\u00edcito no s\u00e9culo XXI, que vai muito al\u00e9m daquela simples frustra\u00e7\u00e3o do homem que espera um sexo acrob\u00e1tico, e uma mulher que espera o telefonema do dia seguinte. Podemos acompanhar uma s\u00e9rie de fatos com consequ\u00eancias traum\u00e1ticas e irrevers\u00edveis oriundas das tr\u00eas consequ\u00eancias : desencantamento, brutaliza\u00e7\u00e3o, banaliza\u00e7\u00e3o. A incid\u00eancia de estupros de garotas alcoolizadas, ou dopadas sem consentimento, a inicia\u00e7\u00e3o sexual precoce, vazamento de v\u00eddeos e fotos \u00edntimos na internet, difama\u00e7\u00e3o, grupos de dissemina\u00e7\u00e3o intencional de HIV.<br \/>\nAs mulheres, por sua vez, ao defender a igualdade sexual, caem muitas vezes na imita\u00e7\u00e3o do comportamento masculino, contabilizando parceiros, banalizando o sexo e se devastando com a aus\u00eancia de afeto. O sexo sempre teve algo de transgressor, mas o excesso e a banaliza\u00e7\u00e3o levam a uma insatisfa\u00e7\u00e3o, que impulsiona novas formas de transgress\u00e3o sexual. E estas novas formas de transgredir n\u00e3o evoluem no sentido de um bom encontro com o outro sexo, ao contr\u00e1rio, o que est\u00e1 cada vez mais aparente \u00e9 o receio, o trauma, o revide, o contragolpe, a inseguran\u00e7a, a falta de cumplicidade e o abuso.<\/p>\n<p>Wladimir Silva de Oliveira<br \/>\n@psiwladimir<br \/>\nPsicanalista \/ Te\u00f3logo \/ Sex\u00f3logo \/ Terapeuta de Fam\u00edlia \/ Neuropsicopedagogo \/ Aromaterapeuta<\/p>\n<p>Fontes:<br \/>\nhttp:\/\/www.wapol.org\/pt\/articulos\/Template.asp?intTipoPagina=4&#038;intPublicacion=13&#038;intEdicion=9&#038;intIdiomaPublicacion=9&#038;intArticulo=2742&#038;intIdiomaArticulo=9<br \/>\nhttp:\/\/oglobo.globo.com\/sociedade\/tecnologia\/vicios-em-videogame-pornografia-on-line-estao-gerando-crise-de-masculinidade-diz-psicologo-16113562<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Wladimir Oliveira Os semblantes sexuais colocados \u00e0 oferta fast food est\u00e3o a\u00ed mais para ocultar a &#8220;n\u00e3o-rela\u00e7\u00e3o sexual&#8221;(o desencontro) do que para o resultado da evolu\u00e7\u00e3o da liberdade sexual sobre os corpos, reivindicada no limiar do s\u00e9culo passado. 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