{"id":24730,"date":"2020-10-10T13:20:25","date_gmt":"2020-10-10T13:20:25","guid":{"rendered":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/?p=24730"},"modified":"2020-10-10T13:20:25","modified_gmt":"2020-10-10T13:20:25","slug":"o-p-da-mpb","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/o-p-da-mpb\/","title":{"rendered":"O &#8220;P&#8221; da MPB"},"content":{"rendered":"<p>I08-O-P-da-MPB<br \/>\nhttp:\/\/learningbrazport.blogspot.com\/2012\/11\/the-100-greatest-mpb-albums-from.html<\/p>\n<p>O \u201cP\u201d da MPB<\/p>\n<p>Por Walter Silva<br \/>\nwaltersilva@ifpi.edu.br<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00eas j\u00e1 pensaram sobre o quanto \u00e9 complexo definir o que entra e, principalmente, o que n\u00e3o entra na tal MPB?<br \/>\n\u201cMas que perguntinha mais cretina \u00e9 essa colunista?\u201d Perguntariam os leitores mais afoitos e responderiam de \u201cbate pronto\u201d: \u201cMPB \u00e9 M\u00fasica Popular Brasileira e ponto final. A\u00ed \u00e9 claro que entraria forr\u00f3, bossa nova, samba, frevo&#8230;\u201d.<br \/>\nBacana, boa explica\u00e7\u00e3o, v\u00edrgula, mas qual ou quais crit\u00e9rios dever\u00edamos admitir para um trabalho entrar nesse ecl\u00e9tico e vast\u00edssimo grupo? Basta fazer forr\u00f3, por exemplo, para o compositor\/int\u00e9rprete receber a outorga de membro da MPB? Tem de ser divulgado por qual(ais) m\u00eddia(s) para ser popular? Tem de atingir (ou n\u00e3o atingir) qual(ais) p\u00fablico(s)? S\u00e3o m\u00fasicas livres de influ\u00eancia estrangeira? Ah, aqui vemos algo curioso, pois o que convencionamos chamar de MPB acabou sendo, na pr\u00e1tica, essa forma musical que combina m\u00fasica com letra, ou seja, o \u201cM\u201d da MPB deveria ser \u201cC\u201d de can\u00e7\u00e3o.<br \/>\nBom, fiz a provoca\u00e7\u00e3o e saio de fininho porque n\u00e3o vou discutir, muito menos pretendo definir, o que \u00e9 MPB, mesmo ap\u00f3s seis d\u00e9cadas do seu batismo sob tal designa\u00e7\u00e3o. Contento-me nesta coluna, e isso j\u00e1 \u00e9 muito, pois o papo \u00e9 comprido e complicado, em \u201cca\u00e7ar conversa\u201d sobre o que \u00e9 popular e como esse crit\u00e9rio associou-se ou dissociou-se da nossa MPB.<br \/>\nVou come\u00e7ar relatando uma conversa que tive com um senhor, de in\u00edcio bem simp\u00e1tico, mas depois nem tanto, que conheci numa livraria no s\u00e1bado passado. Ele \u00e9 o dono de uma pequena, mas bem sortida livraria, diga-se de passagem. A variedade e a qualidade dos autores que ele disponibiliza \u00e9 realmente invej\u00e1vel. A\u00ed, assumindo, orgulhoso, o papel daqueles livreiros que se confundem com as estantes e os livros, vangloriava-se por conhecer tudo o que tinha \u00e0 venda e, por isso, julgava-se o mais capacitado livreiro do Brasil; criticava aqueles que pediam descontos, pois achava aquilo uma atitude depreciativa, e, tamb\u00e9m, quem queria fazer pesquisa a partir de algumas publica\u00e7\u00f5es de leituras muito iniciais, como aquelas que prometem entender o pensamento de fulano ou a hist\u00f3ria disso ou daquilo em cinco ou dez li\u00e7\u00f5es (nisso eu concordei com ele).<br \/>\nEnquanto estava olhando os livros, percebi na conversa dele com dois fregueses, o prazer que tinha em analis\u00e1-los e, sempre num tom de falso lamento, diagnostic\u00e1-los taxativamente: \u201cAh, voc\u00ea ainda n\u00e3o se libertou disso&#8230;\u201d, \u201cVoc\u00ea ainda est\u00e1 preso naquilo&#8230;\u201d.<br \/>\nImaginando que logo passaria pelo seu crivo, fiquei curioso sobre a an\u00e1lise que ele faria de mim. N\u00e3o deu outra, descobri que eu n\u00e3o respeitava as livrarias porque havia confessado, na verdade mais provocado que confessado, que era fascinado por sebos. Na \u00f3tica dele, eu deveria comprar mais em livrarias pequenas, regionais como as dele, do que em sebos. Descobri que tinha de procurar por coisas novas e abandonar o passado, arejar a mente. Tentei, em v\u00e3o, justificar que a maioria das obras que procuro j\u00e1 sa\u00edram de cat\u00e1logo, que tenho de fazer recortes por conta da pesquisa que estou fazendo e que as leituras novas n\u00e3o necessariamente superam o que j\u00e1 foi escrito. N\u00e3o adiantou: al\u00e9m de n\u00e3o gostar de livrarias, descobri que tenho de ler mais e sobre tudo o que ele indicava ou tinha lido, e que eu gostava de livros velhos, pois, para ele, n\u00e3o existem livros antigos; ou \u00e9 novo ou \u00e9 velho. N\u00e3o sei em que momento a conversa descambou para a cultura e eu lhe perguntei num tom de provoca\u00e7\u00e3o: e voc\u00ea conhece afox\u00e9? A\u00ed veio o mote para a coluna: \u201ceu n\u00e3o gosto disso, n\u00e3o, dessa coisa popular que chamam de m\u00fasica; eu ou\u00e7o mesmo \u00e9 Bach\u201d.<br \/>\nEssa conversa me fez pensar sobre a leitura do mundo daquele senhor. Sobre a ideia que aquele homem de mais de setenta anos (ele falou a idade, mas n\u00e3o gravei), com uma vasta leitura e \u201cformado\u201d em um ambiente culturalmente diverso, tinha sobre a categoria popular.<br \/>\nDe forma sint\u00e9tica, o que percebemos naquela conversa \u00e9 uma ideia muito comum de \u201cpopular que amea\u00e7a\u201d, que traz consigo uma for\u00e7a desagregadora de formas idealizadas. \u00c9 um popular que deve ser contido porque revela a for\u00e7a subliminar do povo que o elegeu. Mas como assumir essa postura \u00e9 assumir a fragilidade como g\u00eamea siamesa, \u00e9 melhor apelar para a \u201cest\u00e9tica\u201d e estereotipar as express\u00f5es populares como express\u00f5es de \u201cmau gosto\u201d \u2013 portanto pobres, perif\u00e9ricas e marginais \u2013, pois n\u00e3o se coadunam com a centralidade de um projeto pol\u00edtico heterorreferenciado. \u00c9 o popular como oposi\u00e7\u00e3o ao erudito, ou seja, aquilo que Bakhtin t\u00e3o bem percebeu quando diagnosticou a causa dos rom\u00e2nticos n\u00e3o terem entendido a obra de um dos mais importantes escritores europeus do Renascimento, Fran\u00e7ois Rabelais: dentre outras quest\u00f5es, faltou-lhes \u201c[&#8230;] a capacidade de desfazer-se de muitas exig\u00eancias do gosto liter\u00e1rio profundamente arraigadas. A revis\u00e3o de uma infinidade de no\u00e7\u00f5es e, sobretudo, uma investiga\u00e7\u00e3o profunda dos dom\u00ednios da literatura c\u00f4mica popular [&#8230;]\u201d (BAKHTIN, 2010, p.3, grifo do autor).<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-24731\" src=\"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/I08-Villa-Lobos.jpg\" alt=\"\" width=\"354\" height=\"482\" srcset=\"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/I08-Villa-Lobos.jpg 354w, https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/I08-Villa-Lobos-220x300.jpg 220w, https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/I08-Villa-Lobos-308x420.jpg 308w\" sizes=\"(max-width: 354px) 100vw, 354px\" \/><\/p>\n<p>IMAGEM (I08-Villa-Lobos):<br \/>\nFonte: http:\/\/brunomadeira.com\/obras-para-violao-de-heitor-villa-lobos\/<br \/>\nLegenda: Villa-Lobos aprendeu viol\u00e3o nas rodas de choro cariocas, incorporando, na sua escrita violon\u00edstica, t\u00e9cnicas e elementos do choro, da viola caipira e da m\u00fasica ind\u00edgena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nPensando assim, palmas, palmas e muitas palmas para Heitor Villa Lobos, cuja obra t\u00e3o bem poderia ensinar ao livreiro. Sem negar a forma\u00e7\u00e3o erudita, ali\u00e1s valendo-se dela para reafirmar a influ\u00eancia do popular na sua forma\u00e7\u00e3o, Villa Lobos, em v\u00e1rios momentos da sua obra, comprovou a pot\u00eancia musical que resulta da aproxima\u00e7\u00e3o do que se convencionou chamar de erudito com o tal popular, duas fortes refer\u00eancias musicais aparentemente inconcili\u00e1veis na perspectiva colonizadora de quem s\u00f3 ouve Bach e despreza o ijex\u00e1 e os afox\u00e9s por serem populares. E foi assim que ele comp\u00f4s \u201cDan\u00e7as Caracter\u00edsticas Africanas\u201d (1916), diversos estudos para viol\u00e3o no g\u00eanero choro, serestas e cirandas para piano e ainda conciliou Bach com cantigas e elementos musicais populares nas suas \u201cBachianas Brasileiras\u201d (o \u201cTrenzinho Caipira\u201d, tamb\u00e9m conhecida como \u201cBachiana Brasileira n.\u00ba 2\u201d, n\u00e3o \u00e9 can\u00e7\u00e3o, mas, de t\u00e3o popular que \u00e9, bem poderia ser enquadrada como MPB, ou n\u00e3o?).<br \/>\nA obra de Villa Lobos fez escola no Brasil e um dos seus mais ilustres e declarados disc\u00edpulos foi Tom Jobim. A obra de Tom \u00e9 muito bem referenciada como MPB, assim como a de Carlinhos Lira, Ronaldo B\u00f4scoli, Roberto Menescal e toda a gera\u00e7\u00e3o bossanovista, fortemente marcada pelas influ\u00eancias harm\u00f4nica do jazz e r\u00edtmica do samba. Falando em samba, Cartola, Nelson Cavaquinho, Paulinho da Viola, Monarco, Adoniran Barbosa, Ney Lopes s\u00f3 para citar alguns, s\u00e3o refer\u00eancias do samba, t\u00eam v\u00e1rias composi\u00e7\u00f5es que se popularizaram, circulam bem entre os segmentos da \u201cintelectualidade\u201d brasileira pertencentes \u00e0s classes m\u00e9dia e alta e s\u00e3o considerados MPB. J\u00e1 Parangol\u00e9, Thiaguinho, Negritude J\u00fanior, Katinguel\u00ea, Art Popular, s\u00f3 para citar alguns, n\u00e3o saem das r\u00e1dios, s\u00e3o amplamente consumidos pela popula\u00e7\u00e3o (inclusive pelas classes m\u00e9dia e alta), mas n\u00e3o s\u00e3o MPB.<br \/>\nEsse \u00faltimo grupo \u00e9 f\u00e1cil de explicar: eles podem ser exemplificados como produtos da ind\u00fastria cultural, por isso tocam em programas de TV, novelas, suas \u201cLives\u201d s\u00e3o concorrid\u00edssimas&#8230; Mas eu vos pergunto: a MPB tamb\u00e9m n\u00e3o se valeu da ind\u00fastria cultural? Ela mesma n\u00e3o buscou a \u201cmass media\u201d e tentou impor o seu produto cultural, reagindo firmemente \u00e0 \u201cinvas\u00e3o\u201d de produtos mais facilmente assimil\u00e1veis? E olhe que eu nem estou falando da rejei\u00e7\u00e3o \u00e0 Amado Batista, Fernando Mendes, \u00e0 \u201cfolcloriza\u00e7\u00e3o\u201d das m\u00fasicas classificadas como regionais&#8230; Refiro-me, especificamente, \u00e0 rea\u00e7\u00e3o de parcelas significativas da \u201cintelectualidade\u201d brasileira \u00e0 Jovem Guarda, ao Rock\u00b4n Rool, \u00e0 Black Music&#8230;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-24732\" src=\"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/I08-Marcha-contra-a-guitarra.jpg\" alt=\"\" width=\"504\" height=\"337\" srcset=\"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/I08-Marcha-contra-a-guitarra.jpg 504w, https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/I08-Marcha-contra-a-guitarra-300x201.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 504px) 100vw, 504px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nIMAGEM (I08-Marcha-contra-a-guitarra):<br \/>\nFonte: https:\/\/musicnonstop.uol.com.br\/cantar-em-ingles-e-proibido-num-pais-que-ainda-vive-o-medo-da-guitarra-eletrica\/<br \/>\nLegenda: Gritando palavras de ordem como \u201cQueremos o que \u00e9 nosso\u201d e \u201cFora a guitarra el\u00e9trica\u201d, diversos artistas como Elis Regina, Jair Rodrigues e Gilberto Gil (foto) participaram da bizarra marcha contra a guitarra el\u00e9trica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Querem mais? Quem n\u00e3o lembra do desespero da antiga TV Record, que via o seu sucesso \u201cO Fino da Bossa\u201d, programa apresentado por nada mais nada menos que Elis Regina e Jair Rodrigues, perder audi\u00eancia por causa do fen\u00f4meno popular que surgia revolvendo as estruturas fonogr\u00e1ficas nacionais da segunda metade dos anos de 1960, a Jovem Guarda? For\u00e7ando um pouquinho mais da mem\u00f3ria, lembraremos que quem invadia o mundo, \u00e0quela \u00e9poca, eram os meninos de Liverpool, isso mesmo, os Beatles, abrindo caminho para a entrada definitiva das can\u00e7\u00f5es anglo-f\u00f4nicas no Brasil. Adivinhem qual foi a rea\u00e7\u00e3o da TV Record frente \u00e0 essa queda de \u201caudi\u00ean$ia\u201d (sim, o cifr\u00e3o n\u00e3o foi um erro de digita\u00e7\u00e3o, pois o LP \u201cOs Dois na Bossa\u201d, de 1965, foi o primeiro a vender mais de um milh\u00e3o de c\u00f3pias no territ\u00f3rio nacional): organizou um movimento chamado \u201cFrente \u00danica da M\u00fasica Popular Brasileira\u201d, que, dentre outras a\u00e7\u00f5es, resultou numa passeata liderada por Elis, Jair Rodrigues e Geraldo Vandr\u00e9, mas apoiada por diversos outros artistas como Edu Lobo, Z\u00e9 Keti e, acreditem, Gilberto Gil, cuja carreira estava sendo impulsionada por Elis. Caetano e Nara Le\u00e3o reagiram e negaram-se a participar da passeata por considerarem-na fascista; horrorizados, assistiram tudo de uma janela do Hotel Dan\u00fabio. Ent\u00e3o, isso \u00e9 ou n\u00e3o \u00e9 um movimento pol\u00edtico, fortemente influenciado pelos interesses da ind\u00fastria cultural, querendo determinar o que \u00e9 e o que n\u00e3o \u00e9 popular?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-24733\" src=\"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/I08-Banda-de-P\u00edfanos-de-Caruaru.jpg\" alt=\"\" width=\"357\" height=\"360\" srcset=\"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/I08-Banda-de-P\u00edfanos-de-Caruaru.jpg 357w, https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/I08-Banda-de-P\u00edfanos-de-Caruaru-298x300.jpg 298w, https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/I08-Banda-de-P\u00edfanos-de-Caruaru-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 357px) 100vw, 357px\" \/><br \/>\nIMAGEM (I08-Banda-de-P\u00edfanos-de-Caruaru):<br \/>\nFonte: https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=CcXaNBDSsdk<br \/>\nLegenda: Capa do LP Banda de P\u00edfanos de Caruru (1976). A primeira can\u00e7\u00e3o deste disco tem um dos mais belos registros da can\u00e7\u00e3o Pipoca Moderna (Caetano Veloso\/Sebasti\u00e3o Biano). O link da Fonte remete o leitor ao arquivo no Youtube.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bem, como situa\u00e7\u00e3o parecida com o samba repete-se com o forr\u00f3 e com a m\u00fasica sertaneja, j\u00e1 temos algumas pistas interessantes, n\u00e3o para bater o martelo, mas para come\u00e7ar a pensar melhor sobre o \u201cP\u201d da MPB: esse \u201cP\u201d n\u00e3o seria de um marcador bem mais pol\u00edtico do que popular, de um grupo socioecon\u00f4mico um pouco (ou bem) mais privilegiado, tentando definir o que \u00e9 e o que n\u00e3o \u00e9 popular? Acho interessante esta pergunta porque n\u00e3o acredito que a Banda de P\u00edfanos de Caruaru, ao fazer a sua m\u00fasica t\u00e3o representativa de uma regi\u00e3o do nosso Nordeste, estivesse preocupada se estava ou n\u00e3o fazendo m\u00fasica popular. Nessa mesma perspectiva incluo o Mestre Vitalino e a sua materializa\u00e7\u00e3o cotidiana no barro pernambucano, a genuinidade do samba de roda representada por Dona Edith do Prato, a rima r\u00e1pida e cortante dos repentes de Bule Bule ou dos cord\u00e9is cearenses de Patativa do Assar\u00e9.<br \/>\nVejo, hoje, como foi perigosa a cria\u00e7\u00e3o dessa t\u00e3o complexa MPB, que na verdade nada criou, s\u00f3 classificou o que j\u00e1 tinha. Em certa medida, n\u00e3o foi nada t\u00e3o diferente do que os colonizadores fizeram e continuam fazendo para colonizar: mudam os nomes e classificam as coisas que sempre existiram, alteram os seus sentidos e nos ensinam o certo, pois tudo antes estava errado.<br \/>\nAh, para n\u00e3o dizer que n\u00e3o falei do livreiro, ele abria uma exce\u00e7\u00e3o para Chico Buarque.<\/p>\n<p>REFER\u00caNCIAS<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nBAKHTIN, Mikhail Mikhailovitch. A cultura popular na Idade M\u00e9dia e no Renascimento: o contexto de Fran\u00e7ois Rabelais. S\u00e3o Paulo: Hucitec, 2010.<br \/>\nBUENO, Eduardo. Marcha contra a guitarra el\u00e9trica. Youtube, 14 de abr. de 2019. Dispon\u00edvel em: &lt; https:\/\/youtu.be\/AbJZIHyTKRg &gt;. Acesso em: 08 de out. de 2020.<\/p>\n<p>MADEIRA, Bruno. Heitor Villa-Lobos e o viol\u00e3o. 2007. Dispon\u00edvel em: &lt; http:\/\/brunomadeira.com\/obras-para-violao-de-heitor-villa-lobos\/ &gt;. Acesso em: 08 de out. de 2020.<\/p>\n<p>MOTTA, Nelson, CABRAL, S\u00e9rgio, VELOSO, Caetano (et. ali). Marcha contra a guitarra el\u00e9trica e o tropicalismo. Youtube, 16 de nov. de 2019. Dispon\u00edvel em: &lt; https:\/\/youtu.be\/BHkJ3IBvFLg &gt;. Acesso em: 08 de out. de 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PORTAL R7. \u201cO Fino da Bossa\u201d re\u00fane granes nomes e reconta hist\u00f3ria da m\u00fasica. Dispon\u00edvel em: &lt; https:\/\/entretenimento.r7.com\/famosos-e-tv\/o-fino-da-bossa-reune-grandes-nomes-e-reconta-historia-da-musica-06102019?amp &gt;. Acesso em: 08 de out. de 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SILVA, Guilherme. Cantar em ingl\u00eas \u00e9 proibido em um pa\u00eds que ainda vive sob o medo da guitarra el\u00e9trica. UOL. 2016. Dispon\u00edvel em: &lt; https:\/\/musicnonstop.uol.com.br\/cantar-em-ingles-e-proibido-num-pais-que-ainda-vive-o-medo-da-guitarra-eletrica\/ &gt;. Acesso em: 08 de out. de 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">VELOSO, Caetano. Caetano Veloso &#8211; passeata contra a guitarra el\u00e9trica. Youtube, 16 de nov. de 2019. Dispon\u00edvel em: &lt; https:\/\/youtu.be\/DtPFgs4T-Us &gt;. Acesso em: 08 de out. de 2020.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>I08-O-P-da-MPB http:\/\/learningbrazport.blogspot.com\/2012\/11\/the-100-greatest-mpb-albums-from.html O \u201cP\u201d da MPB Por Walter Silva waltersilva@ifpi.edu.br Voc\u00eas j\u00e1 pensaram sobre o quanto \u00e9 complexo definir o que entra e, principalmente, o que n\u00e3o entra na tal MPB? \u201cMas que perguntinha mais cretina \u00e9 essa colunista?\u201d Perguntariam os leitores mais afoitos e responderiam de \u201cbate pronto\u201d: \u201cMPB \u00e9 M\u00fasica Popular Brasileira e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":24734,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[137,2,41],"tags":[],"class_list":["post-24730","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-danca-e-teatro","category-destaques","category-ultimasnoticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24730","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24730"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24730\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24735,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24730\/revisions\/24735"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/24734"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24730"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24730"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24730"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}