{"id":28372,"date":"2021-12-04T15:00:36","date_gmt":"2021-12-04T18:00:36","guid":{"rendered":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/?p=28372"},"modified":"2021-11-16T22:53:50","modified_gmt":"2021-11-17T01:53:50","slug":"em-minha-experiencia-clinica-sempre-que-recebo-um-novo-paciente-me-deparo-com-um-aspecto-comum-pouca-ou-nenhuma-educacao-sobre-a-sexualidade-e-nao-tem-relacao-com-informacao-pois-na-internet-exis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/em-minha-experiencia-clinica-sempre-que-recebo-um-novo-paciente-me-deparo-com-um-aspecto-comum-pouca-ou-nenhuma-educacao-sobre-a-sexualidade-e-nao-tem-relacao-com-informacao-pois-na-internet-exis\/","title":{"rendered":"Somos analfabetos sexuais?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>Por Bruna C. Fernandes<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em minha experi\u00eancia cl\u00ednica, sempre que recebo um novo paciente, me deparo com um aspecto comum: pouca ou nenhuma educa\u00e7\u00e3o sobre a sexualidade. E n\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o com informa\u00e7\u00e3o, pois na internet existem in\u00fameros artigos, informa\u00e7\u00f5es e dicas numa linguagem simples e acess\u00edvel. Mas porque ainda assim as pessoas n\u00e3o conseguem quebrar alguns tabus?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voltemos no tempo&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em aspectos geracionais, podemos dizer que at\u00e9 os anos 60, n\u00e3o se falava em sexo por prazer. O ato sexual era para fins de procria\u00e7\u00e3o, cumprimento de obriga\u00e7\u00f5es maritais, como \u201cconsumar o casamento\u201d, por exemplo. Ap\u00f3s o advento da p\u00edlula anticoncepcional muitas coisas mudaram. O prazer come\u00e7ou a tomar seu lugar no ato sexual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos afirmar tamb\u00e9m que at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s as pessoas n\u00e3o encaravam o sexo com o vi\u00e9s do prazer. Ou seja, \u00e9 algo novo, pelo menos no ocidente. Quando retomamos a hist\u00f3ria da sexualidade, conseguimos entender melhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 De acordo com Foucault, um fil\u00f3sofo muito importante que descreveu em tr\u00eas volumes\u00a0 a \u201cHist\u00f3ria da Sexualidade\u201d, afirmava que durante s\u00e9culos, se ligou o sexo \u00e0 busca da verdade, sobretudo a partir do cristianismo. A confiss\u00e3o, o exame da consci\u00eancia, foi o modo de colocar a sexualidade no centro da exist\u00eancia. O sexo, nas sociedades crist\u00e3s, tornou-se algo que era preciso <strong>examinar, vigiar, confessar<\/strong>. Podia-se falar de sexualidade, mas somente para proibi-la. Dizia que vivemos em uma sociedade que produz <strong>discursos tidos como verdades<\/strong>. Essa produ\u00e7\u00e3o de &#8220;discursos verdadeiros&#8221; resulta na forma\u00e7\u00e3o de poderes espec\u00edficos. Assim, sustenta que as &#8220;verdades&#8221; produzidas em rela\u00e7\u00e3o a sexualidade tornou-se um problema no Ocidente, uma vez que levaram \u00e0 repress\u00e3o sexual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E dentre os \u201cdiscursos\u201d comuns, podemos afirmar que o sexo sempre foi tratado de forma marginal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Exemplos:<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Uma pessoa que vive a sua sexualidade de forma intensa: Prom\u00edscuo<\/li>\n<li>Sexo vivido antes do casamento: Fornica\u00e7\u00e3o \/pecado<\/li>\n<li>Vivenciar o prazer, desejos sexuais: lux\u00faria ( um dos sete pecados capitais)<\/li>\n<li>A prostitui\u00e7\u00e3o, que \u00e9 uma profiss\u00e3o considerada controversa, no qual muitos dos que procuram s\u00e3o pessoas<strong> casadas<\/strong>, insatisfeitas com seus relacionamentos, ou que acreditam que em casa, determinadas pr\u00e1ticas n\u00e3o podem ser vividas, ou permitidas.<\/li>\n<li>Quando algu\u00e9m \u00e9 ofendido, grande parte dos xingamentos tem cunho sexual (chamar a m\u00e3e de <em>prostituta<\/em>, o homem de<em> viado<\/em>, a mulher de <em>piranha<\/em>).<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">Perceberam as sutilezas? De uma forma ou de outra os mecanismos culturais que recaem sobre a sociedade ocidental. A sexualidade foi sendo constru\u00edda historicamente atrav\u00e9s de modelos de verdades que n\u00e3o permitiam que o indiv\u00edduo fosse livre, dono de seus atos, independentes; emancipado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quais os resultados?<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Casais que n\u00e3o conseguem conversar sobre sexo;<\/li>\n<li>Mulheres que acham que o sexo \u00e9 obriga\u00e7\u00e3o e acabam n\u00e3o sentindo prazer algum na rela\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>Homens inseguros com o tamanho do seu p\u00eanis;<\/li>\n<li>Pessoas vivendo uma sexualidade med\u00edocre;<\/li>\n<li>Mulheres que desconhecem o prazer;<\/li>\n<li>Travas sexuais;<\/li>\n<li>Traumas com rela\u00e7\u00e3o ao corpo e autoimagem;<\/li>\n<li>Expectativas irreais sobre o sexo;<\/li>\n<li>Inexperi\u00eancia;<\/li>\n<li>Equ\u00edvocos<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">De quem \u00e9 a culpa?\u00a0 Da sociedade? Dos nossos pais ??Nossos av\u00f3s n\u00e3o sabiam, nossos pais proibiam, n\u00f3s entre erros e acertos, estamos aprendendo. A culpa n\u00e3o \u00e9 de ningu\u00e9m, afinal, somos fruto do nosso contexto cultural. Atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o em sexualidade,temos a oportunidade de transformar uma gera\u00e7\u00e3o cheia de conceitos equivocados sobre a sexualidade, para uma gera\u00e7\u00e3o informada e consciente. Para alcan\u00e7armos isso precisamos aprender a lidar com as diferen\u00e7as, ajustar as expectativas, ser reais e claros com o nosso parceiro, sobretudo ser verdadeiros com a gente mesmo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A educa\u00e7\u00e3o sexual que visa uma proposta emancipat\u00f3ria, tem a finalidade de superar os antigos conceitos e modelos de maneira que se permita compreender a complexidade, a riqueza \u00fanica da sexualidade humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Descubra os seus sentidos, respeite sua verdade. Voc\u00ea merece ter uma vis\u00e3o positiva da sexualidade!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Bruna C. Fernandes &nbsp; Em minha experi\u00eancia cl\u00ednica, sempre que recebo um novo paciente, me deparo com um aspecto comum: pouca ou nenhuma educa\u00e7\u00e3o sobre a sexualidade. E n\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o com informa\u00e7\u00e3o, pois na internet existem in\u00fameros artigos, informa\u00e7\u00f5es e dicas numa linguagem simples e acess\u00edvel. 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