{"id":29760,"date":"2022-07-03T13:53:17","date_gmt":"2022-07-03T16:53:17","guid":{"rendered":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/?p=29760"},"modified":"2022-07-03T13:53:17","modified_gmt":"2022-07-03T16:53:17","slug":"maria-quiteria-heroina-de-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/maria-quiteria-heroina-de-guerra\/","title":{"rendered":"Maria Quit\u00e9ria: hero\u00edna de guerra"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Por Viviane Vidmar<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nMaria Quit\u00e9ria (1792-1853) foi uma hero\u00edna da guerra pela independ\u00eancia do Brasil. Vestida de soldado alistou-se no batalh\u00e3o de \u201cVolunt\u00e1rios do Pr\u00edncipe Dom Pedro\u201d e participou das lutas, na Bahia, ao lado dos patriotas. Foi condecorada com a Ordem Imperial do Cruzeiro do Sul.<br \/>\nMaria Quit\u00e9ria de Jesus nasceu na fazenda Serra da Agulha, na freguesia S\u00e3o Jos\u00e9 (hoje Feira de Santana), na Bahia, no dia 27 de julho de 1792. Era filha do fazendeiro portugu\u00eas Gon\u00e7alo Alves Almeida e de Joana Maria de Jesus.<br \/>\nMaria Quit\u00e9ria n\u00e3o frequentou a escola e preferia ca\u00e7ar em vez de fazer os trabalhos dom\u00e9sticos. Com 10 anos ficou \u00f3rf\u00e3 de m\u00e3e tendo que assumir a casa e cuidar de seus dois irm\u00e3os.<br \/>\nSeu pai casou-se pela segunda vez, mas logo ficou vi\u00favo. Casou-se novamente e teve mais tr\u00eas filhos. Sua nova esposa n\u00e3o apoiava o comportamento independente de Maria Quit\u00e9ria.<br \/>\nCarreira militar<br \/>\nEm setembro de 1822, ap\u00f3s a independ\u00eancia do Brasil ser proclamada, em algumas partes do pa\u00eds, como na Bahia, havia contingentes de tropas e civis que pretendiam continuar fi\u00e9is \u00e0s ordens de Lisboa.<br \/>\nComo a Bahia n\u00e3o possu\u00eda um ex\u00e9rcito estruturado e treinado para enfrentar os portugueses, o Conselho Interino do Governo da Bahia come\u00e7ou a recrutar volunt\u00e1rios para lutar pela consolida\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia.<br \/>\nAo tomar conhecimento do in\u00edcio do alistamento volunt\u00e1rio para o Regimento de Artilharia, Maria Quit\u00e9ria pediu autoriza\u00e7\u00e3o ao pai para lutar ao lado dos patriotas, pois dominava a montaria e sabia manejar armas de fogo, mas seu pedido foi negado.<br \/>\nCom a ajuda de sua irm\u00e3 que lhe emprestou as roupas do marido, Maria Quit\u00e9ria foi para Cachoeira e alistou-se no Regimento de Artilharia, com o nome de seu cunhado, Jos\u00e9 Cordeiro de Medeiros.<br \/>\nAo saber da fuga da filha, seu Gon\u00e7alo localizou a mo\u00e7a que n\u00e3o queria de forma alguma abandonar as armas.\u00a0O\u00a0major Jos\u00e9 Ant\u00f4nio da Silva Castro n\u00e3o permitiu que ela fosse desligada, pois j\u00e1\u00a0era reconhecida pela disciplina militar e pela facilidade de manejar as armas.<br \/>\nA pedido do pai, Maria Quit\u00e9ria foi transferida para a infantaria, pois um fuzil era mais apropriado para uma mulher do que um canh\u00e3o. Ela foi transferida para o batalh\u00e3o denominado \u201cVolunt\u00e1rios do Pr\u00edncipe Dom Pedro\u201d.<br \/>\nAo adotar seu nome verdadeiro, Maria Quit\u00e9ria acrescentou uma saia ao seu uniforme e seguiu com o batalh\u00e3o para v\u00e1rios combates. Participou da defesa da Ilha da Mar\u00e9, da Barra do Paragua\u00e7u, da Pituba e de Itapu\u00e3.<br \/>\nNingu\u00e9m acreditava que aquele soldado entregue \u00e0 luta, arriscando diariamente a vida fosse uma mo\u00e7a. No dia 2 de mar\u00e7o de 1823 como recompensa, Maria Quit\u00e9ria foi promovida a &#8220;cadete&#8221;, recebendo uma espada e os acess\u00f3rios.<br \/>\nNo dia 2 de julho de 1823, com a derrota das tropas portuguesas, quando o \u201cEx\u00e9rcito Pacificador\u201d entrou na cidade de Salvador, Maria Quit\u00e9ria marchava com o seu batalh\u00e3o, sendo saudada e homenageada pela popula\u00e7\u00e3o.<br \/>\nCondecora\u00e7\u00e3o<br \/>\nEm agosto de 1823, quando o \u00faltimo reduto luso foi derrotado e o Brasil se tornou um pa\u00eds unido e independente, de norte a sul, Maria Quit\u00e9ria foi para o Rio de Janeiro onde j\u00e1 se falava da bravura da guerreira baiana.<br \/>\nSua presen\u00e7a na corte causou grande agita\u00e7\u00e3o: seu curioso uniforme militar, cal\u00e7a, saiote de l\u00e3, fardeta, quepe e espada, e o distintivo dos Volunt\u00e1rios, tudo atraia a aten\u00e7\u00e3o dos habitantes da Capital do Imp\u00e9rio.<br \/>\nNo dia 20 de agosto de 1823, no Pal\u00e1cio de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o, o imperador preparava-se para receber a hero\u00edna. Dom Pedro aproximou-se de Maria Quit\u00e9ria e colocou em sua farda azul de golas e punhos verdes, a Medalha da Ordem Imperial do Cruzeiro do Sul.<br \/>\nReformada com o &#8220;soldo de alferes&#8221;, Maria Quit\u00e9ria voltou para a Bahia com uma carta do Imperador, dirigida a seu pai, pedindo que ela fosse perdoada pela desobedi\u00eancia.<br \/>\nCasamento e filha<br \/>\nMorando na fazenda do pai, Maria Quit\u00e9ria resolve se casar com um antigo namorado, um pobre lavrador Gabriel Pereira de Brito, mesmo contra a vontade do pai. O casal teve uma filha, Maria da Concei\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEm 1834 seu pai faleceu e Maria Quit\u00e9ria tentou receber parte da heran\u00e7a deixada por ele, mas com a morosidade da justi\u00e7a, e as disputas com a madrasta, Quit\u00e9ria desistiu do invent\u00e1rio. Ap\u00f3s a morte do marido, ela foi morar em Salvador.<br \/>\nMorte<br \/>\nMaria Quit\u00e9ria viveu seus \u00faltimos anos no anonimato, sofrendo com uma inflama\u00e7\u00e3o no f\u00edgado e quase cega.<br \/>\nMaria Quit\u00e9ria faleceu em Salvador, Bahia, no dia 21 de agosto de 1853. Seu corpo foi sepultado na Igreja Matriz do Sant\u00edssimo Sacramento no bairro de Nazar\u00e9 em Salvador.<\/p>\n<p>Fonte: ebiografia.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Viviane Vidmar Maria Quit\u00e9ria (1792-1853) foi uma hero\u00edna da guerra pela independ\u00eancia do Brasil. Vestida de soldado alistou-se no batalh\u00e3o de \u201cVolunt\u00e1rios do Pr\u00edncipe Dom Pedro\u201d e participou das lutas, na Bahia, ao lado dos patriotas. Foi condecorada com a Ordem Imperial do Cruzeiro do Sul. 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