{"id":30581,"date":"2022-11-06T09:11:09","date_gmt":"2022-11-06T12:11:09","guid":{"rendered":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/?p=30581"},"modified":"2022-11-06T09:13:26","modified_gmt":"2022-11-06T12:13:26","slug":"machado-de-assis-o-homenageado-deste-domingo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/machado-de-assis-o-homenageado-deste-domingo\/","title":{"rendered":"Machado de Assis: o homenageado deste domingo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Por Viviane Vidmar<\/p>\n<h2><b>Machado de Assis<\/b><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Machado de Assis (1839-1908) foi um escritor brasileiro, um dos nomes mais importantes da literatura brasileira do s\u00e9culo XIX. Destacou-se principalmente no romance e no conto, embora tenha escrito cr\u00f4nicas, poesias, cr\u00edtica liter\u00e1ria e pe\u00e7as de teatro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Machado de Assis escreveu nove romances. Os primeiros \u2013 <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Ressurrei\u00e7\u00e3o, A M\u00e3o e a Luva, Helena e Iai\u00e1 Garcia <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">-, apresentam alguns tra\u00e7os rom\u00e2nticos na caracteriza\u00e7\u00e3o dos personagens.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A partir de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, teve in\u00edcio sua fase propriamente realista quando revelou seu incr\u00edvel talento na an\u00e1lise do comportamento humano, descobrindo, por tr\u00e1s dos atos bons e honestos, a vaidade, o ego\u00edsmo e a hipocrisia.<\/span><\/p>\n<h2><span style=\"font-weight: 400;\">Inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia<\/span><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Joaquim Maria Machado de Assis nasceu na Ch\u00e1cara do Livramento no Rio de Janeiro, no dia 21 de junho de 1839. Foi o primeiro filho do mulato Francisco Jos\u00e9 de Assis, um pintor e decorador de paredes, e da imigrante portuguesa Maria Leopoldina.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Machado de Assis passou sua inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia no bairro do Livramento. Seus pais viviam na ch\u00e1cara do falecido senador Bento Barroso Pereira e sua m\u00e3e era a protegida da dona da casa, D. Maria Jos\u00e9 Pereira.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Machado fez seus primeiros estudos na escola p\u00fablica do bairro de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o. Tornou-se amigo do padre Silveira Sarmento, o ajudava nas missas e familiarizava-se com o latim.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Quando tinha dez anos perdeu sua m\u00e3e. Seu pai resolveu sair da ch\u00e1cara e foi morar em S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o com Maria In\u00eas da Silva, s\u00f3 vindo a casar-se em 1854.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Sua madrasta trabalhava como doceira em uma escola e levava o enteado para assistir algumas aulas. \u00c0 noite, Machado ia para uma padaria, local onde aprendia franc\u00eas com o forneiro. \u00c0 luz de velas, Machado lia tudo que passava em suas m\u00e3os e j\u00e1 escrevia suas primeiras poesias.<\/span><\/p>\n<h2><span style=\"font-weight: 400;\">Carreira liter\u00e1ria<\/span><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Em busca de um emprego, com 15 anos, Machado conheceu Francisco de Paula Brito, dono da livraria, do jornal e da tipografia da cidade. No dia 12 de fevereiro de 1855, a \u201cMarmota Fluminense\u201d, jornal editado por Paula Brito, trazia na p\u00e1gina 3, o poema \u201cEla\u201d, de Machado de Assis:<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Dos l\u00e1bios de Querubim<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Eu quisera ouvir um sim<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Para al\u00edvio do cora\u00e7\u00e3o&#8221;&#8230;<\/span><\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Da\u00ed por diante, Machado n\u00e3o parou de escrever na Marmota e de fazer amizades com os pol\u00edticos e literatos, frequentadores da livraria, onde o assunto principal era a poesia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Em 1856, Machadinho, como era conhecido, entrou para a Imprensa Oficial como aprendiz de tip\u00f3grafo, mas al\u00e9m de mau funcion\u00e1rio, escondia-se para ler tudo que lhe interessava.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O diretor decidiu incentivar o jovem e o apresentou a tr\u00eas importantes jornalistas: Francisco Otaviano, Pedro Lu\u00eds e Quintino Bocaiuva.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Otaviano e Pedro dirigiam o Correio-Mercantil e para l\u00e1 foi Machado de Assis, em 1858, como revisor de provas. Colaborava tamb\u00e9m para outros jornais. Estreou como cr\u00edtico teatral na revista \u201cEspelho\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com 20 anos, Machado de Assis j\u00e1 frequentava os c\u00edrculos liter\u00e1rios e jornal\u00edsticos do Rio de Janeiro, capital pol\u00edtica e art\u00edstica do Imp\u00e9rio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Machado de Assis com 20 anos<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Em 1860, Machado de Assis foi chamado por Quintino Bocaiuva para trabalhar na reda\u00e7\u00e3o do \u201cDi\u00e1rio do Rio de Janeiro\u201d. Al\u00e9m de escrever sobre todos os assuntos e manter uma coluna de cr\u00edtica liter\u00e1ria, Machado tornou-se representante do jornal no Senado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Machado tamb\u00e9m escrevia no \u201cJornal das Fam\u00edlias\u201d, onde suas hist\u00f3rias inconsequentes e a\u00e7ucaradas eram lidas nos ser\u00f5es familiares.<\/span><\/p>\n<h2><span style=\"font-weight: 400;\">Primeiro livro de poesias<\/span><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Em 1864, Machado de Assis publicou seu primeiro livro de poesias, Cris\u00e1lidas, uma colet\u00e2nea de seus poemas. O livro foi dedicado a seus pais, Maria Leopoldina e Francisco.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Em 1867, o Imperador concedeu a Machado o grau de &#8220;Cavaleiro da Ordem da Rosa&#8221;, por servi\u00e7os prestados \u00e0s letras nacionais. No dia 8 de abril Machado foi nomeado ajudante do diretor do Di\u00e1rio Oficial, iniciando sua &#8220;carreira burocr\u00e1tica&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Em 1868 ele conheceu Carolina Xavier de Novais, uma portuguesa culta, irm\u00e3 do poeta portugu\u00eas Faustino Xavier de Novais, que lhe revelou os cl\u00e1ssicos lusitanos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">No dia 12 de novembro de 1869, o casamento de Machado e Carolina \u00e9 realizado, tendo como testemunhas, Artur Napole\u00e3o e o Conde de S\u00e3o Mamede, em cuja resid\u00eancia se realizou a cerim\u00f4nia. O casal n\u00e3o teve filhos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Em 1873, ele foi nomeado primeiro oficial da Secretaria do Estado do Minist\u00e9rio da Agricultura. Tr\u00eas anos depois assumiu a chefia da se\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Machado de Assis aos 40 anos<\/span><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Academia Brasileira de Letras<\/span><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O primeiro livro de contos de Machado de Assis, Contos Fluminenses (1870) e seu primeiro romance, Ressurrei\u00e7\u00e3o (1872), sedimentaram a imagem de um escritor que usava muito bem a l\u00edngua portuguesa e que preferia os relatos psicol\u00f3gicos \u00e0s narrativas de a\u00e7\u00e3o constante.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">No dia 30 de janeiro de 1873, a capa do d\u00e9cimo n\u00famero do \u201cArquivo Contempor\u00e2neo\u201d, peri\u00f3dico do Rio de Janeiro, colocou lado a lado as fotos de Jos\u00e9 de Alencar, at\u00e9 ent\u00e3o o maior romancista do Brasil, e a de Machado de Assis.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Machado de Assis se imp\u00f4s, antes mesmo de ter publicado suas obras-primas, como a maior express\u00e3o da literatura brasileira e, sem muita dificuldade, em 1896, fundou com outros intelectuais, a Academia Brasileira de Letras.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Nomeado para a cadeira n.\u00ba 23, tornou-se, em 1897, seu primeiro presidente, cargo que ocupou at\u00e9 sua morte.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na entrada do pr\u00e9dio h\u00e1 uma est\u00e1tua de bronze do escritor. Em sua homenagem, a academia chama-se tamb\u00e9m \u201cCasa de Machado de Assis\u201d.<\/span><\/p>\n<h2><span style=\"font-weight: 400;\">Obra de Machado de Assis<\/span><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Machado de Assis teve uma carreira liter\u00e1ria ininterrupta, produziu de 1855 a 1908. Escreveu poesias, romances, contos, cr\u00f4nicas, cr\u00edticas e pe\u00e7as de teatro. O ponto alto de sua produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria \u00e9 o romance e o conto, onde se observa duas fases:<\/span><\/p>\n<h2><span style=\"font-weight: 400;\">Fase Rom\u00e2ntica \u2013 obras e caracter\u00edsticas<\/span><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A primeira fase das obras de Machado de Assis apresenta-se presa a algum aspecto do \u201cRomantismo\u201d, com uma hist\u00f3ria cheia de mist\u00e9rios, com final feliz ou tr\u00e1gico e uma narrativa linear.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Apresenta tamb\u00e9m tra\u00e7os inovadores, como uma linguagem menos descritiva, menos adjetivada e sem o exagero sentimental. As personagens t\u00eam um comportamento n\u00e3o s\u00f3 movido pelo amor, mas tamb\u00e9m pela ambi\u00e7\u00e3o e pelo interesse. S\u00e3o dessa fase os romances:<\/span><\/p>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Ressurrei\u00e7\u00e3o (1872)<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">A M\u00e3o e a Luva (1874)<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Helena (1876)<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Iai\u00e1 Garcia (1878)<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O Realismo \u2013 obras e caracter\u00edsticas<\/span><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A segunda fase das obras de Machado de Assis inicia-se com Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas (1881), onde retrata a mis\u00e9ria humana, indo at\u00e9 seu \u00faltimo romance, \u201cMemorial de Aires\u201d (1908) &#8211; o livro da saudade, escrito ap\u00f3s a morte de Carolina.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 nesse per\u00edodo que se encontram suas mais ricas cria\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias. Diferente de tudo quanto havia sido escrito no Brasil, Machado inaugura o \u201cRealismo\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O estilo realista de Machado de Assis difere de seus contempor\u00e2neos, porque ele aprofunda-se na an\u00e1lise psicol\u00f3gica dos personagens desvendando a fragilidade existencial na rela\u00e7\u00e3o consigo mesmo e com os outros personagens. S\u00e3o dessa fase os romances:<\/span><\/p>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas (1881)<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Quincas Borba (1891)<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Dom Casmurro (1899)<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Esa\u00fa e Jac\u00f3 (1904)<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Memorial de Aires (1908, seu \u00faltimo romance)<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas<\/span><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Em 1881, Machado de Assis publicou o romance \u201cMem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas\u201d, que marcou o in\u00edcio da fase acentuadamente realista de sua obra. A obra havia sido publicada, no ano anterior, em folhetins na Revista Brasileira.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Em &#8220;Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas&#8221;, o narrador era um defunto que resolveu distrair-se um pouco saindo da monotonia da eternidade escrevendo suas mem\u00f3rias, livre das conven\u00e7\u00f5es sociais, pois est\u00e1 morto.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O narrador fala n\u00e3o s\u00f3 da vida, mas de todos os que com ele conviveram, revelando a hipocrisia das rela\u00e7\u00f5es humanas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Esse romance foi adaptado para o cinema em 2001, sendo considerado o melhor filme do festival de Gramado.<\/span><\/p>\n<h2><span style=\"font-weight: 400;\">Quincas Borba<\/span><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O romance Quincas Borba representa um dos pontos altos da obra de Machado de Assis. \u00c9 rico de vida e subst\u00e2ncia humana.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O her\u00f3i da hist\u00f3ria \u00e9 o modesto professor Rubi\u00e3o, que recebe, em Barbacena, grande heran\u00e7a do falecido Quincas Borba, com a condi\u00e7\u00e3o de cuidar de seu cachorro, tamb\u00e9m chamado Quincas Borba.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Rubi\u00e3o abandona a prov\u00edncia, mudando-se para o Rio de Janeiro, onde \u00e9 enganado e explorado, vindo a enlouquecer e morrer miser\u00e1vel e solit\u00e1rio em sua cidade natal em Barbacena.<\/span><\/p>\n<h2><span style=\"font-weight: 400;\">Dom Casmurro<\/span><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 considerado o ponto culminante de sua fic\u00e7\u00e3o. O tema da obra \u00e9 o adult\u00e9rio relatado pelo pr\u00f3prio marido tra\u00eddo. O romance \u00e9 narrado na 1.\u00aa pessoa do singular, come\u00e7ando com a amizade infantil entre Bentinho e Capitu.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Da afei\u00e7\u00e3o nasce o amor e o casamento. Capitu, como quase todos os tipos machadianos, \u00e9 cheia de vivacidade e ast\u00facia, por\u00e9m dissimulada. Trai o esposo com Escobar, o mais antigo e \u00edntimo amigo do casal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Mais tarde, nasce Ezequiel e as d\u00favidas de Betinho se dissipam. Torna-se um indiv\u00edduo sisudo e casmurro, que vive a rememorar o passado. Quando Escobar morre, Capitu chora diante do cad\u00e1ver, confirmando as suspeitas de Bentinho.<\/span><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">As personagens femininas de Machado de Assis<\/span><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">As grandes \u201cpersonagens femininas\u201d das obras de Machado de Assis ou s\u00e3o ad\u00falteras ou est\u00e3o a ponto de ser como Virg\u00edlia de Mem\u00f3rias P\u00f3stumas que repele Br\u00e1s Cubas quando podia casar-se com ele, mas torna-se sua amante depois que est\u00e1 casada com outro homem mais importante na escala social.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Sofia, protagonista de Quincas Borba, fica no limiar do adult\u00e9rio, tentando o pobre Rubi\u00e3o at\u00e9 lev\u00e1-lo \u00e0 loucura, para tirar dele seu \u00faltimo centavo e assim enriquecer seu esposo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Capitu, sua hero\u00edna mais famosa, personagem de Dom Casmurro, \u00e9 o prot\u00f3tipo de mulher dissimulada, que engana vilmente o marido.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Apenas Fid\u00e9lia, de Memorial de Aires, \u00e9 a mulher honesta e fiel, como seu pr\u00f3prio nome sugere.<\/span><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Contos de Machado de Assis<\/span><\/h2>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Contos Fluminenses (1870)<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Hist\u00f3ria da Meia Noite (1873)<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Pap\u00e9is Avulsos (1882)<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Hist\u00f3rias Sem Data (1884)<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">V\u00e1rias Hist\u00f3rias (1896)<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">P\u00e1ginas Recolhidas (1899)<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Rel\u00edquias da Casa Velha (1906)<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Alguns dos melhores contos \u201crealistas\u201d contidos nesses livros e que abordam os mais diversos temas, s\u00e3o:<\/span><\/p>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Cantigas de Esponsais \u2013 a desesperada busca da express\u00e3o,<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Noites de Almirantes \u2013 an\u00e1lise de uma desilus\u00e3o amorosa,<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Trio em L\u00e1 Menor \u2013 o anseio da perfei\u00e7\u00e3o,<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">O Alienista \u2013 o problema da loucura. Foi adaptado para o cinema em 1970).<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Missa do Galo \u2013 o despertar do adolescente para o amor,<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Teoria do Medalh\u00e3o \u2013 como vencer na vida sem fazer for\u00e7a,<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">O Espelho \u2013 a dualidade da alma humana.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<h2><span style=\"font-weight: 400;\">\u00daltimos anos e morte<\/span><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Em outubro de 1904 morreu sua esposa, Carolina, companheira de 35 anos, que al\u00e9m de revisora de suas obras era tamb\u00e9m sua enfermeira, pois Machado de Assis tinha a sa\u00fade abalada pela epilepsia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Ap\u00f3s a morte da esposa o romancista raramente sa\u00eda de casa. Em homenagem \u00e0 sua amada, escreveu o poema &#8220;\u00c0 Carolina&#8221;:<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c0 Carolina<\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Querida, ao p\u00e9 do leito derradeiro<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Em que descansas dessa longa vida,<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Aqui venho e virei, pobre querida,<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Trazer-te o cora\u00e7\u00e3o do companheiro.<\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiro<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Que, a despeito de toda a humana lida,<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Fez a nossa exist\u00eancia apetecida<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">E num recanto p\u00f4s o mundo inteiro.<\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Trago-te flores, &#8211; restos arrancados<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Da terra que nos viu passar unidos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">E ora mortos nos deixa separados.<\/span><\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">Que eu, se tenho nos olhos malferidos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Pensamentos de vida formulados,<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">S\u00e3o pensamentos idos e vividos.&#8221;<\/span><\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Machado de Assis faleceu no Rio de Janeiro, no dia 29 de setembro de 1908. Em seu vel\u00f3rio, compareceram as maiores personalidades do pa\u00eds. Rui Barbosa, um dos juristas mais aplaudidos da \u00e9poca, fez um discurso de despedida com elogios ao homem e escritor.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Levado em uma carreta do Arsenal de Guerra, s\u00f3 destinada \u00e0s grandes personalidades, um grande cortejo f\u00fanebre saiu da Academia para o cemit\u00e9rio de S\u00e3o Jo\u00e3o Batista, onde foi enterrado.<\/span><\/p>\n<p>Fonte: ebiografia.com<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Viviane Vidmar Machado de Assis &nbsp; Machado de Assis (1839-1908) foi um escritor brasileiro, um dos nomes mais importantes da literatura brasileira do s\u00e9culo XIX. Destacou-se principalmente no romance e no conto, embora tenha escrito cr\u00f4nicas, poesias, cr\u00edtica liter\u00e1ria e pe\u00e7as de teatro. Machado de Assis escreveu nove romances. Os primeiros \u2013 Ressurrei\u00e7\u00e3o, A [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":30582,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[2,138,41],"tags":[],"class_list":["post-30581","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques","category-personalidades","category-ultimasnoticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30581","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30581"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30581\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":30584,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30581\/revisions\/30584"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/30582"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30581"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30581"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30581"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}