{"id":35654,"date":"2024-04-07T09:46:26","date_gmt":"2024-04-07T12:46:26","guid":{"rendered":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/?p=35654"},"modified":"2024-04-07T09:46:26","modified_gmt":"2024-04-07T12:46:26","slug":"o-alemao-ja-esteve-na-minha-familia-e-agora-veio-me-visitar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/o-alemao-ja-esteve-na-minha-familia-e-agora-veio-me-visitar\/","title":{"rendered":"O &#8220;Alem\u00e3o&#8221; j\u00e1 esteve na minha fam\u00edlia, e agora veio me visitar"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Por Paulo Roberto Reis<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Instagram: @psipaulorobertoreis<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Geralmente receber visita \u00e9 considerada uma coisa boa. \u00c9 um modo de manifestar considera\u00e7\u00e3o pela presen\u00e7a de algu\u00e9m. Na nossa cultura, as pessoas costumam ser bastante acolhedoras, sobretudo quando o visitante \u00e9 algu\u00e9m do seu c\u00edrculo familiar ou de amizade. Tem gente que adora fazer uma visitinha surpresa. Nem sempre avisa a dona\/o da casa, e nem sempre \u00e9 uma pessoa conhecida. Seja aquela pessoa estigmatizada chata ou n\u00e3o, a quest\u00e3o \u00e9 que nem sempre desejamos receber visita. Pensando assim, nem toda visita \u00e9 agrad\u00e1vel, principalmente se for uma doen\u00e7a. Essa reflex\u00e3o n\u00e3o \u00e9 sobre pessoas visitadas e visitantes, mas, sim, sobre uma doen\u00e7a chamada Alzheimer, tamb\u00e9m conhecida como Alem\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Doen\u00e7a de Alzheimer (DA) \u00e9 uma das dem\u00eancias neurodegenerativas mais comuns. Em todo o mundo, o n\u00famero chega a 50 milh\u00f5es de pessoas. A partir do crescimento da popula\u00e7\u00e3o idosa, segundo estimativas da Alzheimer\u2019s Disease International, os n\u00fameros poder\u00e3o chegar a 74,7 milh\u00f5es em 2030 e a 131,5 milh\u00f5es em 2050. De acordo com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade (2022), no Brasil, cerca de 1,2 milh\u00e3o de pessoas vivem com algum tipo de dem\u00eancia e 100 mil novos casos s\u00e3o diagnosticados por ano. Na maioria dos casos, os sintomas costumam aparecer a partir dos 60 a 65 anos de idade. Por\u00e9m, \u00e9 uma estimativa m\u00e9dia, j\u00e1 que h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es em que a doen\u00e7a se desenvolve em pessoas com idade inferir aos 60 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nome Alzheimer vem de Aloysius Alzheimer (1864-1915), neuropsiquiatra alem\u00e3o, que foi o primeiro pesquisador a descrever os sintomas da ent\u00e3o doen\u00e7a desconhecida no ano de 1906. Da\u00ed o nome Alzheimer ou popularmente conhecida como Alem\u00e3o, terminologias que fazem refer\u00eancia ao m\u00e9dico que estudou e explanou sobre a patologia. Aloysius ou Alois [como era conhecido na \u00e9poca] fez diversas pesquisas sobre o funcionamento da mente humana, inclusive investigando a esquizofrenia e a depress\u00e3o. O pesquisador era diretor de um asilo em Frankfurt, na Alemanha, e passou a acompanhar um curioso caso de dem\u00eancia que afetava o c\u00f3rtex cerebral. Assim, ao investigar a sua paciente Auguste Deter, Alzheimer pretendia comprovar a exist\u00eancia de \u201cdoen\u00e7as do c\u00e9rebro\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Anos mais tarde, Aloysius conseguiu comprovar as suas hip\u00f3teses em rela\u00e7\u00e3o a ent\u00e3o desconhecida \u201cdoen\u00e7a do c\u00e9rebro\u201d, hoje, conhecida como Doen\u00e7a de Alzheimer. Essa patologia provoca, de modo progressivo, a deteriora\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es cerebrais, incluindo a perda de c\u00e9lulas nervosas. O esquecimento de acontecimentos recentes \u00e9 um dos sinais da doen\u00e7a no seu est\u00e1gio inicial. Entretanto, existem outros preju\u00edzos na vida do indiv\u00edduo, como, confus\u00e3o mental, senso cr\u00edtico comprometido, altera\u00e7\u00f5es na linguagem, concentra\u00e7\u00e3o, aprendizado e incompet\u00eancia psicossocial. Assim, a doen\u00e7a vai criando outros desafios com o passar do tempo. \u00c9 comum que a pessoa apresente, ainda, incontin\u00eancia urin\u00e1ria e fecal, dificuldade para compreender e se expressar [afasia], tremores, movimentos involunt\u00e1rios e outras dificuldades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu, na condi\u00e7\u00e3o de psic\u00f3logo, recebo muitos pacientes diagnosticados com a Doen\u00e7a de Alzheimer. Uma das coisas que mais me chama \u00e0 aten\u00e7\u00e3o no consult\u00f3rio s\u00e3o as altera\u00e7\u00f5es no comportamento e nas emo\u00e7\u00f5es desses indiv\u00edduos. Pois, essa doen\u00e7a provoca mudan\u00e7as significativas na vida di\u00e1ria da pessoa, conduzindo-a para um quadro de desregula\u00e7\u00e3o do sistema ps\u00edquico. N\u00e3o \u00e9 incomum a\u00e7\u00f5es intensas de estresse e ansiedade, que geram ins\u00f4nia, choro, inquieta\u00e7\u00e3o, perambula\u00e7\u00e3o, questionamento repetitivo, diminui\u00e7\u00e3o do prazer, irritabilidade excessiva e agressividade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Determinados pacientes chegam com a informa\u00e7\u00e3o de que algu\u00e9m da fam\u00edlia teve\/tem a \u201cdoen\u00e7a do Alem\u00e3o\u201d, e acreditam que elas tamb\u00e9m ter\u00e3o a mesma doen\u00e7a. Em alguns casos, a pessoa busca ajuda psicol\u00f3gica com a finalidade de aprender a lidar com os sentimentos de medo e ang\u00fastia em rela\u00e7\u00e3o a \u201ccerteza\u201d de que ir\u00e1 desenvolver a dem\u00eancia. Contudo, o fato de ter tido um familiar pr\u00f3ximo com a Doen\u00e7a de Alzheimer n\u00e3o significa a preponder\u00e2ncia dessa gen\u00e9tica nos demais membros familiares. A doen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 heredit\u00e1ria. Esse elemento entra como um fator de risco. Alguns genes podem ser herdados, mas n\u00e3o entram como uma senten\u00e7a predeterminada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma vez ou outra, algu\u00e9m chega e diz: \u201cestou muito esquecida, acho que \u00e9 a doen\u00e7a do Alem\u00e3o\u201d. \u00c9 preciso desmistificar esse estere\u00f3tipo, pois o comprometimento da mem\u00f3ria pode estar associado a v\u00e1rios indicadores, inclusive estresse e fadiga. Logo, o sintoma de esquecimento n\u00e3o significa que o indiv\u00edduo esteja com a Doen\u00e7a de Alzheimer. Embora que no est\u00e1gio inicial da dem\u00eancia, os sintomas podem ser facilmente confundidos com outras doen\u00e7as &#8211; o que dificulta o diagn\u00f3stico. Nesse momento, \u00e9 preciso uma s\u00e9rie de avalia\u00e7\u00f5es e exames.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada vez mais, a psicologia junta-se a tantas outras \u00e1reas do saber, para contribuir com a pessoa em estado de dem\u00eancia. Nesse sentido, a psicoterapia \u00e9 uma ferramenta que pode ser funcional. Por\u00e9m, a psicoterapia para a pessoa com Alzheimer ou qualquer outra dem\u00eancia \u00e9 indicada apenas na fase inicial, quando \u00e9 poss\u00edvel estabelecer v\u00ednculo terap\u00eautico, capaz de trabalhar com as fun\u00e7\u00f5es cognitivas preservadas. Contudo, outras medidas podem ser propostas, tais como: reorganiza\u00e7\u00e3o ambiental, exerc\u00edcios de adapta\u00e7\u00e3o, estimula\u00e7\u00e3o cognitiva, regula\u00e7\u00e3o emocional, treinamento de habilidades sociais, incentivo ao conv\u00edvio social, al\u00e9m de ajudar o paciente a aderir ao tratamento. Nesse caso, vale a m\u00e1xima: cada caso \u00e9 um caso!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O psic\u00f3logo tamb\u00e9m pode oferecer suporte qualificado ao cuidador e demais agentes da rede de apoio do paciente, pois essas pessoas necessitam de cuidados espec\u00edficos, sobretudo para n\u00e3o adoecerem. A ideia principal, aqui, \u00e9 que se voc\u00ea receber a visita do \u201cAlem\u00e3o\u201d tenha informa\u00e7\u00e3o para saber como acolher o visitante indesejado. A Doen\u00e7a de Alzheimer n\u00e3o tem cura, mas tem tratamento. Antes de tudo, na d\u00favida, busque ajuda profissional. De prefer\u00eancia, consulte profissionais de diferentes \u00e1reas. N\u00e3o se esque\u00e7a do psic\u00f3logo!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Texto autoral de Paulo Roberto Reis, mestrando em Estudos de Linguagens (UNEB), graduado em Psicologia (UCSAL), graduado em Teologia (UCSAL), p\u00f3s-graduado em Gerontologia, p\u00f3s-graduado em Terapia Cognitiva-Comportamental, p\u00f3s-graduando em Neuropsicologia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">IMAGEM: Paulo Roberto Reis, Psic\u00f3logo, acervo pessoal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refer\u00eancias<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BREMENKAMP, M. G. et al. Sintomas neuropsiqui\u00e1tricos na doen\u00e7a de Alzheimer: frequ\u00eancia, correla\u00e7\u00e3o e ansiedade do cuidador. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia Brasileira, Rio de Janeiro, v. 17 n. 4, p. 763-773, 2014.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CASTILLO, C. M.; MASCAYANO, F.; ROA, A.; MARAY, F; SERRAINO, L. Implementaci\u00f3n de um programa de estimulaci\u00f3n cognitiva em personas com dem\u00eancia tipo Alzheimer: um Studio piloto em chilenos de la tercera edad. Universidad Psicolog\u00eda, Bogot\u00e1 , v. 12, n. 2, p. 445-455, 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DIAS, E. B. O cuidador da pessoa com doen\u00e7a de Alzheimer: revis\u00e3o de literatura. 2013. 37f. Trabalho de Conclus\u00e3o do Curso em Enfermagem Psiqui\u00e1trica em Sa\u00fade Mental &#8211; Faculdade de Medicina em Mar\u00edlia, S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MAYO CLINIC. Doen\u00e7a de Alzheimer. 2023. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.mayoclinic.org\/diseasesconditions\/alzheimers-disease\/symptoms-causes\/syc-20350447. Acesso em mar\u00e7o de 2023.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PAULINO, A.S.; SILVA, D.D.; QUINTILIO, M.S.V. Doen\u00e7a de Alzheimer em idosos: Atua\u00e7\u00e3o do enfermeiro com o paciente. Rev Inic Cient e Ext. v.5, n.2, p.860-66, 2022.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Paulo Roberto Reis Instagram: @psipaulorobertoreis Geralmente receber visita \u00e9 considerada uma coisa boa. \u00c9 um modo de manifestar considera\u00e7\u00e3o pela presen\u00e7a de algu\u00e9m. Na nossa cultura, as pessoas costumam ser bastante acolhedoras, sobretudo quando o visitante \u00e9 algu\u00e9m do seu c\u00edrculo familiar ou de amizade. Tem gente que adora fazer uma visitinha surpresa. 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