{"id":35713,"date":"2024-04-14T09:19:39","date_gmt":"2024-04-14T12:19:39","guid":{"rendered":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/?p=35713"},"modified":"2024-04-14T10:12:53","modified_gmt":"2024-04-14T13:12:53","slug":"aquilo-que-voce-chama-de-mimimi-pode-ser-a-minha-dor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/aquilo-que-voce-chama-de-mimimi-pode-ser-a-minha-dor\/","title":{"rendered":"Aquilo que voc\u00ea chama de &#8220;Mimimi&#8221; pode ser a minha dor"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Por Paulo Roberto Reis<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Instagram: @psipaulorobertoreis<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00ea j\u00e1 deve ter ouvido ou at\u00e9 mesmo dito a express\u00e3o \u201cmimimi\u201d. Esse termo refere-se a um tipo de comunica\u00e7\u00e3o informal geralmente empregado para pessoas que se queixam da vida. A palavra \u201cmimimi\u201d funciona como uma onomatopeia, que \u00e9 uma figura de linguagem que retrata a imita\u00e7\u00e3o de sons, quer sejam de objetos, de pessoas ou de animais. De um tempo pra c\u00e1, \u201cmimimi\u201d come\u00e7ou a se tornar popular, sobretudo nas redes sociais originando outras express\u00f5es, como, por exemplo, Keep calm and stop mimimi! [tradu\u00e7\u00e3o: Fique calmo e pare com o mimimi!]. Atualmente, a terminologia \u201cmimimi\u201d ingressou em v\u00e1rios cen\u00e1rios, inclusive na escola, no trabalho e na pol\u00edtica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Problematizar a express\u00e3o \u201cmimimi\u201d \u00e9 reconhecer o seu car\u00e1ter poliss\u00eamico, pois o termo oferece diversos sentidos. Poder\u00edamos nos interrogar: o que \u00e9 \u201cmimimi\u201d? Ou, at\u00e9 mesmo, \u201cmimimi\u201d pra quem? No entanto, essa palavra tem sido empregada por muitas pessoas como sin\u00f4nimo de choro. Assim, a nomenclatura \u201cMimimi\u201d pode ser representada de modo pejorativo, pois quando reproduzida para uma determinada pessoa ou grupo de pessoas pode significar uma desaprova\u00e7\u00e3o ou deprecia\u00e7\u00e3o sobre o que ela\/ele est\u00e1 narrando. Quando algu\u00e9m diz: \u201cestou sofrendo muito\u201d, \u201cesse assunto me incomoda\u201d, \u201ceu me sinto muito mal por causa disso\u201d ou \u201cn\u00e3o consigo lidar com esse sofrimento\u201d s\u00e3o express\u00f5es comumente vistas como \u201cmimimi\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A postura de quem classifica uma pessoa de \u201cmimizenta\u201d \u00e9 de um ju\u00edzo bastante cr\u00edtico. Talvez a fala do outro seja exagerada, mas excessos podem performar faltas. E digo mais, excessos podem traduzir dor e sofrimento. A reclama\u00e7\u00e3o ou conjunto de reclama\u00e7\u00f5es pode cumprir a fun\u00e7\u00e3o de frustra\u00e7\u00e3o, insatisfa\u00e7\u00e3o e\/ou sobrecarga mental. Criticar sem conhecer a hist\u00f3ria da pessoa pode ser f\u00e1cil, dif\u00edcil mesmo \u00e9 escutar as suas dores. Obviamente, n\u00e3o \u00e9 saud\u00e1vel ficar apenas reclamando. O reclamante pode estar distorcendo a realidade ao desenvolver padr\u00f5es de generaliza\u00e7\u00e3o de aspectos negativos; acreditando que um acontecimento \u00e9 terr\u00edvel ou insuport\u00e1vel; enfatizando como as coisas deveriam ser ao inv\u00e9s de perceber como s\u00e3o; menosprezando aspectos positivos de si ou dos outros; realizando compara\u00e7\u00f5es injustas; atribuindo tra\u00e7os negativos que englobam a pessoa inteira; ou apenas falando sobre aquilo que lhe d\u00f3i.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, n\u00e3o quero me deter sobre o suposto \u201cmimizento\u201d [reclamante], mas sobre quem define o outro como \u201cmimizento\u201d. Se voc\u00ea \u00e9 essa pessoa que emprega com frequ\u00eancia essa terminologia, pense o seguinte: o que estou chamando de \u201cmimimi\u201d? Observe melhor a narrativa do seu interlocutor. Antes de julgar a pessoa supostamente \u201cmimizenta\u201d como dram\u00e1tica, \u201cfresca\u201d, exagerada ou vitimista, avalie se aquilo que ela est\u00e1 dizendo n\u00e3o \u00e9 a dor dela. Quando algu\u00e9m fala sobre viol\u00eancia de g\u00eanero, exclus\u00e3o da diversidade, racismo, desigualdade social, conflitos familiares, abusos sexuais e tantas outras tem\u00e1ticas retrata a sua dor ou a dor de outras pessoas. Assim, o termo \u201cmimimi\u201d quando empregado nessas situa\u00e7\u00f5es pode ser uma forma de invalidar a dor de outrem ou de um grupo espec\u00edfico da sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A invalida\u00e7\u00e3o emocional \u00e9 um tipo de viol\u00eancia, pois retira do outro o direito de expressar a sua dor. Considerar as emo\u00e7\u00f5es de algu\u00e9m como erradas ou inadequadas \u00e9 uma maneira de ignorar o que ele\/ela est\u00e1 sentindo. Quantas pessoas sofrem diariamente porque as viol\u00eancias s\u00e3o normalizadas? Quantas pessoas sofrem caladas e n\u00e3o buscam ajuda? Quantas pessoas chegam ao consult\u00f3rio de psicologia com transtornos mentais por causa da falta de escuta e acolhimento? Quem normaliza a viol\u00eancia como algo positivo pode desenvolver padr\u00f5es comportamentais de agressividade, como uma repercuss\u00e3o desproporcional aos est\u00edmulos recebidos. Algumas pessoas podem se utilizar da agressividade como instrumento de poder e domina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse aspecto da nossa reflex\u00e3o, a invalida\u00e7\u00e3o emocional pode ser uma forma de se exercer a for\u00e7a sobre o indiv\u00edduo mais fragilizado [aquele que sofre]. Geralmente, \u00e9 algu\u00e9m que exerce sua for\u00e7a para calar uma voz que chora ou grita por socorro. A manuten\u00e7\u00e3o da agressividade desmedida traz problemas, e o seu impacto na sa\u00fade mental de quem \u00e9 considerado \u201cmimizento\u201d pode ser muito nocivo. As altas taxas de suic\u00eddio, depress\u00e3o e ansiedade nos deixam em alerta. Preste aten\u00e7\u00e3o! Aquilo que voc\u00ea chama de \u201cmimimi\u201d pode ser a minha dor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reflex\u00e3o autoral de Paulo Roberto Reis, mestrando em Estudos de Linguagens (UNEB), graduado em Psicologia e Teologia (UCSAL), p\u00f3s-graduado em Gerontologia e Terapia Cognitiva-Comportamental (TCC), e p\u00f3s-graduando em Neuropsicologia. Atua como psic\u00f3logo cl\u00ednico, com foco na sa\u00fade mental da pessoa idosa prestando atendimento online e presencial, psic\u00f3logo das organiza\u00e7\u00f5es e do trabalho e palestrante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refer\u00eancias<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chem, C. M.; Berlim, C. G.; Maia, D. S.; Machado, N. T. P. (2007). Curr\u00edculo Socioafetivo. Col\u00e9gio Israelita Brasileiro: Servi\u00e7o de Psicologia e Orienta\u00e7\u00e3o Educacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Del Prette, Z.; &amp; Del Prette, A. (1999). Psicologia das Habilidades Sociais: Terapia e Educa\u00e7\u00e3o Petr\u00f3polis: Vozes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Del Prette, Z.; &amp; Del Prette, A. (2013). Psicologia das Habilidades Sociais na Inf\u00e2ncia: Teoria e Pr\u00e1tica. Petr\u00f3polis: Voz<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Imagem: Fonte: Google: A cara da &#8220;Mimimi&#8221; do ator Miko Hugles em uma cena do seriado Tr\u00eas \u00e9 demais (Full House).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Paulo Roberto Reis Instagram: @psipaulorobertoreis Voc\u00ea j\u00e1 deve ter ouvido ou at\u00e9 mesmo dito a express\u00e3o \u201cmimimi\u201d. Esse termo refere-se a um tipo de comunica\u00e7\u00e3o informal geralmente empregado para pessoas que se queixam da vida. A palavra \u201cmimimi\u201d funciona como uma onomatopeia, que \u00e9 uma figura de linguagem que retrata a imita\u00e7\u00e3o de sons, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":35715,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[2,38,41],"tags":[],"class_list":["post-35713","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques","category-saude","category-ultimasnoticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35713","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35713"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35713\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":35717,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35713\/revisions\/35717"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35715"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35713"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35713"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35713"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}