{"id":35959,"date":"2024-05-12T09:06:45","date_gmt":"2024-05-12T12:06:45","guid":{"rendered":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/?p=35959"},"modified":"2024-05-12T09:43:12","modified_gmt":"2024-05-12T12:43:12","slug":"os-impactos-na-saude-mental-das-pessoas-e-m-situacao-de-desastres-naturais-como-intervir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/os-impactos-na-saude-mental-das-pessoas-e-m-situacao-de-desastres-naturais-como-intervir\/","title":{"rendered":"Os impactos na sa\u00fade mental das pessoas em situa\u00e7\u00e3o de desastres naturais: como intervir?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Por Dr. Paulo Roberto Reis<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Instagram: @psipaulorobertoreis<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos \u00faltimos dias temos acompanhado a trag\u00e9dia das enchentes que acometeram a popula\u00e7\u00e3o do Rio Grande do Sul. As fortes chuvas que est\u00e3o resultando em dezenas de mortos e milhares de pessoas desalojadas e\/ou desabrigadas t\u00eam gerado grandes impactos sociais, econ\u00f4micos e ambientais. O fen\u00f4meno chamado desastre natural n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o natural assim quando pensamos na falta de investimento em pol\u00edticas p\u00fablicas efetivas para lidar com a quest\u00e3o do clima. Sim, havia muito o que fazer para prevenir, adaptar e responder aos eventos clim\u00e1ticos mais dr\u00e1sticos. Contudo, meu objetivo, aqui, n\u00e3o \u00e9 problematizar a neglig\u00eancia e incompet\u00eancia daqueles que nos governam, mas refletir de que forma podemos intervir para o cuidado com a sa\u00fade mental das v\u00edtimas que est\u00e3o envolvidas nesse desastre e em tantas outras trag\u00e9dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desastre causa preju\u00edzos na sa\u00fade f\u00edsica e mental, porque s\u00e3o eventos desorganizadores e de risco \u00e0 vida humana. Nesse tipo de trag\u00e9dia, o sofrimento ps\u00edquico \u00e9, por vezes, invisibilizado. Geralmente, quem assisti uma situa\u00e7\u00e3o de desastre pensa mais na parte material \u2013 que \u00e9 importante \u2013 do que na sa\u00fade das pessoas. Por\u00e9m, quando uma trag\u00e9dia acontece, o sistema nervoso \u00e9 alterado, e pode provocar uma s\u00e9rie de vulnerabilidades na vida ps\u00edquica do indiv\u00edduo. Nesse momento, a pessoa pode experimentar emo\u00e7\u00f5es intensas de dor, medo, solid\u00e3o, ansiedade, irritabilidade, estresse, desespero e tristeza. Al\u00e9m disso, pode passar, tamb\u00e9m, pela aus\u00eancia de algumas sensa\u00e7\u00f5es, como se estivesse sem energia ou completamente anestesiada diante do sofrimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podem, ainda, surgir, mesmo ap\u00f3s o desastre, essas experi\u00eancias emocionais dualistas e conflitivas, que capturam e somatizam v\u00e1rios sintomas. Assim, em situa\u00e7\u00f5es de trag\u00e9dia, a pessoa pode ter um medo acentuado e desordenado ou um medo paralisante. Cada pessoa vai reagir de uma forma diferente da outra. Diante do caos, algumas pessoas podem lutar e outras podem fugir. Pois, afinal, um desastre assim \u00e9 um est\u00edmulo de perigo. Nesse sentido, o fen\u00f4meno de desastre se torna disruptivo, assim como um trauma. \u00c9 a desorganiza\u00e7\u00e3o daquilo que outrora estava organizado. Bairros e ruas deixam de existir por causa dos alagamentos e deslizamentos de terra e edif\u00edcios. Nessas aloca\u00e7\u00f5es, perdem-se refer\u00eancias, mem\u00f3rias, hist\u00f3rias e pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas perdas podem desencadear \u2013 em algumas pessoas \u2013 o luto, que \u00e9 um processo multifacetado a respeito de uma perda significativa. \u00c9 uma resposta natural cheia de emo\u00e7\u00f5es. Vai muito al\u00e9m da tristeza. Existe nega\u00e7\u00e3o, raiva e tantos outros sentimentos at\u00e9 a aceita\u00e7\u00e3o da perda. Entretanto, para que o luto seja vivenciado de maneira saud\u00e1vel, as pessoas envolvidas nessa situa\u00e7\u00e3o precisam de uma rede de apoio ampla. N\u00e3o estou me referindo apenas aos governos, mas, tamb\u00e9m a toda sociedade. Nessa esteira, a comunidade necessita trabalhar a resili\u00eancia, enquanto capacidade de organiza\u00e7\u00e3o, adapta\u00e7\u00e3o e aprendizagem. Contudo, ningu\u00e9m ser\u00e1 capaz de ser resiliente sem antes reconstruir os seus sentidos de vida. Da\u00ed a necessidade de se oferecer \u00e0s v\u00edtimas escuta e acolhimento, inclusive validando os sentimentos de dor e perda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vale ressaltar, ainda, que situa\u00e7\u00f5es de desastre tendem a agravar o risco de doen\u00e7as j\u00e1 existentes naquela popula\u00e7\u00e3o. Logo, existe a necessidade de se trabalhar nessas localidades com medidas preventivas. Dessa forma, os grupos de risco devem ser identificados e manejados com a\u00e7\u00f5es espec\u00edficas. N\u00e3o d\u00e1, por exemplo, para tratar de pessoas com defici\u00eancia da mesma forma como se cuida de pessoas t\u00edpicas, ou cuidar de pessoas com transtornos depressivos da mesma maneira que se cuida de pessoas hipertensas. H\u00e1 singularidades que precisam ser reconhecidas nessas cat\u00e1strofes. \u00c9 comum que se tratem das pessoas como massas \u2013 o que \u00e9 um equivoco e agravante. Cada indiv\u00edduo vai manifestar necessidades pr\u00f3prias, e vai construir uma rela\u00e7\u00e3o subjetiva com o fen\u00f4meno de desastre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As pessoas v\u00e3o necessitar de um olhar sens\u00edvel \u00e0s realidades todas que se apresentam a elas. O cuidado deve perpassar pelas individualidades e pelas coletividades. Por\u00e9m, as t\u00e9cnicas de enfrentamento que poder\u00e3o ser utilizadas v\u00e3o depender de projetos de gest\u00e3o de risco, onde a comunidade inteira pode se sentir respons\u00e1vel pelo cuidado com a coletividade, especialmente com os mais vulner\u00e1veis. Em situa\u00e7\u00f5es de desastre, o matriciamento, que \u00e9 uma das ferramentas de proposta de interven\u00e7\u00e3o em sa\u00fade numa perspectiva colaborativa de cuidados integrais, pode ser utilizado de modo a apoiar as a\u00e7\u00f5es de atendimento domiciliar, escuta e discuss\u00e3o de estrat\u00e9gias da pr\u00f3pria comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A psicoeduca\u00e7\u00e3o permanente pode ser um outro recurso adequado e necess\u00e1rio quando se trata de sa\u00fade coletiva. Assim sendo, o apoio matricial sair\u00e1 das unidades de sa\u00fade \u2013 como o CAPS \u2013 e entrar\u00e1 numa l\u00f3gica din\u00e2mica e itinerante para atender a todos os indiv\u00edduos em estado de sofrimento. Para al\u00e9m da alimenta\u00e7\u00e3o, \u00e1gua pot\u00e1vel, roupas e abrigos, as popula\u00e7\u00f5es atingidas pelos desastres precisar\u00e3o contar com o apoio de todos os profissionais da sa\u00fade. Diante desse contexto, os profissionais da sa\u00fade mental ter\u00e3o um papel fundamental, para auxiliarem na reconstru\u00e7\u00e3o do bem-estar ps\u00edquico e na promo\u00e7\u00e3o da resili\u00eancia das v\u00edtimas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reflex\u00e3o autoral de Paulo Roberto Santos Reis Soares, mestrando em Estudos de Linguagens (UNEB), graduado em Psicologia e Teologia (UCSAL), p\u00f3s-graduado em Gerontologia e Terapia Cognitiva-Comportamental (TCC), e p\u00f3s-graduando em Neuropsicologia. Atua como psic\u00f3logo cl\u00ednico, com foco na sa\u00fade mental da pessoa idosa prestando atendimento online e presencial; psic\u00f3logo das organiza\u00e7\u00f5es e do trabalho e palestrante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refer\u00eancias<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BATTISTI, Patricia; ASCARI, Tania Maria. CONTRIBUI\u00c7\u00d5ES DA PSICOLOGIA EM SITUA\u00c7\u00d5ES DE DESASTRES: UMA REVIS\u00c3O INTEGRATIVA. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.ensinosuperior.sed.sc.gov.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Patricia-Batisti.pdf Acesso em 10 de maio de 2024.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RAFALOSKI, Alessandra Rossoni Rafaloski; ZEFERINO, Maria Terezinha; FORGEARINI, B\u00e1rbara Aparecida Oliveira; FERNANDES, Gisele Cristina Manfrini; MENEGON, Fabr\u00edcio Augusto. Sa\u00fade mental das pessoas em situa\u00e7\u00e3o de desastre natural sob a \u00f3tica dos trabalhadores envolvidos. SA\u00daDE DEBATE | RIO DE JANEIRO, V. 44, N. ESPECIAL 2, P. 230-241, JULHO 2020. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.scielo.br\/j\/sdeb\/a\/WwM6CrcsqdjXrzSvwpc4VRP\/?format=pdf&amp;lang=pt Acesso em 10 de maio de 2024.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">IMAGEM: Reuters\/Diego Vara. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.infomoney.com.br\/politica\/tragedia-no-rio-grande-do-sul-chuvas-afetam-telecomunicacoes-e-dificultam-resgates\/<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Dr. Paulo Roberto Reis Instagram: @psipaulorobertoreis Nos \u00faltimos dias temos acompanhado a trag\u00e9dia das enchentes que acometeram a popula\u00e7\u00e3o do Rio Grande do Sul. As fortes chuvas que est\u00e3o resultando em dezenas de mortos e milhares de pessoas desalojadas e\/ou desabrigadas t\u00eam gerado grandes impactos sociais, econ\u00f4micos e ambientais. 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