{"id":39941,"date":"2024-11-25T11:15:21","date_gmt":"2024-11-25T14:15:21","guid":{"rendered":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/?p=39941"},"modified":"2024-11-25T11:15:57","modified_gmt":"2024-11-25T14:15:57","slug":"plantas-comestiveis-nao-convencionais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/plantas-comestiveis-nao-convencionais\/","title":{"rendered":"Plantas Comest\u00edveis N\u00e3o Convencionais"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Por Claudimar Nunes<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No mundo dos sentidos, \u00e9 natural que gostamos de apreciar experi\u00eancias que, paradoxalmente, refletem ou estimulam a lembran\u00e7a de momentos passados, que at\u00e9 ent\u00e3o estavam guardados nas mem\u00f3rias afetivas. Portanto, falando de experi\u00eancia e de mem\u00f3ria, creio que seja justo afirmar que alguns est\u00edmulos s\u00e3o gatilhos da mem\u00f3ria e, as outras sim, de fato, s\u00e3o \u201cexperi\u00eancias novas\u201d, se \u00e9 que n\u00e3o estou cometendo um pleonasmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No meu caso, eu acredito que a paix\u00e3o pela gastronomia est\u00e1 sim relacionada \u00e0s minhas mem\u00f3rias afetivas, mas h\u00e1 tamb\u00e9m outra for\u00e7a que se empenha na curiosidade em descobrir novos sabores e aromas. Eu gosto de provar tudo o que \u00e9 poss\u00edvel e comest\u00edvel, at\u00e9 nattou (alimento japon\u00eas feito de soja fermentada).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Certa vez, em Bonito, num passeio com um grupo de turistas, o guia nos mostrou uma palmeira com cachos amarelinhos e disse: \u201ceste \u00e9 o bacuri. Os macacos gostam muito deste coquinho\u201d. Ah! eu n\u00e3o poderia perder a oportunidade! \u201cSe macaco come, por que eu n\u00e3o comeria?\u201d, pensei. J\u00e1 fui logo pegando um coquinho e mordi. N\u00e3o senti um espet\u00e1culo de sabores, mas sim uma cola nos dentes que n\u00e3o se soltava. De todas as formas eu tentava livrar meus dentes da polpa da fruta, e disse ao guia: \u201crapaz, n\u00e3o descola dos dentes\u201d! Foi quando ele repetiu as suas pr\u00f3prias palavras em tom severo: \u201ceu disse que \u00e9 comida de macaco!\u201d&#8230; N\u00e3o precisa dizer que todos ali riram muito. Continuei caminhando junto com o grupo, tentando tirar a massa com os dedos, ent\u00e3o havia outra palmeira igual no caminho. O guia me perguntou se eu ainda queria bacuri, pois havia na palmeira um cacho bem grande de coquinhos amarelos. Eu respondi que n\u00e3o, pois ainda tinha fruta nos dentes, e agradeci. O grupo todo deu gargalhadas!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bem, trazendo a ideia dos alimentos n\u00e3o convencionais, \u00e9 \u00f3bvio que n\u00e3o desprezamos os alimentos que se consolidaram na alimenta\u00e7\u00e3o de pessoas pelo mundo, e respeitamos a cultura de cada regi\u00e3o, at\u00e9 porque elas normalmente se formam na for\u00e7a da necessidade ou da disponibilidade, como \u00e9 o caso dos esquim\u00f3s, que vivem no extremo norte do planeta. Ao abaterem uma foca, eles j\u00e1 dividem entre si o f\u00edgado do animal e comem ainda cru. N\u00e3o \u00e9 apenas uma tradi\u00e7\u00e3o, o f\u00edgado da foca \u00e9 a \u00fanica fonte de vitamina C que aquelas pessoas possuem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, independente destas quest\u00f5es sociais e culturais, no Brasil e talvez em todos os lugares, h\u00e1 uma reserva de plantas que \u201cainda\u201d n\u00e3o temos o h\u00e1bito de servir \u00e0 mesa, e aquelas que talvez tenham sido esquecidas no passar dos anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Observando uma ave que cisca o ch\u00e3o, voc\u00ea j\u00e1 se perguntou como ela distingue o alimento que est\u00e1 misturado \u00e0 areia? E, quem ensinou o cachorrinho a comer grama para ajudar na sua digest\u00e3o? Pois bem, observando esses animais que n\u00e3o frequentam escola, comparados a eles, parece que perdemos uma parte da capacidade de distinguir naturalmente as plantas que se pode consumir e as que n\u00e3o se pode. Por isso, talvez, continuamos restritos ao alimento convencional, na zona de conforto, e comemos o que j\u00e1 conhecemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 pouco tempo, eu tive a prazerosa oportunidade de conhecer o Restaurante Pupu\u2019s Panc Party, em Paraty, e posso dizer &#8211; foi uma das melhores experi\u00eancias que j\u00e1 pude ter. N\u00e3o s\u00f3 gastron\u00f4mica, mas fui agraciado em todos os meus cinco sentidos. N\u00e3o pretendo destacar aqui o ambiente maravilhoso, decorado com obras de arte de muito bom gosto, as instala\u00e7\u00f5es confort\u00e1veis, as m\u00fasicas muito bem escolhidas para o estilo do local e o pre\u00e7o justo de cada prato. Quero focar no aroma que, no ambiente e na comida, remete \u00e0 ess\u00eancia brasileira, e no sabor e textura da comida, que propiciou ao meu paladar uma verdadeira festa. Tudo isso, porque fui despertado do convencional e transportado \u00e0 ideia de olhar para essas plantas com mais dedica\u00e7\u00e3o gastron\u00f4mica. Afinal, o termo \u201cgastronomia\u201d significa exatamente isso, a reorganiza\u00e7\u00e3o do est\u00f4mago que, neste caso, provando dessas plantas, pode-se ter uma verdadeira experi\u00eancia de sabores, texturas e aromas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pratos servidos seguiram uma sequ\u00eancia de rolinhos primavera, poke de peixe defumado e, de sobremesa, pudim de tapioca. Em tudo tinham folhas e flores de capuchinha, trapoeraba, folhas de chuchu, broto de framboesa e diversas outras, combinando, nos pratos, beleza sabores e aromas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 sobre isso que falamos, sobre abrir a mente e o cora\u00e7\u00e3o, para ampliar as possibilidades e vivenciar a vulnerabilidade que proporciona equil\u00edbrio. A gastronomia \u00e9 bastante ampla para permitir experienciar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para voc\u00ea que ama a gastronomia, que tal transformar a sua horta em jardim?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bora conhecer o novo!!!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Claudimar Nunes<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Claudimar Nunes No mundo dos sentidos, \u00e9 natural que gostamos de apreciar experi\u00eancias que, paradoxalmente, refletem ou estimulam a lembran\u00e7a de momentos passados, que at\u00e9 ent\u00e3o estavam guardados nas mem\u00f3rias afetivas. 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