{"id":42379,"date":"2025-05-11T11:26:48","date_gmt":"2025-05-11T14:26:48","guid":{"rendered":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/?p=42379"},"modified":"2025-05-11T11:26:48","modified_gmt":"2025-05-11T14:26:48","slug":"saude-mental-materna-quando-a-mae-se-escuta-toda-a-familia-respira-melhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/saude-mental-materna-quando-a-mae-se-escuta-toda-a-familia-respira-melhor\/","title":{"rendered":"Sa\u00fade Mental Materna: quando a m\u00e3e se escuta, toda a fam\u00edlia respira melhor"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Por Dr. Paulo Roberto Reis&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Psic\u00f3logo Cl\u00ednico<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, a figura materna ocupa um lugar simb\u00f3lico e emocional profundamente enraizado em nossa cultura. A m\u00e3e \u00e9 vista como pilar da fam\u00edlia, guardi\u00e3 dos afetos, sustent\u00e1culo emocional dos filhos e muitas vezes da pr\u00f3pria casa. Desde cedo, somos ensinados a admirar sua for\u00e7a, sua capacidade de doa\u00e7\u00e3o, sua resist\u00eancia ao cansa\u00e7o \u2014 e essa imagem, muitas vezes idealizada, nos faz esquecer que por tr\u00e1s da \u201csupermulher\u201d existe algu\u00e9m real: uma pessoa com limites, dores, desejos e necessidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste Dia das M\u00e3es, mais do que homenagear essa figura com flores, presentes ou palavras bonitas, \u00e9 essencial voltarmos nosso olhar para a sa\u00fade mental materna \u2014 um tema urgente, mas ainda pouco discutido. Afinal, como anda o cora\u00e7\u00e3o da mulher que cuida de tantos outros cora\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A verdade \u00e9 que, mesmo diante de avan\u00e7os nos debates sobre sa\u00fade mental e direitos das mulheres, a maternidade ainda \u00e9 cercada por mitos e cobran\u00e7as. Espera-se que a m\u00e3e esteja sempre dispon\u00edvel, emocionalmente equilibrada, produtiva no trabalho, presente na vida dos filhos, e \u2014 de forma quase invis\u00edvel \u2014 mantenha a estrutura da casa funcionando. A soma dessas exig\u00eancias, muitas vezes silenciosas e normalizadas, resulta em uma sobrecarga f\u00edsica e ps\u00edquica que pode adoecer. N\u00e3o \u00e9 incomum que m\u00e3es relatem sentimentos de culpa por n\u00e3o darem conta de tudo, ansiedade constante, exaust\u00e3o emocional, perda de identidade e at\u00e9 epis\u00f3dios depressivos. Algumas vivem tudo isso em sil\u00eancio, com medo de serem julgadas por \u201creclamarem demais\u201d ou por parecerem \u201cfracas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A psicoterapia surge, nesse contexto, como um espa\u00e7o essencial de escuta, acolhimento e reorganiza\u00e7\u00e3o interna. \u00c9 ali, na confidencialidade e no n\u00e3o-julgamento, que a m\u00e3e pode deixar de ser apenas \u201cm\u00e3e\u201d e voltar a ser tamb\u00e9m \u201cmulher\u201d, \u201cpessoa\u201d, \u201csujeito\u201d. Pode reconhecer suas dores, validar suas emo\u00e7\u00f5es, reencontrar suas pot\u00eancias e, sobretudo, construir uma forma mais saud\u00e1vel de estar no mundo \u2014 consigo mesma e com os outros. A terapia n\u00e3o \u00e9 sobre tornar-se perfeita, mas sobre tornar-se consciente. E essa consci\u00eancia \u00e9 o primeiro passo para quebrar o ciclo da sobrecarga silenciosa que tantas mulheres carregam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cuidar da sa\u00fade mental da m\u00e3e n\u00e3o \u00e9 um luxo, \u00e9 uma necessidade que reverbera em toda a fam\u00edlia. Quando a m\u00e3e est\u00e1 emocionalmente bem, ela n\u00e3o apenas tem mais recursos para lidar com os desafios do dia a dia, como tamb\u00e9m se torna um modelo de autocuidado para os filhos. Crian\u00e7as aprendem, principalmente, pelo exemplo \u2014 e ver a m\u00e3e cuidar de si mesma, colocar limites, respeitar seu tempo e falar sobre sentimentos \u00e9 uma li\u00e7\u00e3o de vida que nenhuma escola ensina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, \u00e9 importante lembrar que sa\u00fade mental materna n\u00e3o se limita ao p\u00f3s-parto ou \u00e0 inf\u00e2ncia dos filhos. M\u00e3es de adolescentes, de jovens adultos e at\u00e9 m\u00e3es cuidadoras de filhos com defici\u00eancia ou em sofrimento ps\u00edquico tamb\u00e9m enfrentam grandes desafios emocionais. Em todos os ciclos da maternidade, o cuidado psicol\u00f3gico \u00e9 v\u00e1lido e necess\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste Dia das M\u00e3es, que tal ampliarmos o nosso conceito de homenagem? Mais do que presentear com objetos, que possamos oferecer escuta, empatia, apoio e incentivo para que cada mulher que materne encontre tempo, espa\u00e7o e suporte para cuidar da pr\u00f3pria sa\u00fade emocional. Que ela saiba que n\u00e3o est\u00e1 sozinha, que n\u00e3o precisa dar conta de tudo, que pedir ajuda \u00e9 um sinal de for\u00e7a \u2014 n\u00e3o de fraqueza \u2014 e que a psicoterapia pode ser uma grande aliada nessa jornada de tantas transforma\u00e7\u00f5es. Porque quando a m\u00e3e se escuta, toda a fam\u00edlia respira melhor. E a sa\u00fade mental dela importa. Sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo Roberto Reis \u00e9 psic\u00f3logo cl\u00ednico especializado em Terapia Cognitivo-Comportamental e idealizador da Longevos Psicologia, uma cl\u00ednica voltada para o cuidado da sa\u00fade mental e longevidade. Graduado em Psicologia pela Universidade Cat\u00f3lica do Salvador (UCSAL), Paulo \u00e9 tamb\u00e9m mestrando em Estudo de Linguagens pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Com uma s\u00f3lida forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, \u00e9 p\u00f3s-graduado em Gerontologia, Terapia Cognitivo-Comportamental e Neuropsicologia. Al\u00e9m de sua pr\u00e1tica cl\u00ednica, Paulo \u00e9 colunista do Portal Som de Papo, onde escreve sobre sa\u00fade mental aos domingos, contribuindo com informa\u00e7\u00f5es e reflex\u00f5es sobre o bem-estar psicol\u00f3gico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Imagem: Psic\u00f3logo Paulo Roberto Reis com a sua m\u00e3e Maria Lu\u00edsa Reis. Fotografia. Cr\u00e9ditos: Karoline Melo\/Retratista @seujeitounico<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Dr. Paulo Roberto Reis&nbsp; Psic\u00f3logo Cl\u00ednico &nbsp; No Brasil, a figura materna ocupa um lugar simb\u00f3lico e emocional profundamente enraizado em nossa cultura. A m\u00e3e \u00e9 vista como pilar da fam\u00edlia, guardi\u00e3 dos afetos, sustent\u00e1culo emocional dos filhos e muitas vezes da pr\u00f3pria casa. 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