{"id":42621,"date":"2025-06-01T10:45:20","date_gmt":"2025-06-01T13:45:20","guid":{"rendered":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/?p=42621"},"modified":"2025-06-01T10:45:20","modified_gmt":"2025-06-01T13:45:20","slug":"quando-o-filho-idealizado-nao-chega-o-caminho-para-pais-de-criancas-atipicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/quando-o-filho-idealizado-nao-chega-o-caminho-para-pais-de-criancas-atipicas\/","title":{"rendered":"Quando o filho idealizado n\u00e3o chega: o caminho para pais de crian\u00e7as at\u00edpicas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Por Dr. Paulo Roberto Reis<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Psic\u00f3logo Cl\u00ednico<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nem sempre \u00e9 f\u00e1cil ser pai ou m\u00e3e. Quando descobrimos que nosso filho \u00e9 diferente do que esper\u00e1vamos \u2014 que tem um desenvolvimento at\u00edpico, seja por um diagn\u00f3stico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), TDAH, defici\u00eancia intelectual ou outra condi\u00e7\u00e3o \u2014 uma ferida silenciosa pode se abrir. Trata-se do luto do filho idealizado, um processo emocional leg\u00edtimo e profundo que raramente \u00e9 reconhecido de forma aberta. Muitos pais se sentem culpados por n\u00e3o conseguirem aceitar imediatamente esse novo caminho, mas \u00e9 fundamental compreender que esse luto n\u00e3o \u00e9 pela crian\u00e7a real, mas pela imagem mental que foi constru\u00edda ao longo do tempo, cheia de sonhos, expectativas e fantasias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu, como psic\u00f3logo cl\u00ednico, costumo acolher em meu consult\u00f3rio pais \u2014 especialmente m\u00e3es \u2014 que vivem essa dor com muita intensidade. \u00c9 um luto n\u00e3o falado, que muitas vezes se mistura com sentimentos de culpa, vergonha, raiva e at\u00e9 rejei\u00e7\u00e3o. O cansa\u00e7o dessas fam\u00edlias \u00e9 real. E ele n\u00e3o se restringe ao corpo. \u00c9 um cansa\u00e7o emocional e ps\u00edquico, muitas vezes agravado pela falta de suporte social, pela aus\u00eancia de rede de apoio, e pela sobrecarga de tarefas. Ainda hoje, muitas m\u00e3es assumem sozinhas o cuidado com os filhos, o acompanhamento terap\u00eautico, as idas a m\u00e9dicos, a media\u00e7\u00e3o escolar \u2014 tudo isso enquanto tentam manter uma rotina funcional, um trabalho, uma casa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa sobrecarga n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 exaustiva \u2014 ela \u00e9 perigosa. Fatores como o burnout materno, transtornos de ansiedade, depress\u00e3o e sentimentos de desesperan\u00e7a s\u00e3o riscos frequentes para esses cuidadores. H\u00e1 m\u00e3es que adoecem profundamente tentando dar conta de tudo sozinhas. E h\u00e1 pais que se afastam emocionalmente, incapazes de lidar com aquilo que n\u00e3o conseguem controlar ou \u201cconsertar\u201d. Por isso, \u00e9 t\u00e3o importante que esses pais se permitam sentir, falar e pedir ajuda. A psicoterapia, nesse contexto, \u00e9 mais do que necess\u00e1ria \u2014 \u00e9 uma forma de reconstru\u00e7\u00e3o subjetiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na psicoterapia, \u00e9 poss\u00edvel elaborar a dor do luto, ressignificar a experi\u00eancia da parentalidade, e reconstruir a rela\u00e7\u00e3o com o filho real \u2014 n\u00e3o mais idealizado, mas poss\u00edvel de ser amado do jeito que \u00e9. Esse processo \u00e9 tamb\u00e9m uma chance de se reconectar com a pr\u00f3pria hist\u00f3ria, entender o peso das expectativas geracionais, culturais e pessoais. Com acolhimento, escuta e cuidado, esses pais se tornam mais conscientes de seus limites, de suas for\u00e7as e, sobretudo, mais dispon\u00edveis emocionalmente para o filho que t\u00eam \u2014 e n\u00e3o para o que imaginaram ter.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ampliar a rede de apoio tamb\u00e9m \u00e9 essencial. Buscar grupos de fam\u00edlias at\u00edpicas, trocar experi\u00eancias com outros cuidadores, conversar com profissionais de confian\u00e7a e, quando poss\u00edvel, envolver escolas, terapeutas e outros adultos no processo, pode aliviar o peso e abrir novas possibilidades. Lembrar que a jornada n\u00e3o precisa \u2014 e n\u00e3o deve \u2014 ser solit\u00e1ria, \u00e9 um passo fundamental no caminho da aceita\u00e7\u00e3o.Aceitar um filho at\u00edpico \u00e9, muitas vezes, um recome\u00e7o. Um amor que precisa nascer de novo \u2014 n\u00e3o do que se sonhou, mas do que se \u00e9. E esse amor, quando nasce da verdade e do acolhimento, pode ser ainda mais forte, mais livre e mais bonito do que o amor idealizado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo Roberto Reis \u00e9 psic\u00f3logo cl\u00ednico especializado em Terapia Cognitivo-Comportamental e idealizador da Longevos Psicologia, uma cl\u00ednica voltada para o cuidado da sa\u00fade mental e longevidade. Graduado em Psicologia pela Universidade Cat\u00f3lica do Salvador (UCSAL), Paulo \u00e9 tamb\u00e9m mestrando em Estudo de Linguagens pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Com uma s\u00f3lida forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, \u00e9 p\u00f3s-graduado em Gerontologia, Terapia Cognitivo-Comportamental e Neuropsicologia. Al\u00e9m de sua pr\u00e1tica cl\u00ednica, Paulo \u00e9 colunista do Portal Som de Papo, onde escreve sobre sa\u00fade mental aos domingos, contribuindo com informa\u00e7\u00f5es e reflex\u00f5es sobre o bem-estar psicol\u00f3gico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">IMAGEM: META IA.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Dr. Paulo Roberto Reis Psic\u00f3logo Cl\u00ednico &nbsp; Nem sempre \u00e9 f\u00e1cil ser pai ou m\u00e3e. Quando descobrimos que nosso filho \u00e9 diferente do que esper\u00e1vamos \u2014 que tem um desenvolvimento at\u00edpico, seja por um diagn\u00f3stico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), TDAH, defici\u00eancia intelectual ou outra condi\u00e7\u00e3o \u2014 uma ferida silenciosa pode se abrir. 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