{"id":43309,"date":"2025-07-25T08:17:50","date_gmt":"2025-07-25T11:17:50","guid":{"rendered":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/?p=43309"},"modified":"2025-07-25T08:17:50","modified_gmt":"2025-07-25T11:17:50","slug":"o-que-a-passagem-de-preta-gil-nos-ensina-sobre-a-morte-e-o-luto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/o-que-a-passagem-de-preta-gil-nos-ensina-sobre-a-morte-e-o-luto\/","title":{"rendered":"O que a Passagem de Preta Gil nos ensina sobre a Morte e o Luto"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Por Dr. Paulo Roberto Reis<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Psic\u00f3logo Cl\u00ednico<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A recente morte de Preta Gil, artista t\u00e3o presente na vida cultural brasileira, nos convida a refletir sobre o impacto que a morte de pessoas p\u00fablicas provoca em n\u00f3s. Ainda que n\u00e3o a conhec\u00eassemos pessoalmente, muitos de n\u00f3s sentimos um vazio, uma dor silenciosa e coletiva. \u00c9 como se partes de nossa hist\u00f3ria tamb\u00e9m fossem levadas com ela. A morte, por mais certa que seja, ainda nos assusta e paralisa. Por isso, falar sobre o luto \u00e9 tamb\u00e9m falar sobre a vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Psicologia, o luto \u00e9 compreendido como um processo natural de adapta\u00e7\u00e3o diante de uma perda significativa. Como afirma Elisabeth K\u00fcbler-Ross (1996), o luto passa por fases como nega\u00e7\u00e3o, raiva, barganha, depress\u00e3o e aceita\u00e7\u00e3o \u2014 embora nem todos percorram esse caminho de forma linear. A perda, sobretudo pela morte, desorganiza nossa estrutura ps\u00edquica e exige de n\u00f3s um \u00e1rduo trabalho de ressignifica\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se trata de &#8220;superar&#8221;, mas de aprender a viver com a aus\u00eancia. Cada hist\u00f3ria de luto \u00e9 \u00fanica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Preta Gil, em seus \u00faltimos meses, viveu com dignidade, afeto e consci\u00eancia. Compartilhou sua vulnerabilidade e sua esperan\u00e7a, sensibilizando milhares de pessoas sobre o valor do tempo presente. A morte dela nos recorda que \u00e9 poss\u00edvel encarar a finitude sem neg\u00e1-la ou romantiz\u00e1-la. Segundo a psic\u00f3loga Maria Helena Franco (2005), falar sobre a morte \u00e9 tamb\u00e9m um modo de cuidar da vida. Quando nos permitimos vivenciar o luto, damos espa\u00e7o \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o emocional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Psicologia do Luto busca acolher o sofrimento ps\u00edquico que emerge ap\u00f3s a perda, favorecendo a express\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es e a reconstru\u00e7\u00e3o do sentido da vida. O sil\u00eancio, muitas vezes imposto socialmente a quem sofre, pode adoecer. Como lembra Colin Murray Parkes (2009), o luto n\u00e3o vivido pode se transformar em dor cr\u00f4nica e at\u00e9 em sintomas f\u00edsicos e emocionais mais graves. Por isso, a escuta qualificada e o apoio psicoterap\u00eautico tornam-se fundamentais nesse percurso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A psicoterapia, nesses casos, n\u00e3o \u00e9 um espa\u00e7o para &#8220;esquecer&#8221; quem se foi, mas para lembrar de maneira saud\u00e1vel. Ela permite que o enlutado elabore suas mem\u00f3rias, dores, culpas e sentimentos ambivalentes. O psicoterapeuta atua como um facilitador do processo, respeitando o tempo subjetivo de cada pessoa. Em especial diante de perdas traum\u00e1ticas ou inesperadas, o acompanhamento psicol\u00f3gico pode prevenir complica\u00e7\u00f5es como transtorno de depress\u00e3o ou isolamento social. Luto tamb\u00e9m \u00e9 quest\u00e3o de sa\u00fade mental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A morte de Preta Gil, com toda sua exposi\u00e7\u00e3o e simbolismo, nos ensina sobre a urg\u00eancia de viver com mais presen\u00e7a e afeto. Ensina tamb\u00e9m que a dor compartilhada pode ser mais leve. Que tenhamos coragem de falar sobre o morrer, de cuidar dos nossos enlutados e de buscar ajuda quando a dor se fizer maior que n\u00f3s. Afinal, como bem disse Rubem Alves: &#8220;o luto \u00e9 o pre\u00e7o que se paga por amar&#8221;. E amar, mesmo diante da perda, ainda \u00e9 o que d\u00e1 sentido \u00e0 vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo Roberto Reis \u00e9 psic\u00f3logo cl\u00ednico especializado em Terapia Cognitivo-Comportamental e idealizador da Longevos Psicologia, uma cl\u00ednica voltada para o cuidado da sa\u00fade mental e longevidade. Graduado em Psicologia pela Universidade Cat\u00f3lica do Salvador (UCSAL), Paulo \u00e9 tamb\u00e9m mestrando em Estudo de Linguagens pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Com uma s\u00f3lida forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, \u00e9 p\u00f3s-graduado em Gerontologia, Terapia Cognitivo-Comportamental e Neuropsicologia. Al\u00e9m de sua pr\u00e1tica cl\u00ednica, Paulo \u00e9 colunista do Portal Som de Papo, onde escreve sobre sa\u00fade mental aos domingos, contribuindo com informa\u00e7\u00f5es e reflex\u00f5es sobre o bem-estar psicol\u00f3gico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">REFER\u00caNCIAS<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FRANCO, Maria Helena Pereira. Viv\u00eancias do luto. 2. ed. S\u00e3o Paulo: Summus, 2005.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">K\u00dcBLER-ROSS, Elisabeth. Sobre a morte e o morrer: o que os doentes terminais t\u00eam para ensinar a m\u00e9dicos, enfermeiras, religiosos e aos seus pr\u00f3prios parentes. 9. ed. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 1996.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PARKES, Colin Murray. Luto: estudos sobre a perda na vida adulta. 2. ed. S\u00e3o Paulo: Summus, 2009.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Imagem: Preta Gil. Reprodu\u00e7\u00e3o Instagram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Dr. Paulo Roberto Reis Psic\u00f3logo Cl\u00ednico &nbsp; A recente morte de Preta Gil, artista t\u00e3o presente na vida cultural brasileira, nos convida a refletir sobre o impacto que a morte de pessoas p\u00fablicas provoca em n\u00f3s. 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