{"id":43446,"date":"2025-08-07T09:51:57","date_gmt":"2025-08-07T12:51:57","guid":{"rendered":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/?p=43446"},"modified":"2025-08-07T10:22:15","modified_gmt":"2025-08-07T13:22:15","slug":"paulo-silvino-um-dos-talentos-do-zorra-total","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/paulo-silvino-um-dos-talentos-do-zorra-total\/","title":{"rendered":"Paulo Silvino: um dos talentos do &#8220;Zorra Total&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Por Teo Gelson&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Humorista, cantor e escritor, Paulo Silvino nasceu no Rio de Janeiro. Na Globo, estreou em 1966. Brilhou em humor\u00edsticos, como &#8216;Fa\u00e7a Humor, N\u00e3o Fa\u00e7a Guerra&#8217; (1970), &#8216;Satiricom&#8217; (1973), &#8216;Planeta dos Homens&#8217; (1976) e &#8216;Zorra Total&#8217; (1999). Morreu em 2017, aos 78 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo Ricardo Campos Silvino esteve desde sempre familiarizado com o meio art\u00edstico. Filho do humorista Silv\u00e9rio Silvino Neto e da professora de m\u00fasica e pianista No\u00eamia Campos &#8220;Naja&#8221; Silvino, cresceu em meio aos artistas que, anos mais tarde, viriam a se tornar seus colegas de profiss\u00e3o. Pisou num palco pela primeira vez aos nove anos de idade, quando se atreveu a soprar as falas para um ator de uma pe\u00e7a que o pai participava. Na adolesc\u00eancia, ele se apresentava como crooner de um conjunto de rock, acompanhado por m\u00fasicos como Eumir Deodato (acordeon), Durval Ferreira (guitarra) e Fernando Costa (bateria).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sua verve c\u00f4mica j\u00e1 se manifestava durante os n\u00fameros do quarteto. Quando cantava &#8216;Singin\u2019 in the Rain&#8217;, por exemplo, costumava abrir um guarda-chuva no palco. A primeira performance profissional aconteceu em 1956. Anunciado como Paulo Ricardo, para evitar associa\u00e7\u00f5es com o pai, cantou dois sucessos de Little Richards para a plateia do &#8216;Programa C\u00e9sar de Alencar&#8217;, na R\u00e1dio Nacional. Durante a apresenta\u00e7\u00e3o, rasgou as pr\u00f3prias roupas e, apoteoticamente, comeu o medalh\u00e3o de \u201couro\u201d que estava usando, na verdade, um biscoito pintado de amarelo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o nome de Dickson Savana, em 1958, apresentou-se junto com Erasmo Carlos e Eumir Deodato no &#8216;Clube do Rock&#8217;, programa comandado por Carlos Imperial na TV Tupi. No ano seguinte, agora sob a alcunha de Silvino J\u00fanior, comp\u00f4s e cantou a maioria das can\u00e7\u00f5es do disco &#8216;Nova Gera\u00e7\u00e3o em Ritmo de Samba&#8217;, gravado com os amigos Altamiro Carrilho, Durval Ferreira e Eumir Deodato. At\u00e9 o in\u00edcio dos anos 1960, gravou com v\u00e1rios outros artistas, como o cantor S\u00edlvio C\u00e9sar e os conjuntos Tamba Trio e Os Cariocas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1962, incentivado pelo amigo Gl\u00e1ucio Gil, Paulo Silvino escreveu um espet\u00e1culo teatral baseado na letra de Anjinho Bossa Nova, m\u00fasica que havia composto e gravado naquele ano com Os Cariocas. Com um elenco formado por amigos de inf\u00e2ncia e cen\u00e1rios emprestados de um espet\u00e1culo de Dercy Gon\u00e7alves, a pe\u00e7a foi um sucesso e marcou sua estreia como ator. Em 1963, &#8216;Anjinho Bossa Nova&#8217; ganhou montagem profissional produzida por Fernando D\u2019\u00c1villa. Elogiado pela cr\u00edtica como revela\u00e7\u00e3o do teatro, Paulo Silvino atuou ao lado de Augusto C\u00e9sar Vannucci e Brigitte Blair.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo Silvino acha que entrou na televis\u00e3o por acaso, apenas porque tinha facilidade com humor e n\u00e3o se acanhava diante das c\u00e2meras. \u201cSer comediante nasceu por acaso. Talvez seja pela minha desfa\u00e7atez, porque eu nunca tive inibi\u00e7\u00e3o de m\u00e1quina. Tenho tranquilidade com a c\u00e2mera e tive vantagem em televis\u00e3o por isso. O riso dos cinegrafistas \u00e9 o meu term\u00f4metro\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A carreira na televis\u00e3o come\u00e7ou na TV Rio, em 1965, como apresentador do programa &#8216;K Louros e Morenos&#8217;, uma cria\u00e7\u00e3o sua em que os participantes escolhiam o que iam cantar, mas s\u00f3 ficavam sabendo como seria a apresenta\u00e7\u00e3o na hora, por sorteio. O calouro podia, por exemplo, ser obrigado a cantar sua vers\u00e3o para Chega de Saudade, de Jo\u00e3o Gilberto, vestido de urso enquanto subia e descia uma escada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em setembro de 1966, Paulo Silvino fez sua estreia na Globo, apresentando o &#8216;Canal 0&#8217;, humor\u00edstico de meia-hora de dura\u00e7\u00e3o que satirizava a programa\u00e7\u00e3o das emissoras de TV. No in\u00edcio de 1967, a atra\u00e7\u00e3o passou a se chamar &#8216;TV0-Canal 0&#8217;. Em abril daquele ano, a emissora estreou o &#8216;TV1-Canal \u00bd&#8217; , programa similar, apresentado por Agildo Ribeiro. Em julho, houve a fus\u00e3o dos dois programas, e os dois comediantes passaram a apresentar juntos o &#8216;TV0-TV1&#8217;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1967, Paulo Silvino foi para a TV Excelsior, onde trabalhou no humor\u00edstico &#8216;Hotel do Porteiro Doido&#8217;, ao lado de comediantes como Castrinho, Consuelo Leandro, Renato C\u00f4rte Real, Ti\u00e3o Macal\u00e9 e Otelo Zeloni. Em 1968, voltou \u00e0 Globo e, durante tr\u00eas meses, apresentou o programa de variedades &#8216;Porque Hoje \u00e9 S\u00e1bado&#8217;, ao lado de L\u00facio Mauro, Grande Otelo e Dircinha Batista. No ano seguinte, integrou o elenco da primeira vers\u00e3o do humor\u00edstico &#8216;Balan\u00e7a Mas N\u00e3o Cai&#8217;, com dire\u00e7\u00e3o de Augusto C\u00e9sar Vannucci. Ao Mem\u00f3ria Globo ele revela que &#8216;Balan\u00e7a Mais N\u00e3o Cai&#8217;, de que era apresentador, foi um de seus trabalhos favoritos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na d\u00e9cada de 1970, o comediante trabalhou nos programas &#8216;Fa\u00e7a Humor, N\u00e3o Fa\u00e7a Guerra&#8217; (1970), &#8216;Uau, a Companhia&#8217; (1972), &#8216;Satiricom&#8217; (1973) e &#8216;Planeta dos Homens&#8217; (1976). Deixou sua marca como int\u00e9rprete de personagens lun\u00e1ticos e criou bord\u00f5es absurdos como \u201cAh, eu preciso tanto!\u201d, \u201cEu gosto muito dessas coisas!\u201d, \u201cGuenta! Ele guenta!\u201d, \u201cAh, a\u00ed tem!\u201d e \u201cD\u00e1 uma pegadinha!\u201d.O humorista relembra: \u201cO Satiricom era a s\u00e1tira da comunica\u00e7\u00e3o. Depois, tivemos o Satiricom, a \u2018s\u00e1tira do comportamento humano\u2019; depois, houve aquele filme o &#8216;Planeta dos Macacos&#8217;, e o Max Nunes veio com a ideia: \u2018Agora, o terceiro ano vai ser o &#8216;Satiricom, a s\u00e1tira do Planeta dos Homens\u2019. Mas o Boni [Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio de Oliveira Sobrinho] n\u00e3o quis mais continuar com &#8216;Satiricom&#8217; no nome e virou s\u00f3 &#8216;Planeta dos Homens&#8217;\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1977, Paulo Silvino fez uma participa\u00e7\u00e3o em um epis\u00f3dio do &#8216;S\u00edtio do Picapau Amarelo&#8217; como Merlin, o mago da lenda do Rei Arthur. No ano seguinte, trabalhou na novela &#8216;O Pulo do Gato&#8217;, escrita por Br\u00e1ulio Pedroso e dirigida por Jardel Mello, fazendo a chamada para as cenas dos pr\u00f3ximos cap\u00edtulos com uma narra\u00e7\u00e3o ao estilo radiof\u00f4nico. No final da novela, fez uma participa\u00e7\u00e3o em cena representando a figura do Destino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre 1981 e 1987, trabalhou no programa &#8216;Viva o Gordo&#8217; (1981), estrelado por J\u00f4 Soares. Em 1983, fez parte do humor\u00edstico &#8216;A Festa \u00e9 Nossa&#8217;, dirigido por L\u00facio Mauro, e ganhou o papel do Louco Vampiro em &#8216;O Inspetor Geral&#8217;, epis\u00f3dio do &#8216;Caso Especial&#8217; escrito por Doc Comparato e Bernardo Carvalho, com Luc\u00e9lia Santos, Carlos Vereza, Gracindo Jr., Jos\u00e9 Vasconcellos e Maur\u00edcio do Valle.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a sa\u00edda de J\u00f4 Soares da Globo em 1989, Paulo Silvino trabalhou durante um breve per\u00edodo como redator do &#8216;Doming\u00e3o do Faust\u00e3o&#8217;. Em 1990, foi para o SBT para apresentar o &#8216;Condom\u00ednio Brasil&#8217;, programa escrito por Max Nunes que, no entanto, n\u00e3o chegou a estrear. O comediante passou, ent\u00e3o, a integrar o elenco de &#8216;A Pra\u00e7a \u00e9 Nossa&#8217; e da &#8216;Escolinha do Golias&#8217;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1999, passou a atuar no &#8216;Zorra Total&#8217;, humor\u00edstico dirigido por Maur\u00edcio Sherman. Entre os v\u00e1rios tipos que j\u00e1 interpretou no programa, um dos mais famosos era Severino, porteiro da Globo que estava sempre em dificuldades por servir de quebra-galhos para um diretor. Um dos bord\u00f5es do personagem \u2013 \u201cMeu neg\u00f3cio \u00e9 conferir a cara e o crach\u00e1\u201d \u2013 fez tanto sucesso que ele virou s\u00edmbolo de uma campanha interna da emissora sobre a import\u00e2ncia do uso do crach\u00e1 pelos funcion\u00e1rios. Outros personagens de sucesso foram Lobichomen e Teseu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2015, o &#8216;Zorra Total&#8217; passou por uma reformula\u00e7\u00e3o, transformando-se em um humor\u00edstico que destaca, entre outros elementos, a par\u00f3dia musical. Paulo Silvino permaneceu no elenco de &#8216;Zorra&#8217;, nome do programa ap\u00f3s a reformula\u00e7\u00e3o, e que esteve no ar at\u00e9 2020. Nessa nova fase, o humor\u00edstico passou a ser escrito por Marcius Melhem, Celso Taddei e Gabriela Amaral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cinema<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No cinema, Paulo Silvino trabalhou tanto como ator quanto como roteirista. Em muitos casos, cumpriu as duas fun\u00e7\u00f5es: como em &#8216;Ascens\u00e3o e Queda de um Paquera&#8217; (1970), &#8216;Caf\u00e9 na Cama&#8217; (1973), &#8216;Com a Cama na Cabe\u00e7a&#8217; (1972), &#8216;Um Var\u00e3o Entre as Mulheres&#8217; (1974), &#8216;O Padre que Queria Pecar&#8217; (1975), &#8216;A Mulata que Queria Pecar&#8217; (1977), &#8216;Assim Era a Pornochanchada&#8217; (1978), &#8216;Os Melhores Momentos da Pornochanchada&#8217; (1978) e &#8216;Um Marciano em Minha Cama&#8217; (1981). Tamb\u00e9m fazem parte de sua carreira no cinema atua\u00e7\u00f5es em &#8216;Sherlock de Araque&#8217; (1957), &#8216;Minha Sogra \u00e9 da Pol\u00edcia&#8217; (1958), &#8216;O Rei da Pilantragem&#8217; (1968) e &#8216;Um Edif\u00edcio Chamado 200&#8217; (1973). Paulo Silvino tamb\u00e9m atuou nos filmes &#8216;R\u00e1dio Nacional&#8217; (2011), &#8216;Muita Calma Nessa Hora 2&#8217; (2013) e &#8216;At\u00e9 que a Sorte nos Separe 3&#8217; (2015).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: https:\/\/memoriaglobo.globo.com\/<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Teo Gelson&nbsp; Humorista, cantor e escritor, Paulo Silvino nasceu no Rio de Janeiro. Na Globo, estreou em 1966. Brilhou em humor\u00edsticos, como &#8216;Fa\u00e7a Humor, N\u00e3o Fa\u00e7a Guerra&#8217; (1970), &#8216;Satiricom&#8217; (1973), &#8216;Planeta dos Homens&#8217; (1976) e &#8216;Zorra Total&#8217; (1999). Morreu em 2017, aos 78 anos. 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