{"id":45053,"date":"2025-11-05T07:33:31","date_gmt":"2025-11-05T10:33:31","guid":{"rendered":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/?p=45053"},"modified":"2025-11-05T07:33:31","modified_gmt":"2025-11-05T10:33:31","slug":"licenciamento-ambiental-na-cop30-transparencia-em-falta-e-prioridade-em-risco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/licenciamento-ambiental-na-cop30-transparencia-em-falta-e-prioridade-em-risco\/","title":{"rendered":"Licenciamento Ambiental na COP30: Transpar\u00eancia em Falta e Prioridade em Risco"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Por Andr\u00e9 Henrique&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando o Brasil apresentou a candidatura de Bel\u00e9m para sediar a COP30, a expectativa era clara: colocar a Amaz\u00f4nia no centro do debate clim\u00e1tico global e demonstrar compromisso ambiental. Entretanto, \u00e0 medida que as obras de prepara\u00e7\u00e3o da confer\u00eancia avan\u00e7am, surge um outro cen\u00e1rio, o de uma profunda lacuna de informa\u00e7\u00f5es sobre o licenciamento ambiental e a execu\u00e7\u00e3o dos grandes projetos de infraestrutura. Essa falha n\u00e3o \u00e9 apenas t\u00e9cnica: coloca em risco a credibilidade do evento, de quem o organiza e dos compromissos ambientais que pretende defender.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Falhas de Transpar\u00eancia em N\u00fameros<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma an\u00e1lise da Transpar\u00eancia Internacional, Brasil aponta que, das 23 obras de infraestrutura avaliadas, totalizando R$ 2,8 bilh\u00f5es em recursos federais, do BNDES e da Itaipu, nenhum dos tr\u00eas n\u00edveis de governo (Uni\u00e3o, Estado do Par\u00e1 e Prefeitura de Bel\u00e9m) publicou informa\u00e7\u00f5es completas sobre licen\u00e7as ambientais, contratos e conv\u00eanios. Em outra verifica\u00e7\u00e3o, foi constatado que das 22 obras do governo paraense, apenas uma divulgou licen\u00e7a ambiental vigente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esses dados revelam que, embora os discursos estejam repletos de sustentabilidade e compromisso clim\u00e1tico, a execu\u00e7\u00e3o est\u00e1 marcada por sil\u00eancio institucional quando se trata de disponibilizar os instrumentos b\u00e1sicos de controle social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por que o Licenciamento Ambiental Importa?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O licenciamento ambiental n\u00e3o \u00e9 mero formalismo: ele representa o mecanismo pelo qual se avalia, regula, mitiga e monitora impactos antes, durante e depois de empreendimentos significativos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2022 Ele exige estudos t\u00e9cnicos (como EIA\/RIMA), audi\u00eancias p\u00fablicas, participa\u00e7\u00e3o social e divulga\u00e7\u00e3o de resultados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2022 Garante que obras ocorram com transpar\u00eancia, respeito aos direitos das comunidades tradicionais, preserva\u00e7\u00e3o da fauna, da flora e dos ecossistemas vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2022 Fornece \u00e0 sociedade e aos \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o dados concretos para acompanhar o impacto, algo cr\u00edtico em projetos com potencial de causar danos irrevers\u00edveis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No contexto da COP30, sediar a maior confer\u00eancia clim\u00e1tica do mundo no Brasil \u00e9 simb\u00f3lico apenas se o processo estiver alinhado com os princ\u00edpios que a confer\u00eancia defende: inclus\u00e3o, participa\u00e7\u00e3o, transpar\u00eancia e prote\u00e7\u00e3o ambiental genu\u00edna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Problema em Bel\u00e9m: Contradi\u00e7\u00f5es e Riscos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A falta de transpar\u00eancia registrada nas obras para a COP30 revela tr\u00eas riscos imediatos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1. Fragiliza\u00e7\u00e3o da prote\u00e7\u00e3o ambiental<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem acesso p\u00fablico aos dados de licenciamento, n\u00e3o se sabe quais medidas de mitiga\u00e7\u00e3o ou compensa\u00e7\u00e3o foram exigidas, se existem estudos atualizados ou se a fiscaliza\u00e7\u00e3o est\u00e1 de fato acontecendo. Tal omiss\u00e3o favorece o \u201clicenciamento por ocorrido\u201d, ou \u201clicen\u00e7as corretivas\u201d quando se realiza a obra e depois tenta-se justificar a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2. Desmonte da participa\u00e7\u00e3o social<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A aus\u00eancia de informa\u00e7\u00f5es sobre audi\u00eancias p\u00fablicas ou consultas populares, apontada no levantamento da Transpar\u00eancia Internacional. Sem essa participa\u00e7\u00e3o, o processo reduz-se a decis\u00f5es t\u00e9cnicas ou pol\u00edticas que ignoram comunidades vulner\u00e1veis, sobretudo em uma regi\u00e3o sens\u00edvel como a Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3. Credibilidade comprometida para a COP30<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Brasil assume papel de lideran\u00e7a clim\u00e1tica ao sediar a COP30, mas, ao mesmo tempo, prepara obras sem a transpar\u00eancia m\u00ednima. Essa contradi\u00e7\u00e3o fragiliza negocia\u00e7\u00f5es internacionais, coloca em xeque compromissos de financiamento clim\u00e1tico e mina a confian\u00e7a global.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma Agenda para Recuperar a Transpar\u00eancia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para que o licenciamento ambiental das obras da COP30 seja leg\u00edtimo e eficaz, \u00e9 fundamental que sejam adotadas medidas urgentes:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2022 Publica\u00e7\u00e3o de licen\u00e7as ambientais completas, com data, validade, condicionantes, medidas mitigadoras e respons\u00e1veis t\u00e9cnicos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2022 Divulga\u00e7\u00e3o em formato aberto (abertos para an\u00e1lise automatizada) de contratos, conv\u00eanios e valores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2022 Relat\u00f3rio p\u00fablico de audi\u00eancias e consultas \u00e0s comunidades locais, ribeirinhas e ind\u00edgenas, que habitam o entorno da capital paraense.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2022 Monitoramento em tempo real da execu\u00e7\u00e3o das obras sob enfoque ambiental, social e econ\u00f4mico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2022 Participa\u00e7\u00e3o independente da sociedade civil no acompanhamento dos resultados, seja por ONGs, universidades ou observat\u00f3rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conclus\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A COP30 pode ser um marco para a a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, ou pode servir como exemplo de incoer\u00eancia. Se as obras de infraestrutura que antecedem o evento forem conduzidas com transpar\u00eancia, planejamento e respeito \u00e0s normas ambientais, o Brasil mostrar\u00e1 um lideran\u00e7a real. Se continuarem escondidas sob a cortina de \u201curg\u00eancia de obra\u201d, o resultado ser\u00e1 uma ferida adicional na Amaz\u00f4nia e um legado de descr\u00e9dito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O licenciamento ambiental n\u00e3o \u00e9 um obst\u00e1culo ao desenvolvimento, \u00e9 a garantia de que esse desenvolvimento seja sustent\u00e1vel. E quando se fala de Amaz\u00f4nia, de R$ 2,8 bilh\u00f5es em obras, de eventos clim\u00e1ticos globais e direitos de popula\u00e7\u00f5es tradicionais, a transpar\u00eancia n\u00e3o \u00e9 opcional: \u00e9 obriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se voc\u00ea deseja aprender mais sobre como iniciar na \u00e1rea ambiental e fazer a diferen\u00e7a no mercado de trabalho, confira o eBook &#8220;Como Iniciar sua Consultoria Ambiental&#8221; dispon\u00edvel na Hotmart. Com ele, voc\u00ea ter\u00e1 um guia pr\u00e1tico para iniciar nas carreiras ambientais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Andr\u00e9 Henrique de Rezende Almeida<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">@BIOLOGOANDREHENRIQUE<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bi\u00f3logo CRBIO 02: 60.945<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Engenheiro Ambiental CREA: ES-055476\/D<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Andr\u00e9 Henrique&nbsp; Quando o Brasil apresentou a candidatura de Bel\u00e9m para sediar a COP30, a expectativa era clara: colocar a Amaz\u00f4nia no centro do debate clim\u00e1tico global e demonstrar compromisso ambiental. 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