{"id":45794,"date":"2025-12-18T09:28:19","date_gmt":"2025-12-18T12:28:19","guid":{"rendered":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/?p=45794"},"modified":"2025-12-18T09:28:19","modified_gmt":"2025-12-18T12:28:19","slug":"roque-santeiro-uma-telenovela-inesquecivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/roque-santeiro-uma-telenovela-inesquecivel\/","title":{"rendered":"Roque Santeiro: uma telenovela inesquec\u00edvel"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Por Teo Gelson&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Asa Branca, uma cidadezinha perdida no interior do Brasil, vive em fun\u00e7\u00e3o de um m\u00e1rtir, um santo milagreiro. Por l\u00e1, todos conhecem a hist\u00f3ria de Roque, coroinha e artes\u00e3o de imagens de barro que morreu defendendo o munic\u00edpio do ataque do bandido Navalhada (Oswaldo Loureiro). Depois disso, uma menina doente diz que teve uma vis\u00e3o com Roque e ficou curada. A partir da\u00ed, outros supostos milagres passam a ser atribu\u00eddos a ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fama de Roque Santeiro se espalha, atraindo romeiros e curiosos. A economia, a pol\u00edtica e os costumes da popula\u00e7\u00e3o de Asa Branca giram em torno desse cidad\u00e3o ilustre, que ganha, inclusive, uma est\u00e1tua na pra\u00e7a central. Por tr\u00e1s de todo mito, no entanto, h\u00e1 sempre a verdade: o ex-coroinha n\u00e3o tem nada de santo. Roque (Jos\u00e9 Wilker) aparece vivo depois de ter fugido com o dinheiro da igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse retorno \u00e9 visto, especialmente pelos poderosos, como uma amea\u00e7a ao que foi constru\u00eddo na cidade. O coronel Sinhozinho Malta (Lima Duarte) e a Vi\u00fava Porcina (Regina Duarte), que ficou famosa por se apresentar como esposa do falecido sem nunca t\u00ea-lo conhecido, diga-se de passagem, escondem a verdade sobre o falso m\u00e1rtir para se manterem relevantes. Outros descobrem o segredo e nem todos concordam com a sustenta\u00e7\u00e3o da mentira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A explora\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f4mica de um mito sustentado pela f\u00e9 popular \u00e9 a tem\u00e1tica que conduz \u201cRoque Santeiro\u201d, uma das novelas mais emblem\u00e1ticas da televis\u00e3o brasileira que, nesta segunda-feira (21), passa a fazer parte do cat\u00e1logo do Globoplay.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 hoje apontado como um dos melhores do g\u00eanero, o folhetim fez sucesso por conta dos dilemas criados a partir da constru\u00e7\u00e3o e adora\u00e7\u00e3o de um her\u00f3i, al\u00e9m, \u00e9 claro, dos personagens inspirados que povoavam Asa Branca, um lugar de sotaques misturados, falhas e muita f\u00e9<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cRoque Santeiro\u201d \u00e9 inspirada na pe\u00e7a teatral \u201cO Ber\u00e7o do Her\u00f3i\u201d, escrita por Dias Gomes. No espet\u00e1culo, o personagem central \u00e9 Cabo Jorge, um pracinha da For\u00e7a Expedicion\u00e1ria Brasileira que \u00e9 dado como morto, na It\u00e1lia, ap\u00f3s enfrentar nazistas na guerra. A fama de her\u00f3i do soldado faz a cidade onde ele vivia mudar de nome e passa a reger a economia local. Assim como Roque, Cabo Jorge, na verdade um desertor, tamb\u00e9m aparece vivo para desespero daqueles que desejam preservar os lucros e o poder conquistados com a lenda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO Ber\u00e7o do Her\u00f3i\u201d deveria ter sido encenada, pela primeira vez, em 1965, no Teatro Princesa Isabel, no Rio de Janeiro. O espet\u00e1culo, dirigido por Antonio Abujamra, foi proibido pela censura federal duas horas antes da estreia. A ditadura militar manteve o texto proibido por cerca de 20 anos. A primeira encena\u00e7\u00e3o da pe\u00e7a acabou acontecendo nos Estados Unidos, em 1976.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Substituindo a tem\u00e1tica militar, em 1975, Dias Gomes prop\u00f4s \u00e0 TV Globo uma adapta\u00e7\u00e3o do espet\u00e1culo para o hor\u00e1rio das 20 horas. A sinopse e os primeiros cap\u00edtulos foram enviados para a censura federal e aprovados. A produ\u00e7\u00e3o seria protagonizada por Francisco Cuoco (Roque), Betty Faria (Porcina) e Lima Duarte (Sinhozinho Malta). Perto da estreia, com 36 cap\u00edtulos j\u00e1 gravados, a emissora foi notificada de que a exibi\u00e7\u00e3o do folhetim estava proibida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem conseguir reverter a decis\u00e3o, a Globo foi obrigada a exibir uma vers\u00e3o compacta de \u201cSelva de Pedra\u201d. A emissora tamb\u00e9m solicitou que a autora Janete Clair criasse uma hist\u00f3ria a toque de caixa, que reaproveitasse o elenco e parte dos cen\u00e1rios. Em apenas tr\u00eas meses, a novelista desenvolveria outro cl\u00e1ssico da teledramaturgia: \u201cPecado Capital\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em \u201cO Livro do Boni\u201d, Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio de Oliveira Sobrinho, o Boni, todo poderoso da \u00e1rea de entretenimento da emissora na \u00e9poca, revelou o motivo da revis\u00e3o da censura. Uma liga\u00e7\u00e3o de Dias Gomes a Nelson Werneck Sodr\u00e9 havia sido grampeada pelo governo. Na conversa, o autor disse que \u201cRoque Santeiro\u201d era \u201cO Ber\u00e7o do Her\u00f3i\u201d sem farda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Boni contou no livro que sugeriu que a censura fosse exposta em um editorial no \u201cJornal Nacional\u201d. Roberto Marinho, dono do grupo Globo, autorizou e encomendou o texto ao diretor de jornalismo, Armando Nogueira. Parte do elenco da novela chegou a viajar a Bras\u00edlia para tentar uma audi\u00eancia com o presidente Ernesto Geisel, sem sucesso. \u201cRoque Santeiro\u201d s\u00f3 seria exibida em 1985.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem empecilhos para ser produzida, \u201cRoque Santeiro\u201d finalmente estreou e os cap\u00edtulos que tinham sido escritos por Dias Gomes dez anos antes foram reaproveitados. O autor, no entanto, n\u00e3o quis seguir com o projeto e Aguinaldo Silva foi chamado para assumir a novela a partir do cap\u00edtulo 41, segundo o projeto \u201cMem\u00f3ria Globo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marc\u00edlio Moraes, Joaquim de Assis e a pesquisadora Lilian Garcia atuaram como colaboradores. A trama foi um sucesso e Gomes procurou Boni para reassumir o folhetim. Silva escreveu at\u00e9 o cap\u00edtulo 163 e, segundo o ex-todo poderoso do entretenimento, foi dif\u00edcil convenc\u00ea-lo a entregar a novela ao criador da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cFoi dif\u00edcil tir\u00e1-la do Aguinaldo, que havia acertado em cheio e tinha todo o direito e concluir o projeto. Como o sofrimento do Dias era muito grande, contei com a ajuda e a compreens\u00e3o do Aguinaldo. Fizemos uma transi\u00e7\u00e3o a oito m\u00e3os, bem r\u00e1pida, e o Dias escreveu os cap\u00edtulos finais\u201d, contou o diretor da emissora em \u201cO Livro do Boni\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cRoque Santeiro\u201d foi um fen\u00f4meno de audi\u00eancia, atingindo recordes logo nas primeiras semanas. Segundo Aguinaldo Silva, \u201cRoque Santeiro\u201d registrou m\u00e9dia de 67 pontos no hor\u00e1rio. A novela entrou para a hist\u00f3ria da televis\u00e3o brasileira como a \u00fanica que obteve 100% de audi\u00eancia no \u00faltimo cap\u00edtulo, exibido no dia 21 de fevereiro de 1986.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O projeto \u201cMem\u00f3ria Globo\u201d destacou que, em Recife, jornais da \u00e9poca apontaram que candidatos \u00e0s elei\u00e7\u00f5es para deputado chegaram a cancelar com\u00edcios que seriam realizados no hor\u00e1rio em que a novela era exibida. \u201cRoque Santeiro\u201d ganhou duas reprises no \u201cVale a Pena Ver de Novo\u201d e tamb\u00e9m fez sucesso no canal Viva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Oficialmente, foram escritos dois finais para \u201cRoque Santeiro\u201d. No primeiro, Porcina ia embora de Asa Branca com Roque. J\u00e1 no segundo, a vi\u00fava que foi sem nunca ter sido terminava com Sinhozinho Malta. Em entrevistas, Aguinaldo Silva disse que preferia que a personagem de Regina Duarte fosse feliz ao lado do falso santo milagreiro, mas, como foi Dias Gomes que finalizou o folhetim, Porcina ficou com o coronel vivido por Lima Duarte. A cena foi inspirada no cl\u00e1ssico \u201cCasablanca\u201d, filme protagonizado por Humphrey Bogart e Ingrid Bergman.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No document\u00e1rio \u201cA Nega\u00e7\u00e3o do Brasil\u201d, do diretor Joel Zito Ara\u00fajo, ator Tony Tornado, que viveu Rod\u00e9sio, o capataz da Vi\u00fava Porcina na trama, contou que participou da grava\u00e7\u00e3o de um terceiro final. Nele, a personagem de Regina Duarte deixava Roque e Sinhozinho para ficar com Rod\u00e9sio. Tornado disse considerar o desfecho coerente, uma vez que o capataz \u201cera o \u00fanico que n\u00e3o tinha abandonado Porcina\u201d. O ator declarou que \u201cfaltou coragem\u201d para levar esse final ao ar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: https:\/\/trocandodecanal.com\/<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Teo Gelson&nbsp; Asa Branca, uma cidadezinha perdida no interior do Brasil, vive em fun\u00e7\u00e3o de um m\u00e1rtir, um santo milagreiro. Por l\u00e1, todos conhecem a hist\u00f3ria de Roque, coroinha e artes\u00e3o de imagens de barro que morreu defendendo o munic\u00edpio do ataque do bandido Navalhada (Oswaldo Loureiro). 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