{"id":46202,"date":"2026-01-17T09:07:50","date_gmt":"2026-01-17T12:07:50","guid":{"rendered":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/?p=46202"},"modified":"2026-01-17T09:07:50","modified_gmt":"2026-01-17T12:07:50","slug":"a-assexualidade-e-a-depressao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/a-assexualidade-e-a-depressao\/","title":{"rendered":"A Assexualidade e a Depress\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Por Ramon Henrique&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;S\u00e3o duas realidades que, embora distintas, costumam se cruzar de maneiras que merecem ser compreendidas com cuidado e profundidade. Quando a gente fala de assexualidade, estamos falando de uma orienta\u00e7\u00e3o sexual em que a pessoa n\u00e3o sente atra\u00e7\u00e3o sexual por outras ou sente de forma muito limitada e rara.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; N\u00e3o \u00e9 uma fase, n\u00e3o \u00e9 \u201cfalta de experi\u00eancia\u201d e nem tem rela\u00e7\u00e3o direta com a capacidade de amar, de ter intimidade ou de construir rela\u00e7\u00f5es afetivas. J\u00e1 a depress\u00e3o \u00e9 um transtorno de sa\u00fade mental caracterizado por sentimentos persistentes de tristeza, perda de interesse, baixa energia, pensamentos negativos recorrentes e, muitas vezes, uma sensa\u00e7\u00e3o de vazio que n\u00e3o desaparece com facilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;A interse\u00e7\u00e3o entre as duas pode surgir por diversos cam\u00f4nios, e entender cada um deles ajuda a evitar que a pessoa se sinta ainda mais isolada ou incompreendida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Primeiro, a invisibilidade da assexualidade. Diferente de orienta\u00e7\u00f5es mais vis\u00edveis como a homossexualidade, que costuma aparecer em novelas, s\u00e9ries e conversas cotidianas a assexualidade ainda \u00e9 pouco discutida.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; Muitas vezes, quem se identifica como assexual recebe coment\u00e1rios do tipo \u201cmas voc\u00ea ainda vai descobrir\u201d, \u201c\u00e9 s\u00f3 fase\u201d ou \u201cvoc\u00ea ainda n\u00e3o encontrou a pessoa certa\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; Esse tipo de invalida\u00e7\u00e3o pode gerar um sentimento de aliena\u00e7\u00e3o, como se a pr\u00f3pria identidade fosse um erro ou algo que precisa ser consertado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Quando a pessoa j\u00e1 est\u00e1 lutando contra pensamentos depressivos, essas mensagens podem amplificar a autocr\u00edtica e o isolamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Segundo, a press\u00e3o social em torno do sexo. Nossa cultura est\u00e1 saturada de mensagens que ligam sexualidade a realiza\u00e7\u00e3o pessoal, prazer e at\u00e9 mesmo a valor pr\u00f3prio.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para quem n\u00e3o sente essa atra\u00e7\u00e3o, pode haver um conflito interno: \u201cSer\u00e1 que eu estou fazendo algo errado? Ser\u00e1 que sou menos mulher\/homem por n\u00e3o querer sexo?\u201d Esse conflito pode se transformar em culpa, que \u00e9 um dos principais gatilhos da depress\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp;A culpa, somada \u00e0 sensa\u00e7\u00e3o de que \u201ctodos est\u00e3o tendo algo que eu n\u00e3o tenho\u201d, cria um ciclo de autodeprecia\u00e7\u00e3o que dificulta a busca de ajuda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Terceiro, a falta de representatividade nos servi\u00e7os de sa\u00fade mental.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; Muitos profissionais ainda n\u00e3o est\u00e3o familiarizados com a assexualidade e podem interpretar a falta de desejo sexual como sintoma de um problema psicol\u00f3gico, ao inv\u00e9s de reconhecer que pode ser simplesmente uma orienta\u00e7\u00e3o v\u00e1lida.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; Quando a pessoa procura terapia e o terapeuta tenta \u201ccorrigir\u201d a assexualidade, isso pode gerar revitimiza\u00e7\u00e3o, refor\u00e7ar a ideia de que h\u00e1 algo \u201cerrado\u201d e piorar o quadro depressivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; Quarto, o isolamento afetivo. Mesmo que a assexualidade n\u00e3o impe\u00e7a de ter rela\u00e7\u00f5es \u00edntimas ou amorosas, muitas pessoas assexuais relatam dificuldades para encontrar parceiros que compreendam e respeitem seu desejo (ou falta dele).&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; A solid\u00e3o afetiva pode ser um gatilho forte para a depress\u00e3o, principalmente quando a pessoa sente que n\u00e3o tem um espa\u00e7o seguro para ser quem \u00e9 sem precisar se explicar o tempo todo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Por fim, a pr\u00f3pria depress\u00e3o pode distorcer a percep\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria assexualidade.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Texto: Ramon Henrique<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Instagram:@ramonhenriquee<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cr\u00e9dito Fotogr\u00e1fico: coletivo de g\u00eanero&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: UOL\/Terra\/Yahoo\/revista Veja\/ revista \u00e9poca&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ramon Henrique&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;S\u00e3o duas realidades que, embora distintas, costumam se cruzar de maneiras que merecem ser compreendidas com cuidado e profundidade. 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