{"id":46782,"date":"2026-02-14T14:35:32","date_gmt":"2026-02-14T17:35:32","guid":{"rendered":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/?p=46782"},"modified":"2026-02-14T14:35:32","modified_gmt":"2026-02-14T17:35:32","slug":"carnaval-quando-o-excesso-humano-adoece-o-corpo-e-a-alma-dos-caes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/carnaval-quando-o-excesso-humano-adoece-o-corpo-e-a-alma-dos-caes\/","title":{"rendered":"Carnaval: Quando o excesso humano adoece o corpo e a alma dos c\u00e3es"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Por Carla Perin<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">@cacaperin<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Carnaval \u00e9 culturalmente reconhecido como um tempo de extravasamento. Sons intensos, ruas cheias, rotinas quebradas, excesso de est\u00edmulos e uma suspens\u00e3o tempor\u00e1ria dos limites cotidianos. Para muitos humanos, representa alegria, liberdade e celebra\u00e7\u00e3o. Para os c\u00e3es, no entanto, esse per\u00edodo pode significar desorganiza\u00e7\u00e3o, inseguran\u00e7a e sobrecarga emocional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Medicina Veterin\u00e1ria Sist\u00eamica, compreendemos que os animais fazem parte do sistema familiar e respondem diretamente \u00e0s mudan\u00e7as emocionais, energ\u00e9ticas e comportamentais dos humanos com quem convivem. Os c\u00e3es s\u00e3o especialmente sens\u00edveis \u00e0 perda de ritmo e de previsibilidade. Eles vivem ancorados na presen\u00e7a, na repeti\u00e7\u00e3o e na coer\u00eancia do ambiente. Quando o humano se desorganiza, o sistema inteiro sente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante o Carnaval, \u00e9 comum observar aumento de sinais cl\u00ednicos e comportamentais nos pets: ansiedade de separa\u00e7\u00e3o, tremores, vocaliza\u00e7\u00f5es excessivas, dist\u00farbios gastrointestinais, dermatites, apatia ou hiperatividade. Embora o barulho e os fogos sejam fatores importantes, a vis\u00e3o sist\u00eamica nos convida a olhar al\u00e9m do est\u00edmulo externo e perceber o que acontece no campo emocional do sistema familiar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo as Leis Sist\u00eamicas descritas por Bert Hellinger, todo sistema busca equil\u00edbrio. Quando o adulto se ausenta \u2014 f\u00edsica ou emocionalmente \u2014 algu\u00e9m tenta compensar essa aus\u00eancia. Muitas vezes, esse papel recai sobre o animal. O c\u00e3o passa a vigiar, proteger, alertar ou sustentar emocionalmente o ambiente, assumindo fun\u00e7\u00f5es que n\u00e3o lhe pertencem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse movimento n\u00e3o \u00e9 consciente. Ele nasce da lealdade profunda ao sistema e do desejo de pertencimento. O c\u00e3o prefere adoecer, se agitar ou sofrer do que \u201cabandonar\u201d o campo familiar. Quando o excesso humano cria um vazio \u2014 de presen\u00e7a, de limites ou de responsabilidade \u2014 o animal entra nesse espa\u00e7o tentando manter a coes\u00e3o do sistema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Carnaval tamb\u00e9m exp\u00f5e algo importante: a incoer\u00eancia emocional. Muitos humanos oscilam entre euforia intensa e exaust\u00e3o profunda, entre presen\u00e7a social exagerada e desconex\u00e3o interna. Os c\u00e3es, que n\u00e3o usam m\u00e1scaras e vivem no agora, percebem essa instabilidade. O corpo do animal se torna, ent\u00e3o, o lugar onde essa incoer\u00eancia se manifesta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na pr\u00e1tica cl\u00ednica sist\u00eamica, aprendemos que o animal raramente adoece sozinho. Ele expressa aquilo que o sistema n\u00e3o consegue simbolizar. O excesso de est\u00edmulos externos frequentemente encobre um excesso interno: ansiedade, fuga de si, dificuldade de sustentar limites e presen\u00e7a consciente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 importante dizer: o Carnaval n\u00e3o \u00e9, em si, um problema. A celebra\u00e7\u00e3o faz parte da vida. O adoecimento surge quando o humano abdica de sua posi\u00e7\u00e3o adulta dentro do sistema. Celebrar n\u00e3o precisa significar abandonar a responsabilidade emocional nem expor o animal a situa\u00e7\u00f5es que ultrapassam sua capacidade de autorregula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cuidar de um c\u00e3o durante o Carnaval \u00e9 oferecer ordem em meio ao caos. \u00c9 manter rotinas m\u00ednimas, respeitar limites sensoriais, garantir espa\u00e7os de sil\u00eancio e seguran\u00e7a. Mas, acima de tudo, \u00e9 sustentar presen\u00e7a emocional. Um tutor presente organiza o campo. Um campo organizado permite que o c\u00e3o descanse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Medicina Veterin\u00e1ria Sist\u00eamica, entendemos que o verdadeiro cuidado vai al\u00e9m da prote\u00e7\u00e3o f\u00edsica. Ele envolve ocupar o lugar correto dentro do sistema familiar. Quando o humano assume sua lideran\u00e7a com consci\u00eancia e respeito, o animal pode permanecer no lugar que lhe traz paz: o lugar de ser cuidado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez o maior ensinamento que os c\u00e3es nos oferecem durante o Carnaval seja simples e profundo: menos excesso, mais presen\u00e7a. Menos fuga, mais enraizamento. Eles n\u00e3o precisam de festas, nem de est\u00edmulos constantes. Precisam de coer\u00eancia, limites claros e seguran\u00e7a emocional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Carnaval passa. O corpo do animal permanece. E ele sempre contar\u00e1, atrav\u00e9s de seus comportamentos e sintomas, como o sistema viveu esse tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Carla Perin @cacaperin O Carnaval \u00e9 culturalmente reconhecido como um tempo de extravasamento. Sons intensos, ruas cheias, rotinas quebradas, excesso de est\u00edmulos e uma suspens\u00e3o tempor\u00e1ria dos limites cotidianos. Para muitos humanos, representa alegria, liberdade e celebra\u00e7\u00e3o. Para os c\u00e3es, no entanto, esse per\u00edodo pode significar desorganiza\u00e7\u00e3o, inseguran\u00e7a e sobrecarga emocional. 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