{"id":46839,"date":"2026-02-19T07:55:38","date_gmt":"2026-02-19T10:55:38","guid":{"rendered":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/?p=46839"},"modified":"2026-02-19T07:55:38","modified_gmt":"2026-02-19T10:55:38","slug":"lea-garcia-vamos-relembrar-sua-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/lea-garcia-vamos-relembrar-sua-historia\/","title":{"rendered":"L\u00e9a Garcia: vamos relembrar sua hist\u00f3ria?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Por Teo Gelson&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A atriz carioca L\u00e9a Garcia nasceu em 11 de mar\u00e7o de 1933 e hoje \u00e9 uma das atrizes negras mais renomadas do teatro e da televis\u00e3o no Brasil. Quando adolescente ela amava a poesia e admirava as obras de Cruz e Sousa e Langston Hughes, cujas obras a influenciaram nas reflex\u00f5es sobre a situa\u00e7\u00e3o do negro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos 16 anos, L\u00e9a Garcia pensava ser escritora e preparava-se para cursar a Faculdade de Filosofia quando conheceu o Teatro Experimental do Negro e juntamente com outros jovens, ingressou na companhia liderada por Abdias do Nascimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1952, L\u00e9a estreou como atriz no Teatro Recreio no espet\u00e1culo Raps\u00f3dia Negra de Abdias Nascimento. Ela interpretava poesia de Castro Alves.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apareci em p\u00fablico pela primeira vez na \u201cboite\u201d Acapulco. Era a Raps\u00f3dia Negra e figurei num quadro \u2013 o Navio Negreiro \u2013 com um grupo do Teatro Experimental do Negro. No grande \u201cshow\u201d dan\u00e7ava, fazia um lamento de M\u00e3e Preta e declamava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Entrevista \u00e0 Revista Fonfon, 1957.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atuando junto ao TEN, L\u00e9a participou ainda das pe\u00e7as O imperador Jones, Todos os Filhos de Deus tem asas e Onde est\u00e1 marcada a cruz, todas de Eugene O\u2019Neill; bem como O Filho Pr\u00f3digo de L\u00facio Cardoso, Sortil\u00e9gio(mist\u00e9rio negro) de Abdias Nascimento, e O sapo e a estrela de Hermilo Borba Filho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante sua carreira teatral, L\u00e9a Garcia esteve no palco, entre outras pe\u00e7as, em Anjo negro e Perdoa-me por me tra\u00edres, de Nelson Rodrigues; Cenas Cariocas; Orfeu da Concei\u00e7\u00e3o de Vin\u00edcius de Morais e Tom Jobim, dirigida por L\u00e9o Jusi; Casa Grande e Senzala sob a dire\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Mendon\u00e7a; Soraia Porto 2, de Pedro Bloch; Piaf, com Bibi Ferreira; Para as mulheres que pensaram em suic\u00eddio quando basta o arco-\u00edris, de Ntosake Shango; Romeu e Julieta, sob dire\u00e7\u00e3o de S\u00e9rgio Brito; O maior amor do mundo de Cac\u00e1 Diegues; Pequenas raposas de Lillian Hellman, sob a dire\u00e7\u00e3o de Naum Alves; entre outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paralelo aos palcos, L\u00e9a atuou tamb\u00e9m no cinema e na televis\u00e3o. Teve grande destaque na s\u00e9tima arte quando concorreu \u00e0 Palma de Ouro de 1957, conquistando o segundo lugar no Festival de Cannes pela sua atua\u00e7\u00e3o como Serafina no filme Orfeu negro de Marcel Camus. Ainda se destacou nos filmes Ganga Zumba, de Cac\u00e1 Diegues; Cruz e Sousa, poeta do Desterro, de Sylvio Back; O maior amor do mundo de Cac\u00e1 Diegues, entre outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2004 foi vencedora do pr\u00eamio Kikito de melhor atriz no Festival de Cinema de Gramado por Filhas do Vento, filme dirigido por Joel Zito Ara\u00fajo. A mesma atua\u00e7\u00e3o lhe valeu tamb\u00e9m o pr\u00eamio de melhor atriz do j\u00fari popular daquele Festival.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na televis\u00e3o L\u00e9a Garcia tamb\u00e9m representou grandes pap\u00e9is, sendo um dos mais famosos a personagem Rosa na novela Escrava Isaura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seu trabalho de atriz, L\u00e9a levou o ativismo antirracista e as reflex\u00f5es sobre a situa\u00e7\u00e3o do negro na sociedade brasileira para os palcos e a dramaturgia. Na novela Marina, de 1981, L\u00e9a interpretou Leila, uma professora de hist\u00f3ria numa escola de elite onde sua filha era a \u00fanica aluna negra. Em uma cena, os alunos deveriam refletir sobre o preconceito racial a partir da discuss\u00e3o sobre Zumbi dos Palmares. A atriz L\u00e9a Garcia pediu para modificar o texto original. Convocou uma reuni\u00e3o no Instituto de Pesquisa da Cultura Negra (IPCN), organiza\u00e7\u00e3o em que militava na \u00e9poca, para discutir o texto. O grupo revisou o texto e sugeriu modific\u00e1-lo de forma a mostrar o ponto de vista dos afrodescendentes sobre a quest\u00e3o. Aceita a sugest\u00e3o de interven\u00e7\u00e3o do IPCN, a cena foi alterada e L\u00e9a p\u00f4de atuar com mais confian\u00e7a e desenvoltura de acordo com sua consci\u00eancia pol\u00edtica e racial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O compromisso de L\u00e9a Garcia com a luta social da mulher negra continua firme, e ela vem sendo homenageada e premiada. Recebeu a medalha Pedro Ernesto da C\u00e2mara dos Vereadores do Rio de Janeiro em 1994; a medalha da Academia Brasileira de Letras; o Golfinho de Ouro do Conselho de Cultura do Estado do Rio de Janeiro e o Tatu de Prata de Melhor Atriz (pelo curta-metragem Mem\u00f3rias da Chibata, de Marcos Manh\u00e3es Marins) em 2007; Men\u00e7\u00e3o Honrosa no Festival de Gramado de 2008 por sua atua\u00e7\u00e3o em Hoje tem Ragu, de Raul LaBancca; homenagem no Festival de Cinema do Rio Grande do Norte de 2009 pela sua atua\u00e7\u00e3o no filme Dias amargos de S\u00edlvio Coutinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00e9a Garcia atuou como conselheira do Conselho de Cultura do Estado do Rio de Janeiro no per\u00edodo de 1999 a 2001. Eleita em 2010, ela hoje \u00e9 diretora art\u00edstica do Sindicato dos Artistas e T\u00e9cnicos em Espet\u00e1culos e Dire\u00e7\u00f5es (SATED).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Associada ao Sindicato dos T\u00e9cnicos da Ind\u00fastria Cinematogr\u00e1fica (STIC) na qualidade de roteirista de cinema, L\u00e9a \u00e9 autora de dois filmes. Seu longa-metragem Aconteceu no Rio de Janeiro se comp\u00f5e da adapta\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica de quatro contos de fic\u00e7\u00e3o de autores brasileiros. S\u00e3o eles \u201cO batizado\u201d de Cuti; \u201cO cobrador e o deus vaca\u201d e \u201cAconteceu no Rio de Janeiro\u201d de Cidinha da Silva; \u201d Vov\u00f3 veio para jantar\u201d de Muniz Sodr\u00e9. O m\u00e9dia-metragem de fic\u00e7\u00e3o de L\u00e9a Garcia, Dubl\u00ea de Ogum, se baseia no conto hom\u00f4nimo de Cidinha da Silva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: https:\/\/peafro.org.br\/<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Teo Gelson&nbsp; A atriz carioca L\u00e9a Garcia nasceu em 11 de mar\u00e7o de 1933 e hoje \u00e9 uma das atrizes negras mais renomadas do teatro e da televis\u00e3o no Brasil. 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