{"id":47744,"date":"2026-03-27T06:00:52","date_gmt":"2026-03-27T09:00:52","guid":{"rendered":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/?p=47744"},"modified":"2026-03-27T09:30:16","modified_gmt":"2026-03-27T12:30:16","slug":"se-ainda-querermos-amar-por-que-estamos-nos-separando-tanto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/se-ainda-querermos-amar-por-que-estamos-nos-separando-tanto\/","title":{"rendered":"Se ainda queremos amar, por que estamos nos separando tanto?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Por Bia Rossatti<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">@biarossattiterapeuta<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um paradoxo contempor\u00e2neo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se existe algo que permanece constante na experi\u00eancia humana, \u00e9 o desejo de se relacionar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de todas as transforma\u00e7\u00f5es sociais, culturais e tecnol\u00f3gicas, o ser humano continua buscando o mesmo: conex\u00e3o, v\u00ednculo, afeto e a constru\u00e7\u00e3o de uma rela\u00e7\u00e3o duradoura com o outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas ent\u00e3o, por que estamos nos separando tanto?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, segundo dados do IBGE, foram registrados mais de 420 mil div\u00f3rcios em 2022. E um fen\u00f4meno ainda mais curioso tem ganhado for\u00e7a: o chamado \u201cGray Divorce\u201d, o aumento das separa\u00e7\u00f5es entre casais com mais de 50 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou seja, mesmo ap\u00f3s d\u00e9cadas juntos, muitas rela\u00e7\u00f5es ainda est\u00e3o se desfazendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante disso, a pergunta se torna inevit\u00e1vel: Se o desejo de amar permanece, onde est\u00e1 o problema?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desejo de v\u00ednculo \u00e9 humano. A psicologia e a terapia familiar s\u00e3o claras ao afirmar: o ser humano \u00e9, por natureza, relacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O psic\u00f3logo John Bowlby, criador da Teoria do Apego, demonstrou que desde o in\u00edcio da vida desenvolvemos v\u00ednculos que moldam profundamente nossa forma de amar, confiar e nos conectar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A terapeuta familiar Virginia Satir tamb\u00e9m refor\u00e7ava que \u00e9 nas rela\u00e7\u00f5es que constru\u00edmos nossa autoestima, nossa identidade e nossa percep\u00e7\u00e3o de mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Relacionar-se, portanto, n\u00e3o \u00e9 apenas uma escolha \u2014 \u00e9 uma necessidade emocional e ps\u00edquica e, talvez esse seja o ponto mais importante: o desejo de se ligar ao outro n\u00e3o desapareceu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que mudou, ent\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se o desejo continua, mas os relacionamentos n\u00e3o se sustentam, \u00e9 preciso olhar para outro lugar: a forma como estamos nos relacionando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vivemos uma \u00e9poca de imediatismo; excesso de expectativas; baixa toler\u00e2ncia \u00e0 frustra\u00e7\u00e3o; dificuldade de di\u00e1logo e, pouca educa\u00e7\u00e3o emocional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitas pessoas entram em relacionamentos esperando receber aquilo que ainda n\u00e3o sabem construir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esperam que o outro: preencha vazios; resolva inseguran\u00e7as; sustente emo\u00e7\u00f5es que n\u00e3o foram elaboradas e, inevitavelmente, isso gera frustra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O equ\u00edvoco silencioso<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existe um equ\u00edvoco muito comum nos relacionamentos contempor\u00e2neos: creditar que o problema est\u00e1 no outro \u2014 ou na rela\u00e7\u00e3o em si. Mas talvez a quest\u00e3o seja mais profunda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fil\u00f3sofa L\u00facia Helena Galv\u00e3o j\u00e1 trouxe uma reflex\u00e3o fundamental ao afirmar que os relacionamentos existem para nos fazer crescer, quando refletiu sobre o outro que n\u00e3o \u00e9 apenas companhia \u2014 mas tamb\u00e9m espelho. E nem sempre estamos preparados para ver o que esse espelho revela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Queremos ainda amar, construir, criar v\u00ednculos mas muitas vezes n\u00e3o sabemos como sustentar uma rela\u00e7\u00e3o ao longo do tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando surgem os conflitos \u2014 e eles sempre surgem \u2014 faltam recursos emocionais para lidar com: a frustra\u00e7\u00e3o, as diferen\u00e7as, a comunica\u00e7\u00e3o e os limites e, aos poucos, o que poderia ser crescimento se transforma em desgaste.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ponto de virada<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez o grande problema n\u00e3o seja o amor. Talvez n\u00e3o seja o casamento. Talvez n\u00e3o seja nem o outro. Talvez o problema esteja na aus\u00eancia de consci\u00eancia sobre como nos relacionamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Relacionamentos n\u00e3o se sustentam apenas com sentimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eles exigem: maturidade emocional, responsabilidade afetiva, disposi\u00e7\u00e3o para aprender e, principalmente, autoconhecimento. Sem isso, at\u00e9 o amor mais intenso pode se perder.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E quando um relacionamento termina, \u00e9 comum surgir a sensa\u00e7\u00e3o de fracasso. Mas, na pr\u00e1tica, muitos t\u00e9rminos podem ser tamb\u00e9m convites.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Convites para olhar para si. Para rever padr\u00f5es. Para compreender a pr\u00f3pria hist\u00f3ria afetiva e, a partir disso, construir uma nova forma de se relacionar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um convite necess\u00e1rio<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se o desejo de amar continua vivo \u2014 e ele continua \u2014 ent\u00e3o talvez este seja o momento de mudar a pergunta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o apenas: \u201cPor que os relacionamentos acabam?\u201d Mas principalmente: \u201cO que precisamos aprender para construir rela\u00e7\u00f5es que permane\u00e7am?\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porque, no fim, o desafio n\u00e3o \u00e9 encontrar algu\u00e9m. \u00c9 saber se relacionar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E essa talvez seja uma das aprendizagens mais importantes da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre a autora<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maria Beatriz Rossatti \u00e9 terapeuta e pesquisadora das rela\u00e7\u00f5es humanas. Atua no acompanhamento de casais em crise e de pessoas que atravessam processos de separa\u00e7\u00e3o e div\u00f3rcio, auxiliando na reconstru\u00e7\u00e3o emocional e no desenvolvimento de rela\u00e7\u00f5es mais conscientes. \u00c9 criadora do projeto A Rota da Cura, dedicado ao autoconhecimento e \u00e0 ressignifica\u00e7\u00e3o das experi\u00eancias afetivas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Bia Rossatti @biarossattiterapeuta &nbsp; Um paradoxo contempor\u00e2neo &nbsp; Se existe algo que permanece constante na experi\u00eancia humana, \u00e9 o desejo de se relacionar. Apesar de todas as transforma\u00e7\u00f5es sociais, culturais e tecnol\u00f3gicas, o ser humano continua buscando o mesmo: conex\u00e3o, v\u00ednculo, afeto e a constru\u00e7\u00e3o de uma rela\u00e7\u00e3o duradoura com o outro. 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