{"id":48138,"date":"2026-04-10T04:57:15","date_gmt":"2026-04-10T07:57:15","guid":{"rendered":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/?p=48138"},"modified":"2026-04-09T18:04:14","modified_gmt":"2026-04-09T21:04:14","slug":"masculinidade-em-crise-entre-reacao-responsabilidade-e-mudanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/masculinidade-em-crise-entre-reacao-responsabilidade-e-mudanca\/","title":{"rendered":"Masculinidade em crise: entre rea\u00e7\u00e3o, responsabilidade e mudan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Por Jo\u00e3o Costa Bezerra<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">@psico.joaocosta<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O debate sobre a chamada \u201cmasculinidade em crise\u201d tem ganhado for\u00e7a em um contexto marcado por transforma\u00e7\u00f5es nas rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero. No entanto, \u00e9 preciso ir al\u00e9m da leitura de que homens s\u00e3o apenas v\u00edtimas desse processo. A crise existe, mas expressa tens\u00f5es mais profundas entre a perda de refer\u00eancias tradicionais, a manuten\u00e7\u00e3o de privil\u00e9gios e a dificuldade de adapta\u00e7\u00e3o a novas formas de existir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do ponto de vista psicol\u00f3gico, muitos homens foram socializados em modelos r\u00edgidos, marcados pelo controle emocional, pela l\u00f3gica do dom\u00ednio e pela nega\u00e7\u00e3o da vulnerabilidade. Esses padr\u00f5es n\u00e3o apenas limitam a express\u00e3o subjetiva, como tamb\u00e9m podem gerar sofrimento ps\u00edquico, dificuldades na constru\u00e7\u00e3o de v\u00ednculos e baixa toler\u00e2ncia \u00e0 frustra\u00e7\u00e3o. Ainda assim, reconhecer esse contexto n\u00e3o elimina a responsabilidade individual: a forma como cada sujeito responde a esse desconforto continua sendo central.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse cen\u00e1rio, a misoginia n\u00e3o pode ser compreendida apenas como consequ\u00eancia de dor ou inseguran\u00e7a, mas tamb\u00e9m como uma resposta ativa que refor\u00e7a desigualdades. Ao deslocar frustra\u00e7\u00f5es pessoais para o campo social \u2014 culpabilizando mulheres ou mudan\u00e7as culturais, alguns homens evitam o confronto com suas pr\u00f3prias limita\u00e7\u00f5es e preservam posi\u00e7\u00f5es de poder.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sob uma perspectiva hist\u00f3rica e filos\u00f3fica, a masculinidade n\u00e3o \u00e9 fixa, mas uma constru\u00e7\u00e3o que se transforma ao longo do tempo. Isso significa que a ideia de \u201ccrise\u201d n\u00e3o representa apenas um momento de perda, mas tamb\u00e9m uma oportunidade de revis\u00e3o. Questionar pr\u00e1ticas, reconhecer privil\u00e9gios e construir formas mais \u00e9ticas de se relacionar passa a ser n\u00e3o apenas poss\u00edvel, mas necess\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse processo, no entanto, n\u00e3o \u00e9 simples. Envolve lidar com frustra\u00e7\u00f5es, reconhecer falhas e abrir m\u00e3o de certezas que, muitas vezes, estruturaram a pr\u00f3pria identidade. Ao mesmo tempo, abre espa\u00e7o para ampliar as formas de ser homem, incorporando o cuidado, a escuta e rela\u00e7\u00f5es mais horizontais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A masculinidade em crise, portanto, n\u00e3o deve ser vista apenas como um problema a ser resolvido, mas como um ponto de inflex\u00e3o. Entre a repeti\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es violentos e a constru\u00e7\u00e3o de novas possibilidades, existe um caminho que exige implica\u00e7\u00e3o. Mais do que vitimiza\u00e7\u00e3o, trata-se de responsabilidade: a capacidade de rever pr\u00e1ticas, sustentar mudan\u00e7as e construir outras formas de exist\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mini curr\u00edculo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o Costa Bezerra \u00e9 psicoterapeuta, com atua\u00e7\u00e3o cl\u00ednica voltada ao p\u00fablico infantil, adolescente e adulto. Utiliza abordagens como Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), Terapia Comportamental Dial\u00e9tica (DBT), Terapia do Esquema e Psicologia Anal\u00edtica de Jung. Desenvolve trabalho com regula\u00e7\u00e3o emocional, manejo de comportamentos e psicoeduca\u00e7\u00e3o, incluindo contextos de neurodiverg\u00eancia e sa\u00fade mental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para mais informa\u00e7\u00f5es: WhatsApp (11) 98436-1978<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refer\u00eancias<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CONNELL, R. W.; MESSERSCHMIDT, J. W. Masculinidade hegem\u00f4nica: repensando o conceito. Revista Estudos Feministas, 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FERREIRA, F. M.; OLIVEIRA, C. P. O movimento feminista e a crise da masculinidade. Cadernos de Psicologia, 2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FRAN\u00c7OIA, C. R. et al. Configura\u00e7\u00f5es de masculinidade(s) e bem-estar psicol\u00f3gico dos homens. Cadernos de G\u00eanero e Diversidade, 2021.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DE BA\u00c9RE, F.; ZANELLO, V. Suic\u00eddio e masculinidades: uma an\u00e1lise por meio do g\u00eanero. Psicologia em Estudo, 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DA SILVA JUNIOR, J. B. A virilidade e a masculinidade sempre estiveram em \u201ccrise\u201d. Bagoas, 2024.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RIBEIRO, E. C. S. et al. Masculinidade hegem\u00f4nica e possibilidades de desconstru\u00e7\u00e3o. Revista Brasileira de Estudos da Homocultura, 2023.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jo\u00e3o Costa Bezerra @psico.joaocosta O debate sobre a chamada \u201cmasculinidade em crise\u201d tem ganhado for\u00e7a em um contexto marcado por transforma\u00e7\u00f5es nas rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero. No entanto, \u00e9 preciso ir al\u00e9m da leitura de que homens s\u00e3o apenas v\u00edtimas desse processo. 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