{"id":48158,"date":"2026-04-12T04:00:12","date_gmt":"2026-04-12T07:00:12","guid":{"rendered":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/?p=48158"},"modified":"2026-04-10T15:02:46","modified_gmt":"2026-04-10T18:02:46","slug":"nem-toda-maternidade-chega-ao-colo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/nem-toda-maternidade-chega-ao-colo\/","title":{"rendered":"Nem toda maternidade chega ao colo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Por J\u00e9ssica Monteiro Lima<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">@psicologa_jessicamonteirolima<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">WhatsApp: (11) 91169-1479<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela j\u00e1 tinha expectativa de conhecer o seu beb\u00ea<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refletia sobre o nome<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pensava nas roupas, no quarto, nos planos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em alguns casos, havia exames, tratamentos, tentativas e expectativas constru\u00eddas ao longo do tempo. Mas, em algum momento, esse caminho foi interrompido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E junto com a perda, surgiram emo\u00e7\u00f5es e sentimentos dif\u00edceis de nomear como tristeza, vazio, culpa, incapacidade, revolta, desespero, raiva e, muitas vezes, sil\u00eancio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nem toda maternidade chega ao colo. E, quando uma gesta\u00e7\u00e3o \u00e9 interrompida, um beb\u00ea \u00e9 perdido, ou quando um positivo n\u00e3o chega existe um luto que nem sempre \u00e9 reconhecido socialmente, mas que pode ser profundamente doloroso. O luto perinatal envolve perdas que acontecem durante as tentativas de engravidar, gesta\u00e7\u00e3o, no parto e ap\u00f3s o nascimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada uma dessas experi\u00eancias carrega hist\u00f3rias, v\u00ednculos e expectativas que foram constru\u00eddos. Esse v\u00ednculo come\u00e7a antes mesmo da confirma\u00e7\u00e3o da gesta\u00e7\u00e3o, no desejo, nos planos e na esperan\u00e7a. Por isso, quando a perda acontece, n\u00e3o se trata apenas da aus\u00eancia do beb\u00ea, mas tamb\u00e9m da ruptura de um futuro imaginado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A dor no luto perinatal n\u00e3o depende do tempo de gesta\u00e7\u00e3o. Algumas mulheres relatam sofrimento intenso em perdas nas primeiras semanas de gesta\u00e7\u00e3o, nas tentativas sem sucesso de transfer\u00eancias de embri\u00f5es durante os tratamentos de fertilidade, enquanto outras enfrentam o impacto de despedidas ap\u00f3s meses de gesta\u00e7\u00e3o ou ap\u00f3s o nascimento. Em todas essas situa\u00e7\u00f5es, existe algo em comum: a experi\u00eancia de uma perda que, muitas vezes, n\u00e3o encontra espa\u00e7o para ser nomeada e acolhida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante os estudos para aperfei\u00e7oar os meus conhecimentos na \u00e1rea da psicologia perinatal, me deparei com a reflex\u00e3o de que n\u00e3o existe em nossa sociedade um nome para quem perde um filho. Filhos que perdem seus pais, s\u00e3o chamados de \u00f3rf\u00e3os, esposas que perdem seus maridos s\u00e3o chamadas de vi\u00favas e qual o nome que damos quando um pai ou uma m\u00e3e perde o seu filho? N\u00e3o existe um nome para essa perda, n\u00e3o \u00e9 o processo natural esperado por todos n\u00f3s, afinal esse ser teria ainda uma vida longa pela frente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em muitos casos, quem vive o luto perinatal se depara com frases que, embora possam ter a inten\u00e7\u00e3o de confortar, acabam minimizando a dor: \u201cvoc\u00ea \u00e9 jovem\u201d, \u201clogo voc\u00ea engravida novamente\u201d, \u201cfoi melhor assim\u201d, \u201cacontece\u201d. Essas falas podem transmitir a mensagem de que esse luto deveria ser breve, menos intenso, como se existisse um prazo silencioso para que a mulher \u201csiga em frente\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o luto n\u00e3o tem um tempo determinado. Cada pessoa elabora a perda de forma \u00fanica, e n\u00e3o h\u00e1 uma dura\u00e7\u00e3o considerada \u201ccorreta\u201d. Para algumas mulheres, a dor pode permanecer mais intensa por semanas ou meses. Para outras, ela pode reaparecer em datas significativas, em novas tentativas de gravidez, ao ver outras gestantes ou ao lembrar dos planos que foram interrompidos. Isso n\u00e3o significa que algo esteja errado, mas que o v\u00ednculo existiu e deixou marcas emocionais. Em meus atendimentos busco acolher e validar a dor emocional, e psicoeducar minhas pacientes de que o luto n\u00e3o \u00e9 algo a ser superado, aprendemos a conviver com ele, a dor da perda \u00e9 uma parte nossa e que sempre estar\u00e1 ali com a gente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje quero trazer essa reflex\u00e3o de que o luto perinatal muitas vezes \u00e9 vivido em sil\u00eancio. Algumas mulheres relatam dificuldade em falar sobre a perda, seja por medo de julgamentos, por sentir que as pessoas n\u00e3o compreendem ou por perceber que o assunto se torna desconfort\u00e1vel para quem est\u00e1 ao redor. Com o tempo, pode surgir a sensa\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o h\u00e1 mais espa\u00e7o para expressar a dor, como se fosse necess\u00e1rio \u201cvoltar ao normal\u201d, mesmo quando o emocional ainda est\u00e1 em processo de elabora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Validar esse luto \u00e9 um passo importante. Reconhecer que houve uma perda, que existiam expectativas e que sentimentos como tristeza, culpa ou at\u00e9 mesmo raiva podem surgir e faz parte do processo. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio apressar a dor nem compar\u00e1-la com outras experi\u00eancias. Cada hist\u00f3ria \u00e9 \u00fanica e merece ser acolhida com respeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O luto perinatal tamb\u00e9m pode impactar o casal e a fam\u00edlia. Parceiros podem viver a perda de forma diferente, e nem sempre conseguem expressar seus sentimentos com a mesma intensidade. Isso pode gerar distanciamento ou dificuldades de comunica\u00e7\u00e3o, refor\u00e7ando a import\u00e2ncia de um espa\u00e7o de escuta e di\u00e1logo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse contexto, o acompanhamento psicol\u00f3gico pode ser um apoio importante. A psicoterapia oferece um espa\u00e7o seguro para que se possa falar sobre a perda, nomear sentimentos, elaborar a experi\u00eancia e reconstruir, aos poucos, novos significados. N\u00e3o se trata de \u201cesquecer\u201d, mas de integrar essa viv\u00eancia \u00e0 pr\u00f3pria hist\u00f3ria de forma cuidadosa. Acolher essa dor, sem pressa e sem julgamentos, \u00e9 reconhecer que, mesmo quando a maternidade n\u00e3o chega ao colo, ela pode ter existido no desejo, no v\u00ednculo e na esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dar espa\u00e7o para falar sobre essas perdas \u00e9 tamb\u00e9m uma forma de cuidado. Porque quando o luto \u00e9 reconhecido, ele deixa de ser vivido em sil\u00eancio e passa a ser acompanhado com mais acolhimento e compreens\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e9ssica Samanta Monteiro Miranda Lima \u00e9 Psic\u00f3loga Perinatal, com atua\u00e7\u00e3o voltada \u00e0 sa\u00fade mental da mulher. Acompanha mulheres em diferentes fases da vida, desde a jornada da fertilidade at\u00e9 os desafios emocionais da gesta\u00e7\u00e3o, parto e p\u00f3s-parto, busca por uma maternidade mais leve oferecendo escuta sens\u00edvel e embasamento t\u00e9cnico e cient\u00edfico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bacharel em Psicologia &#8211; Universidade do Grande ABC<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MBA em Gest\u00e3o estrat\u00e9gica do Capital Humano &#8211; FMU<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o Psicopedagogia &#8211; Universidade Metodista<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o Aperfei\u00e7oamento em Psicologia Perinatal e da Parentalidade &#8211; Instituto MaterOnline<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por J\u00e9ssica Monteiro Lima @psicologa_jessicamonteirolima WhatsApp: (11) 91169-1479 &nbsp; Ela j\u00e1 tinha expectativa de conhecer o seu beb\u00ea Refletia sobre o nome Pensava nas roupas, no quarto, nos planos. &nbsp; Em alguns casos, havia exames, tratamentos, tentativas e expectativas constru\u00eddas ao longo do tempo. 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