{"id":48556,"date":"2026-04-24T05:16:17","date_gmt":"2026-04-24T08:16:17","guid":{"rendered":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/?p=48556"},"modified":"2026-04-22T17:18:47","modified_gmt":"2026-04-22T20:18:47","slug":"dois-causos-da-dependencia-voce-se-reconhece","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/dois-causos-da-dependencia-voce-se-reconhece\/","title":{"rendered":"Dois &#8220;causos&#8221; da depend\u00eancia: voc\u00ea se reconhece?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Pelo Psicanalista Jackson Shella<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">@psicanalista_Jackson_Shella<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas \u00faltimas semanas, venho falando sobre autonomia emocional. Hoje quero tornar tudo isso mais concreto com dois \u201ccausos\u201d ficcionais que, talvez, toquem em algo muito familiar para voc\u00ea. N\u00e3o \u00e9 para voc\u00ea se culpar, nem se diagnosticar. \u00c9 um convite para se olhar com mais honestidade e menos dureza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caso 1: termina, volta\u2026 e o medo manda<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lucas, 28 anos, est\u00e1 em um relacionamento de seis anos, cheio de brigas intensas e reconcilia\u00e7\u00f5es apaixonadas. J\u00e1 terminou \u201cde verdade\u201d mais de cinco vezes. Em cada t\u00e9rmino, diz: \u201cAgora eu aprendi\u201d, \u201cvou me colocar em primeiro lugar\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia do rompimento, sente for\u00e7a e al\u00edvio. Faz planos, pensa em cuidar de si. Mas, poucos dias depois, o roteiro come\u00e7a:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As lembran\u00e7as boas entram em replay.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mente romantiza: \u201cN\u00e3o era t\u00e3o ruim assim\u201d, \u201cacho que exagerei\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O medo de ficar s\u00f3 se mistura com saudade e culpa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cama parece grande demais, as noites ficam silenciosas, a ideia de conhecer algu\u00e9m novo parece cansativa e amea\u00e7adora. Diante desse vazio, ele abre a conversa e manda uma \u00fanica mensagem:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cOi, sumida!\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por tr\u00e1s dela, um pedido: \u201cMe responde, para eu n\u00e3o precisar encarar esse vazio\u201d. E, pouco a pouco, como se nada tivesse acontecido, volta para o mesmo lugar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cada ciclo, sente-se mais fraco, envergonhado e confuso. E, ao mesmo tempo, mais preso. A depend\u00eancia emocional aparece nesse momento quase impercept\u00edvel em que o medo de ficar s\u00f3 fala mais alto que o desejo de se respeitar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caso 2: muda o parceiro, repete a submiss\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ana, 35 anos, j\u00e1 teve tr\u00eas relacionamentos longos. De fora, parece algu\u00e9m que \u201csabe terminar\u201d e \u201cn\u00e3o tem medo de recome\u00e7ar\u201d. Mas, olhando de perto, o padr\u00e3o \u00e9 sempre o mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No come\u00e7o, ela \u00e9 segura, independente, cheia de interesses. Com o tempo, come\u00e7a a ceder:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muda hor\u00e1rios para se encaixar no outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abandona hobbies porque ele reclama.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Afasta-se de amigos que \u201cn\u00e3o v\u00e3o com a cara dele\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando o parceiro se irrita, ela corre para \u201cconsertar\u201d. Se ele amea\u00e7a ir embora, ela pede desculpas, mesmo sem saber muito bem do qu\u00ea. No fim de cada rela\u00e7\u00e3o, promete: \u201cNunca mais vou aceitar isso\u201d. Mas, no pr\u00f3ximo relacionamento, depois de alguns meses, volta a viver algo muito parecido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso n\u00e3o quer dizer que Ana \u201cgosta de sofrer\u201d ou \u201cn\u00e3o aprende\u201d. Significa que existe um roteiro interno silencioso dizendo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSe eu n\u00e3o me adaptar totalmente ao outro, ele vai embora.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSe eu colocar limites, vou ficar sozinha.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse roteiro coloca o outro no centro e a pr\u00f3pria vida como algo a ser constantemente diminu\u00eddo para caber no medo de perder.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E voc\u00ea, o que reconhece em si?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora eu te convido a tirar os olhos de Lucas e Ana e olhar um pouco para a sua hist\u00f3ria. N\u00e3o como teste de internet, n\u00e3o como r\u00f3tulo, mas como reflex\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algumas perguntas que podem incomodar, mas tamb\u00e9m abrir caminhos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que voc\u00ea tem sacrificado para n\u00e3o perder essa pessoa?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sono, sa\u00fade, amizades, fam\u00edlia, trabalho, planos seus?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como voc\u00ea se sente ao imaginar, de verdade, a possibilidade de ficar s\u00f3?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vem tristeza? Um vazio sem fundo? P\u00e2nico, como se a vida perdesse o sentido?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando algo te machuca na rela\u00e7\u00e3o, voc\u00ea se cala ou fala?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se se cala, \u00e9 por medo de perder? De \u201cfazer drama\u201d? De ser visto como \u201cdif\u00edcil\u201d?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas perguntas n\u00e3o servem para te condenar, mas para te aproximar de algo essencial: perceber como voc\u00ea participa da pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Autonomia emocional n\u00e3o \u00e9 virar ilha, nem \u201cn\u00e3o precisar de ningu\u00e9m\u201d. \u00c9 poder escolher permanecer, e n\u00e3o apenas se agarrar ao outro por medo do vazio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez voc\u00ea se reconhe\u00e7a um pouco em Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez um pouco em Ana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez em ambos, em momentos diferentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em vez de se perguntar \u201cO que h\u00e1 de errado comigo?\u201d, talvez valha experimentar outra pergunta:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cQue rela\u00e7\u00e3o comigo mesmo(a) eu quero construir, para que meus pr\u00f3ximos v\u00ednculos n\u00e3o sejam apenas a repeti\u00e7\u00e3o da mesma dor com nomes diferentes?\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Idealizador da Ashells Psican\u00e1lise Cl\u00ednica especialista em Depend\u00eancia Emocional<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Whatsapp: (41) 99182-9353<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">e-mail: contato@ashellspsicanalise.com.br<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Psicanalista vice presidente do Instituto Nacional de Psicanalise Clinica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fundador da Ashells Psicanalise Clinica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atua\u00e7\u00e3o com depend\u00eancia emocional, terapia de casais e psicanalista organizacional<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pelo Psicanalista Jackson Shella @psicanalista_Jackson_Shella Nas \u00faltimas semanas, venho falando sobre autonomia emocional. 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