{"id":48740,"date":"2026-05-01T05:21:58","date_gmt":"2026-05-01T08:21:58","guid":{"rendered":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/?p=48740"},"modified":"2026-04-29T10:24:40","modified_gmt":"2026-04-29T13:24:40","slug":"seu-trabalho-respeita-seu-mundo-interno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/seu-trabalho-respeita-seu-mundo-interno\/","title":{"rendered":"Seu trabalho respeita seu mundo interno?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Pelo Psicanalista Jackson Shella<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">@psicanalista_jackson_shella<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quantas horas por semana voc\u00ea trabalha\u2026 por dentro?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o falo s\u00f3 de metas, reuni\u00f5es e entregas. Falo das horas em que voc\u00ea engole o choro para n\u00e3o \u201cpegar mal\u201d, diz \u201csim\u201d com medo de desagradar, finge que est\u00e1 tudo bem, se compara e se sente menor. Esse turno invis\u00edvel tamb\u00e9m \u00e9 trabalho: trabalho emocional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Dia do Trabalhador, eu quero olhar para esse lado esquecido da hist\u00f3ria: o esfor\u00e7o de sustentar a pr\u00f3pria vida emocional num mundo que muitas vezes pede que a gente sinta menos, reclame menos, questione menos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crescemos ouvindo que o forte \u00e9 quem aguenta tudo. Aos poucos, fomos aprendendo que cansa\u00e7o \u00e9 drama, ang\u00fastia \u00e9 frescura, medo \u00e9 fraqueza, tristeza \u00e9 ingratid\u00e3o. Algu\u00e9m diz \u201cestou exausto\u201d e recebe de volta um \u201cainda bem que tem emprego\u201d. Como se, por ter trabalho, perdesse o direito de sofrer com ele. Assim, vamos desconfiando das nossas emo\u00e7\u00f5es e, sem perceber, entregando a chave da nossa autonomia afetiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando falo em autonomia afetiva, n\u00e3o estou falando de ser frio ou blindado. Estou falando de algo mais simples e mais honesto: conseguir reconhecer o que sinto, assumir isso para mim e escolher, com alguma liberdade, o que fa\u00e7o a partir da\u00ed. N\u00e3o controlo o que sinto, mas posso deixar de ser ref\u00e9m disso \u2014 e, principalmente, deixar de ser ref\u00e9m do olhar do outro sobre o que eu deveria sentir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No mundo do trabalho, n\u00e3o vendemos s\u00f3 tempo: muitas vezes oferecemos autoestima, identidade, valor. Se tudo vai bem, eu me sinto competente; se algo falha, me sinto um desastre. A luta por condi\u00e7\u00f5es dignas de trabalho tamb\u00e9m \u00e9, no fundo, uma luta por dignidade ps\u00edquica. N\u00e3o adianta ter sal\u00e1rio e f\u00e9rias se, por dentro, vivo me tratando como um chefe abusivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pensa comigo: dentro de voc\u00ea existe uma esp\u00e9cie de empresa interna. Voc\u00ea \u00e9 o chefe que cobra, o funcion\u00e1rio que executa, o RH que acolhe (ou n\u00e3o), o juiz que julga. Muitas vezes esse \u201cchefe interno\u201d grita, chama de burro, diz que voc\u00ea nunca \u00e9 suficiente. O \u201cRH interno\u201d desqualifica o sofrimento: \u201cisso \u00e9 frescura\u201d. O \u201cjuiz interno\u201d s\u00f3 condena. Se essa empresa tratasse um funcion\u00e1rio como voc\u00ea se trata, seria caso para processo trabalhista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao mesmo tempo, vamos terceirizando nossa vida emocional: deixamos que o chefe diga se somos competentes, que o outro diga se temos valor, que as redes decidam se somos interessantes. A autonomia come\u00e7a quando, por dentro, voc\u00ea come\u00e7a a dizer: eu posso ouvir, considerar, aprender\u2026 mas quem decide o que fa\u00e7o com o que sinto sou eu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em homenagem ao Dia do Trabalhador, gosto de pensar a autonomia afetiva como uma s\u00e9rie de pequenos direitos internos. O direito a um intervalo emocional: n\u00e3o responder tudo na hora, poder dizer \u201ceu preciso pensar\u201d. O direito de sentir antes de explicar: reconhecer \u201cestou triste\u201d, \u201cestou irritado\u201d sem se xingar por isso. O direito de n\u00e3o ser produtivo o tempo todo, sem se confundir com o pr\u00f3prio desempenho. O direito de dizer \u201cn\u00e3o\u201d sem escrever um longo texto justificando. O direito \u00e0 d\u00favida: n\u00e3o saber ainda o que quer, e isso n\u00e3o ser prova de fracasso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Autonomia afetiva n\u00e3o \u00e9 solid\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 \u201cn\u00e3o preciso de ningu\u00e9m\u201d. \u00c9 justamente o contr\u00e1rio: poder pedir ajuda sem se sentir menor, poder dizer \u201cn\u00e3o estou bem\u201d sem vergonha. Assim como no trabalho ningu\u00e9m constr\u00f3i nada completamente sozinho, no mundo interno tamb\u00e9m n\u00e3o. Terapia, boas conversas, espa\u00e7os de escuta s\u00e3o formas de fortalecer, e n\u00e3o de roubar, a sua autonomia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu tamb\u00e9m quero homenagear o trabalhador invis\u00edvel dentro de voc\u00ea: aquele que, cansado, continua tentando; que pensa em desistir, mas ainda assim levanta; que come\u00e7ou, meio tr\u00eamulo, a dizer alguns \u201cn\u00e3os\u201d; que \u00e0s vezes admite, mesmo em sil\u00eancio, \u201ceu n\u00e3o estou bem\u201d. Isso tamb\u00e9m \u00e9 trabalho. Trabalho afetivo. E talvez seja o mais decisivo de todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Te deixo um convite simples: em algum momento, fa\u00e7a um pequeno \u201cdia do trabalhador interno\u201d. Pergunte a si mesmo, com honestidade: onde tenho me explorado emocionalmente? Em que ponto tenho trabalhado contra mim? Que pequeno direito interno eu posso come\u00e7ar a reivindicar hoje?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se o Dia do Trabalho nos lembra da import\u00e2ncia de condi\u00e7\u00f5es justas por fora, que tamb\u00e9m nos inspire a buscar condi\u00e7\u00f5es mais humanas por dentro. Porque voc\u00ea \u00e9, ao mesmo tempo, o trabalhador e o territ\u00f3rio. E talvez a grande conquista seja essa: n\u00e3o apenas trabalhar para viver, mas aprender a viver sem se abandonar no trabalho \u2014 nem no mundo, nem dentro de si.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Whatsapp: (41) 99182-9353<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">e-mail: contato@ashellspsicanalise.com.br<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Psicanalista vice presidente do Instituto Nacional de Psicanalise Clinica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fundador da Ashells Psicanalise Clinica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atua\u00e7\u00e3o com depend\u00eancia emocional, terapia de casais e psicanalista organizacional<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pelo Psicanalista Jackson Shella @psicanalista_jackson_shella Quantas horas por semana voc\u00ea trabalha\u2026 por dentro? N\u00e3o falo s\u00f3 de metas, reuni\u00f5es e entregas. 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