{"id":49264,"date":"2026-05-13T16:47:28","date_gmt":"2026-05-13T19:47:28","guid":{"rendered":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/?p=49264"},"modified":"2026-05-13T16:48:03","modified_gmt":"2026-05-13T19:48:03","slug":"quem-cuida-de-quem-cuida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/quem-cuida-de-quem-cuida\/","title":{"rendered":"Quem cuida de quem cuida?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">*Por Fernanda Sepe<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">@fernanda.sepe<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, nesse momento, nesse m\u00eas, n\u00f3s precisamos olhar com carinho e com cuidado para quem cuida. Como profissional da \u00e1rea da inclus\u00e3o e m\u00e3o de crian\u00e7a at\u00edpica, convido a fazermos um exerc\u00edcio: aquela m\u00e3e que sempre carrega seu filho nos bra\u00e7os, para cima e para baixo \u2014 terapias, exames, consulta, escola e buscar mais cedo na escola \u2014, uma rotina intensa. Uma rotina que, muitas vezes, obriga esta m\u00e3e a abandonar os pr\u00f3prios sonhos, abandonar os pr\u00f3prios desejos, a pr\u00f3pria carreira e o pr\u00f3prio futuro em nome de algo muito maior: o futuro do seu filho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa m\u00e3e, muitas vezes chamada de guerreira, na verdade est\u00e1 cansada, mas n\u00e3o pode se permitir descansar, n\u00e3o pode se permitir ficar doente, n\u00e3o pode se permitir, muitas vezes, morrer. E esse \u00e9 um assunto muito delicado. A m\u00e3e da crian\u00e7a com defici\u00eancia carrega o mundo nos seus bra\u00e7os, carrega o futuro do seu filho nas suas escolhas, nas suas decis\u00f5es, nas suas lutas di\u00e1rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa m\u00e3e n\u00e3o \u00e9 uma m\u00e3e guerreira, ela n\u00e3o deseja, muitas vezes, receber esse t\u00edtulo. \u00c9 uma m\u00e3e que deseja, mais do que qualquer coisa, que seu filho seja feliz e que ele consiga al\u00e7ar os pr\u00f3prios voos. \u00c9 importante a gente entender isso. Enquanto m\u00e3es de crian\u00e7as t\u00edpicas \u2014 crian\u00e7as sem transtornos, sem defici\u00eancias \u2014 criam expectativas de carreira, de sucesso, de conquistas para nossos filhos, muitas vezes a m\u00e3e at\u00edpica (aquela m\u00e3e daquela crian\u00e7a autista, da crian\u00e7a que usa cadeira de rodas, uma crian\u00e7a com s\u00e9rias dificuldades de aprendizagem) deseja apenas que seu filho aprenda, que seu filho tenha autonomia, que ele se sinta parte de um grupo, de algum lugar, que ele seja feliz e amado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, muitas vezes, profissionais, escola e a pr\u00f3pria fam\u00edlia ajudam com algum cuidado dessa crian\u00e7a, desse filho. Fazem o que podem para que ele alcance algum sucesso, mas \u00e9 a m\u00e3e que carrega o maior peso de todas as lutas e, muitas vezes, de todas as conquistas. E a\u00ed eu deixo a pergunta: essa m\u00e3e que abdicou da pr\u00f3pria vida, dos pr\u00f3prios sonhos, dos pr\u00f3prios desejos para que seu filho pudesse ter os pr\u00f3prios sonhos; essa m\u00e3e que cuida dia e noite; essa m\u00e3e que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 m\u00e3e, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 enfermeira, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 cozinheira, que passou a ser psic\u00f3loga, pedagoga, terapeuta, passou a ser o mundo todo desse filho\u2026 Essa m\u00e3e que lembra, que cuida, que acolhe, que n\u00e3o desiste: quem cuida dessa m\u00e3e?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, no m\u00eas de maio, m\u00eas das M\u00e3es, eu deixo o convite, deixo a sugest\u00e3o, deixo a provoca\u00e7\u00e3o: quantas vezes voc\u00ea deixou de olhar com preconceito? Quantas vezes voc\u00ea deixou de dizer que ela era uma guerreira e realmente foi suporte, foi ajuda, foi apoio?&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quantas vezes voc\u00ea cuidou dela? Quantas vezes voc\u00ea foi a pessoa que permitiu, de alguma forma, que ela olhasse para si e se visse como algu\u00e9m al\u00e9m da m\u00e3e? Quantas vezes voc\u00ea se permitiu ver nessa m\u00e3e algu\u00e9m fr\u00e1gil, algu\u00e9m cansado, algu\u00e9m que precisava apenas de um abra\u00e7o ou algumas horinhas comendo um peda\u00e7o de bolo e tomando um caf\u00e9, batendo um papo, dando risada? Quantas vezes voc\u00ea olhou para essa pessoa como al\u00e9m da m\u00e3e de algu\u00e9m?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">* Fernanda Sepe \u00e9 especialista em desenvolvimento infantil e educa\u00e7\u00e3o, atuando como neuropsicopedagoga cl\u00ednica e institucional e analista do comportamento. Tamb\u00e9m \u00e9 professora de cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e orientadora parental, al\u00e9m de m\u00e3e de 4 filhos t\u00edpicos e at\u00edpicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Por Fernanda Sepe @fernanda.sepe &nbsp; Por isso, nesse momento, nesse m\u00eas, n\u00f3s precisamos olhar com carinho e com cuidado para quem cuida. 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