{"id":49553,"date":"2026-05-29T05:43:35","date_gmt":"2026-05-29T08:43:35","guid":{"rendered":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/?p=49553"},"modified":"2026-05-24T08:46:23","modified_gmt":"2026-05-24T11:46:23","slug":"o-lobo-os-porquinhos-e-as-verdades-que-contamos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/o-lobo-os-porquinhos-e-as-verdades-que-contamos\/","title":{"rendered":"O Lobo, Os Porquinhos e as Verdades que contamos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; *Por Poetisa Thaisy Moraes&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Instagram: @thaisymoraespoetisa<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acho dif\u00edcil que exista um adulto no mundo que n\u00e3o tenha tido acesso \u00e0 hist\u00f3ria dos tr\u00eas porquinhos ou aos seus ensinamentos. Durante s\u00e9culos, a f\u00e1bula alucinante que exp\u00f5e o contraste entre a pregui\u00e7a e o esfor\u00e7o foi contada, sutilmente, para crian\u00e7as de forma l\u00fadica e divertida. Mas, n\u00e3o! Ela nunca falou de porcos, nem sobre lobos serem maus. As hist\u00f3rias sobrevivem ao tempo quando permanecem vivas dentro de n\u00f3s. E quando isto acontece, acredite: muito provavelmente, elas necessitam ser contadas novamente!&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A verdade n\u00e3o dita \u2013 mas com certeza, percebida inconscientemente \u2013 \u00e9 que a bela f\u00e1bula inglesa, nascida da tradi\u00e7\u00e3o oral europeia possivelmente na Idade M\u00e9dia, continua viva porque remete a medos humanos universais. O tal vento que derruba as casas e leva os pertences n\u00e3o \u00e9 somente vento. \u00c9 crise. \u00c9 perda. \u00c9 desesperan\u00e7a. \u00c9 doen\u00e7a. \u00c9 abandono. \u00c9 a pr\u00f3pria vida testando os seus alicerces. \u00c9 aquele instante inevit\u00e1vel e sorrateiro, em que tudo parece tranquilo demais at\u00e9 que, sem aviso, a vida decide testar aquilo que constru\u00edmos. Os contos, embora fantasiados de confetes, n\u00e3o preparam as crian\u00e7as para um mundo ideal. Eles preparam seres humanos para o mundo real.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante muito tempo, ouvimos e contamos apenas uma vers\u00e3o da hist\u00f3ria. E o coitado do lobo sempre teve a sua imagem relacionada ao vil\u00e3o destruidor e maldoso. Uma grande sacada surgiu com certas releituras modernas, como \u00e9 o caso do livro \u201cA Verdadeira Hist\u00f3ria dos Tr\u00eas Porquinhos\u201d, de Jon Scieszka, publicado originalmente em 1989. Nele, decidiram dar ao lobo o direito \u00e0 ampla defesa, j\u00e1 que durante s\u00e9culos \u2013 que me desculpem os juristas \u2013 ele s\u00f3 teve acesso a uma parte do contradit\u00f3rio. O pobre diabo passou anos a fio sufocado pela verdade absoluta. Finalmente, ele p\u00f4de contar a sua vers\u00e3o e, pela primeira vez neste conto, o leitor percebeu que a verdade tem, sim, as suas prefer\u00eancias e, \u00e0s vezes, pode depender de quem conta a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o me leve a mal se o que eu disser soar pretencioso, mas acredito que o maior m\u00e9rito dessas releituras seja dialogar com as pr\u00f3prias lendas: elas tamb\u00e9m humanizam a narrativa. O objetivo de dar voz ao lobo talvez n\u00e3o seja inocent\u00e1-lo, mas revelar a sua humanidade. Afinal, seres humanos t\u00eam atitudes lupinas o tempo todo: justificam os seus erros, suavizam suas crueldades, distorcem inten\u00e7\u00f5es, contam vers\u00f5es convenientes de si mesmos. O lobo personifica os impulsos profundamente humanos \u2013 a fome, o ego, a manipula\u00e7\u00e3o, o desejo de sobreviver a qualquer custo, a necessidade de se sobressair ao outro, a sagacidade, a dissimula\u00e7\u00e3o, a inveja, a vontade de sair ileso, de n\u00e3o ser pego, a necessidade desesperada de parecer inocente diante dos demais. No fundo, ningu\u00e9m deseja ser a mancha, a pedra de engano que foi destapada ou o centro das conversas maldosas da cozinha da firma. Mas isto n\u00e3o \u00e9 infraestrutura b\u00e1sica de constru\u00e7\u00e3o. Est\u00e1 mais para acabamento de outra reflex\u00e3o que ainda est\u00e1 sendo erguida por dentro&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ah! Lembra de passar por aqui na segunda que vem!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; *Thaisy Moraes \u00e9 servidora p\u00fablica municipal respons\u00e1vel pelo setor de Patrim\u00f4nio do Munic\u00edpio de S\u00e3o Carlos\/SC, biom\u00e9dica formada pela Universidade Federal do Piau\u00ed (UFPI), escritora e poetisa h\u00e1 treze anos: \u201cEscrevo h\u00e1 treze anos sobre tristezas e alegrias, e belezas e feiuras, t\u00e3o presentes em nossa condi\u00e7\u00e3o humana.\u201d&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; ** Este material possui imagem ilustrativa feita por Intelig\u00eancia Artificial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; *Por Poetisa Thaisy Moraes&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":49554,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[2,31,224,41],"tags":[],"class_list":["post-49553","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques","category-noticias","category-poemas-reflexoes","category-ultimasnoticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49553","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49553"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49553\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":49555,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49553\/revisions\/49555"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/49554"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49553"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49553"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49553"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}