{"id":49562,"date":"2026-05-24T09:29:12","date_gmt":"2026-05-24T12:29:12","guid":{"rendered":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/?p=49562"},"modified":"2026-05-24T09:30:04","modified_gmt":"2026-05-24T12:30:04","slug":"meu-filho-mudoueagora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/meu-filho-mudoueagora\/","title":{"rendered":"Meu filho mudou&#8230;E agora?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Quando mudan\u00e7as no comportamento merecem aten\u00e7\u00e3o \u2014 e quando fazem parte do crescimento<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Por \u00c9rika Ricci<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existe uma frase que aparece com muita frequ\u00eancia dentro do consult\u00f3rio e que quase sempre vem carregada de preocupa\u00e7\u00e3o, culpa e muitas d\u00favidas:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMeu filho mudou.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0s vezes os pais n\u00e3o conseguem dizer exatamente o que aconteceu. Apenas sentem que alguma coisa j\u00e1 n\u00e3o parece igual. O filho que antes conversava mais agora responde pouco. A crian\u00e7a que parecia leve passou a se irritar com facilidade. O adolescente que participava das atividades da fam\u00edlia come\u00e7ou a se isolar. E ent\u00e3o surge aquela tentativa silenciosa de entender se aquilo \u00e9 apenas uma fase do desenvolvimento ou se existe algo acontecendo emocionalmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez uma das partes mais dif\u00edceis de educar um filho seja justamente perceber que crescer naturalmente envolve mudan\u00e7as. Crian\u00e7as e adolescentes n\u00e3o permanecem iguais ao longo do tempo. Elas amadurecem, constroem novas formas de pensar, buscam mais autonomia, passam a precisar de espa\u00e7os pr\u00f3prios e come\u00e7am a reorganizar a maneira como enxergam o mundo e a si mesmas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, nem toda mudan\u00e7a merece preocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas tamb\u00e9m nem toda mudan\u00e7a deve ser ignorada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E encontrar esse equil\u00edbrio tem se tornado cada vez mais desafiador para as fam\u00edlias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante muito tempo existiu uma ideia de que sofrimento emocional necessariamente apareceria atrav\u00e9s do choro ou de demonstra\u00e7\u00f5es muito evidentes. Hoje sabemos que nem sempre funciona assim. Muitas crian\u00e7as continuam indo para a escola, continuam realizando atividades e continuam aparentando normalidade enquanto emocionalmente j\u00e1 est\u00e3o enfrentando dificuldades importantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algumas come\u00e7am a demonstrar mais irritabilidade do que tristeza. Outras passam a se cobrar excessivamente. Algumas se isolam. Outras ficam mais dependentes emocionalmente dos pais. Existem crian\u00e7as que se tornam extremamente perfeccionistas e adolescentes que parecem perder o interesse por tudo aquilo que antes fazia sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E como essas mudan\u00e7as nem sempre parecem sofrimento \u00e0 primeira vista, muitos pais acabam interpretando como pregui\u00e7a, falta de limite, excesso de sensibilidade ou rebeldia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas sofrimento emocional raramente aparece com um aviso claro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na inf\u00e2ncia e na adolesc\u00eancia ele costuma aparecer atrav\u00e9s do comportamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, mais importante do que observar se o filho mudou \u00e9 observar como essa mudan\u00e7a est\u00e1 acontecendo e qual impacto ela est\u00e1 trazendo para a vida dele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existe diferen\u00e7a entre um adolescente que busca privacidade e um adolescente que se desconecta completamente das rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existe diferen\u00e7a entre uma crian\u00e7a mais introspectiva e uma crian\u00e7a que perdeu o prazer pelas coisas que gostava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existe diferen\u00e7a entre momentos de oscila\u00e7\u00e3o emocional e uma dificuldade persistente que come\u00e7a a afetar escola, v\u00ednculos, autoestima e rotina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao mesmo tempo, tamb\u00e9m precisamos tomar cuidado com um movimento que tem crescido muito: transformar qualquer dificuldade em diagn\u00f3stico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nem toda tristeza significa adoecimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nem toda distra\u00e7\u00e3o representa um transtorno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nem toda inseguran\u00e7a precisa receber um nome cl\u00ednico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sentir desconforto, viver frustra\u00e7\u00f5es e enfrentar mudan\u00e7as tamb\u00e9m faz parte do desenvolvimento humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez o papel dos pais hoje n\u00e3o seja tentar impedir que os filhos mudem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez seja conseguir acompanhar essas mudan\u00e7as sem minimizar sinais importantes e sem interpretar tudo como um problema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porque crescer costuma ampliar experi\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas sofrer, muitas vezes, come\u00e7a diminuindo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diminui a espontaneidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diminui a vontade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diminui a presen\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diminui a capacidade de sentir prazer e seguran\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E quando isso come\u00e7a a acontecer, talvez n\u00e3o seja o momento de corrigir mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez seja o momento de observar mais, escutar mais e permitir que o filho sinta que existe algu\u00e9m disposto a compreender o que est\u00e1 acontecendo antes de oferecer respostas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porque nenhuma crian\u00e7a deveria precisar sofrer em sil\u00eancio para conseguir crescer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9rika Ricci \u00e9 psic\u00f3loga cl\u00ednica com atua\u00e7\u00e3o em psicoterapia infantil, juvenil e orienta\u00e7\u00e3o familiar. Diretora da cl\u00ednica Jardim da Consci\u00eancia e realiza acompanhamento psicol\u00f3gico com foco no desenvolvimento emocional de crian\u00e7as e adolescentes e apoio \u00e0s fam\u00edlias no processo educativo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\ud83d\udcf7 Instagram: @erikaricci.psico<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando mudan\u00e7as no comportamento merecem aten\u00e7\u00e3o \u2014 e quando fazem parte do crescimento Por \u00c9rika Ricci Existe uma frase que aparece com muita frequ\u00eancia dentro do consult\u00f3rio e que quase sempre vem carregada de preocupa\u00e7\u00e3o, culpa e muitas d\u00favidas: \u201cMeu filho mudou.\u201d \u00c0s vezes os pais n\u00e3o conseguem dizer exatamente o que aconteceu. 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