{"id":49677,"date":"2026-05-29T05:30:17","date_gmt":"2026-05-29T08:30:17","guid":{"rendered":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/?p=49677"},"modified":"2026-05-28T15:32:49","modified_gmt":"2026-05-28T18:32:49","slug":"quem-cuida-da-mulher-que-cuida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/quem-cuida-da-mulher-que-cuida\/","title":{"rendered":"Quem cuida da mulher que cuida?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Pelo Psicanalista Jackson Shella<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">@psicanalista_jackson_shella<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pergunta parece simples, mas ela toca em algo profundo na vida de muitas mulheres: quem olha para voc\u00ea enquanto voc\u00ea olha para todo mundo? Autonomia emocional n\u00e3o \u00e9 sobre se fechar, n\u00e3o precisar de ningu\u00e9m ou fingir for\u00e7a o tempo todo. \u00c9 sobre seguir cuidando, amando, se envolvendo, mas sem se abandonar nesse caminho. Na sa\u00fade da mulher, falamos muito de exames, alimenta\u00e7\u00e3o, sono, atividade f\u00edsica \u2013 tudo isso \u00e9 fundamental. Mas existe um outro eixo de cuidado, silencioso e poderoso, que passa pela forma como voc\u00ea se coloca nas rela\u00e7\u00f5es: o quanto voc\u00ea consegue dizer \u201cisso eu quero\u201d, \u201cisso eu n\u00e3o dou conta\u201d, \u201cassim me machuca\u201d, sem se sentir culpada por existir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez voc\u00ea se reconhe\u00e7a em algumas cenas do dia a dia: voc\u00ea diz \u201ct\u00e1 tudo bem\u201d quando, na verdade, o corpo est\u00e1 gritando cansa\u00e7o. Ri de coment\u00e1rios que te ferem para n\u00e3o parecer \u201csens\u00edvel demais\u201d. Assume mais uma tarefa no trabalho ou em casa, mesmo j\u00e1 exausta, para n\u00e3o decepcionar ningu\u00e9m. \u00c0s vezes, a frase \u201cdeixa, eu fa\u00e7o\u201d vem mais r\u00e1pido do que o pr\u00f3prio pensamento. E, quando finalmente para, \u00e9 como se n\u00e3o sobrasse tempo nem energia para se escutar. Isso n\u00e3o acontece porque voc\u00ea \u201cn\u00e3o sabe se cuidar\u201d, mas porque aprendeu, desde cedo, que ser uma \u201cboa mulher\u201d \u00e9 dar conta de tudo: maternidade, carreira, casa, relacionamento, fam\u00edlia, corpo, humor\u2026 e ainda sorrir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 que o corpo n\u00e3o negocia. Ele avisa: na ins\u00f4nia, na ansiedade que aperta o peito, na tristeza que n\u00e3o passa, nas dores que n\u00e3o encontram explica\u00e7\u00e3o clara nos exames. Muitas vezes, o que adoece n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o excesso de tarefas, mas o excesso de sil\u00eancios: coisas engolidas, sentimentos guardados, limites ultrapassados. Autonomia afetiva \u00e9 justamente come\u00e7ar a ouvir esses sinais sem se tratar como exagero. \u00c9 parar de se desmentir. Em vez de \u201cn\u00e3o \u00e9 nada\u201d, tentar dizer a si mesma: \u201c\u00e9 algo, sim, e eu preciso olhar para isso\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desenvolver autonomia emocional \u00e9 um processo, e ele come\u00e7a com passos pequenos e, ao mesmo tempo, potentes. Um deles \u00e9 dar nome ao que voc\u00ea sente. Parece simples, mas n\u00e3o \u00e9 trivial. Reconhecer: \u201cestou com raiva\u201d, \u201cestou com medo\u201d, \u201cestou magoada\u201d, \u201cestou cansada\u201d, \u201cestou feliz e n\u00e3o quero abrir m\u00e3o disso hoje\u201d. Quando voc\u00ea nomeia, o sentimento deixa de ser um peso amorfo e se transforma em algo com o qual \u00e9 poss\u00edvel dialogar. Outro passo \u00e9 questionar os roteiros prontos: quantas decis\u00f5es suas v\u00eam acompanhadas da frase \u201cporque uma boa m\u00e3e\/parceira\/profissional deve\u2026\u201d? Vale se perguntar: isso realmente faz sentido para mim, hoje? Ou \u00e9 apenas um script antigo que eu continuo obedecendo sem perceber?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 tamb\u00e9m o treino, nem sempre f\u00e1cil, de dizer \u201cn\u00e3o\u201d sem escrever um romance de desculpas. Dizer \u201cagora n\u00e3o posso\u201d, \u201cisso eu n\u00e3o dou conta\u201d, \u201cn\u00e3o quero dessa forma\u201d \u00e9 um ato de cuidado com a pr\u00f3pria sa\u00fade. Voc\u00ea n\u00e3o se torna menos amorosa por ter limites; na verdade, limites claros permitem que o seu cuidado seja mais verdadeiro, e n\u00e3o sustentado por exaust\u00e3o e ressentimento. Amar n\u00e3o \u00e9 aceitar tudo, nem viver com medo constante de desagradar, de ser abandonada, de ser criticada. Onde o medo \u00e9 permanente, a rela\u00e7\u00e3o deixa de ser abrigo e vira amea\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Buscar espa\u00e7os de escuta segura tamb\u00e9m faz parte dessa constru\u00e7\u00e3o: terapia, grupos de apoio, rodas de conversa, amigas com quem seja poss\u00edvel falar sem medo de julgamento. Lugares em que voc\u00ea possa existir inteira, sem a m\u00e1scara da \u201cmulher que aguenta tudo\u201d. Autonomia emocional n\u00e3o \u00e9 um ato solit\u00e1rio de hero\u00edsmo; ela cresce quando voc\u00ea \u00e9 escutada e, ao mesmo tempo, come\u00e7a a se escutar com mais gentileza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste Dia Internacional da Sa\u00fade da Mulher, talvez o maior gesto de homenagem a si mesma seja incluir a sua autonomia afetiva no seu conceito de sa\u00fade. Pensar que se cuidar n\u00e3o \u00e9 apenas fazer check-up, mas tamb\u00e9m revisar quais rela\u00e7\u00f5es te fortalecem e quais te esvaziam, em que momentos voc\u00ea se sente vista e em quais voc\u00ea desaparece um pouco para caber nas expectativas alheias. Se, depois de ler este texto, voc\u00ea se fizer ao menos uma pergunta honesta \u2013 \u201cem que lugar da minha vida eu tenho me abandonado?\u201d \u2013 um movimento importante j\u00e1 come\u00e7ou. E movimentos assim, ainda que discretos, mudam trajet\u00f3rias inteiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem cuida da mulher que cuida? A resposta, aos poucos, pode passar tamb\u00e9m por voc\u00ea mesma. N\u00e3o para dar conta de tudo sozinha, mas para n\u00e3o se perder de si enquanto cuida, ama e se doa. Porque a sua hist\u00f3ria, o seu corpo e o seu cora\u00e7\u00e3o merecem um lugar de prioridade na sua pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Whatsapp: (41) 99182-9353<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">e-mail: contato@ashellspsicanalise.com.br<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Psicanalista vice presidente do Instituto Nacional de Psicanalise Clinica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fundador da Ashells Psicanalise Clinica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atua\u00e7\u00e3o com depend\u00eancia emocional, terapia de casais e psicanalista organizacional<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pelo Psicanalista Jackson Shella @psicanalista_jackson_shella A pergunta parece simples, mas ela toca em algo profundo na vida de muitas mulheres: quem olha para voc\u00ea enquanto voc\u00ea olha para todo mundo? 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