{"id":49915,"date":"2026-06-05T05:12:23","date_gmt":"2026-06-05T08:12:23","guid":{"rendered":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/?p=49915"},"modified":"2026-06-04T12:15:32","modified_gmt":"2026-06-04T15:15:32","slug":"corpus-christi-como-metafora-da-independencia-afetiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/corpus-christi-como-metafora-da-independencia-afetiva\/","title":{"rendered":"Corpus Christi como Met\u00e1fora da Independ\u00eancia Afetiva"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Pelo Psicanalista Jackson Shella<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">@psicanalista_jackson_shella<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando eu era crian\u00e7a, eu achava Corpus Christi uma data meio misteriosa. Aqueles tapetes coloridos na rua, o sil\u00eancio meio diferente do dia, as pessoas andando devagar, como se estivessem carregando algo invis\u00edvel. Hoje, quando penso em autonomia afetiva, essa imagem volta com for\u00e7a: uma caminhada, um corpo em movimento, um caminho que se desenha aos poucos, passo a passo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quero te convidar a olhar para Corpus Christi n\u00e3o s\u00f3 como uma festa religiosa, mas como uma met\u00e1fora bonita da nossa independ\u00eancia emocional. N\u00e3o importa se voc\u00ea \u00e9 religioso ou n\u00e3o; o s\u00edmbolo aqui \u00e9 outro: um corpo que se reconhece, um caminho que se constr\u00f3i, uma presen\u00e7a que ocupa espa\u00e7o no mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pensa comigo: por muitos momentos da vida, a gente entrega o pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o como se fosse um tapete para o outro passar. A gente se molda, se encolhe, se adapta, com medo de perder amor, aprova\u00e7\u00e3o, companhia. Vai apagando os pr\u00f3prios contornos para caber no molde de algu\u00e9m. E, no come\u00e7o, parece bonito: \u201colha como eu me dou, como eu me sacrifico, como eu amo\u201d. Mas, l\u00e1 dentro, um inc\u00f4modo come\u00e7a a sussurrar: \u201ce eu, onde fico nisso tudo?\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Autonomia afetiva n\u00e3o \u00e9 erguer um muro e dizer \u201cn\u00e3o preciso de ningu\u00e9m\u201d. \u00c9 outra coisa. \u00c9 reconhecer que eu me v\u00ednculo, me apego, amo, sofro, desejo, sinto falta \u2013 mas que eu n\u00e3o desapare\u00e7o dentro de ningu\u00e9m. \u00c9 compreender que eu posso dividir o p\u00e3o, mas n\u00e3o posso entregar o meu corpo ps\u00edquico inteiro para o outro administrar. Eu posso caminhar ao lado, mas n\u00e3o posso deixar que o outro escolha todas as minhas dire\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se Corpus Christi fala de um corpo oferecido, a autonomia afetiva nos convida a uma pergunta delicada: at\u00e9 que ponto o que eu ofere\u00e7o \u00e9 amor e, a partir de que ponto, j\u00e1 \u00e9 abandono de mim? Eu me dou\u2026 ou me desfa\u00e7o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0s vezes, essa fronteira s\u00f3 aparece quando d\u00f3i. Quando a gente percebe que vive \u00e0 espera de uma mensagem, de um elogio, de um reconhecimento que n\u00e3o vem. Quando a nossa paz fica ref\u00e9m da rea\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m. \u00c9 como se a nossa alma estivesse sempre diante de um altar alheio, esperando uma migalha de b\u00ean\u00e7\u00e3o: \u201cme v\u00ea?\u201d, \u201cme escolhe?\u201d, \u201cme confirma?\u201d. E, se n\u00e3o vem, a gente desmorona.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Autonomia afetiva come\u00e7a quando eu recolho, com carinho, essas partes de mim que eu fui deixando espalhadas por a\u00ed. Quando eu percebo que a minha dignidade n\u00e3o pode ficar nas m\u00e3os do humor de ningu\u00e9m. Quando eu entendo que amar n\u00e3o \u00e9 me anular, e que cuidar de mim n\u00e3o \u00e9 ego\u00edsmo \u2013 \u00e9 responsabilidade b\u00e1sica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, o caminho de Corpus Christi me inspira como imagem: uma prociss\u00e3o interna. Um movimento silencioso em que eu vou, de dentro para fora, reconhecendo cada peda\u00e7o de mim que eu tinha esquecido. Meu medo, minha vergonha, meu desejo, minha raiva, minha ternura. Tudo isso faz parte do meu corpo ps\u00edquico. Tudo isso \u00e9 \u201ceu\u201d. E, quando eu acolho esse corpo inteiro \u2013 com suas faltas, culpas, hist\u00f3rias mal resolvidas \u2013 eu come\u00e7o a experimentar uma presen\u00e7a mais firme em mim mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Autonomia afetiva n\u00e3o \u00e9 um estado acabado, \u00e9 um exerc\u00edcio di\u00e1rio. \u00c9 dizer \u201csim\u201d sem me violentar e \u201cn\u00e3o\u201d sem me culpar. \u00c9 poder estar com o outro por escolha, e n\u00e3o por desespero. \u00c9 permitir que o outro v\u00e1 sem que eu precise me destruir para acompanh\u00e1-lo. \u00c9 sentir dor, mas n\u00e3o implodir. \u00c9 chorar, mas n\u00e3o se abandonar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez hoje, em vez de tapetes na rua, voc\u00ea possa imaginar um caminho dentro de voc\u00ea. Passo a passo, voc\u00ea se pergunta: \u201conde \u00e9 que eu me traio?\u201d, \u201conde eu me silenciei demais?\u201d, \u201conde eu aceitei migalha achando que era banquete?\u201d. N\u00e3o para se julgar, mas para se encontrar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na coluna \u201cautonomia afetiva\u201d, \u00e9 isso que eu quero caminhar com voc\u00ea: n\u00e3o te dizer como viver, mas te acompanhar na tarefa de se pertencer. Porque, no fim das contas, a maior independ\u00eancia afetiva \u00e9 essa: poder amar o outro sem se perder de si.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se esse tema te tocou e voc\u00ea sente que est\u00e1 na hora de reorganizar esse caminho interno, seguimos conversando. Voc\u00ea pode me escrever, compartilhar sua experi\u00eancia, ou continuar me ouvindo por aqui, semana ap\u00f3s semana. A ideia \u00e9 simples: transformar nossa forma de se relacionar \u2013 consigo, com o outro e com o mundo \u2013 pela escuta, consci\u00eancia e, quem sabe, alguns bons resultados na arte de viver consigo mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Whatsapp: (41) 99182-9353<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">e-mail: contato@ashellspsicanalise.com.br<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Psicanalista vice presidente do Instituto Nacional de Psicanalise Clinica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fundador da Ashells Psicanalise Clinica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atua\u00e7\u00e3o com depend\u00eancia emocional, terapia de casais e psicanalista organizacional<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pelo Psicanalista Jackson Shella @psicanalista_jackson_shella Quando eu era crian\u00e7a, eu achava Corpus Christi uma data meio misteriosa. 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