{"id":50146,"date":"2026-06-12T05:43:58","date_gmt":"2026-06-12T08:43:58","guid":{"rendered":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/?p=50146"},"modified":"2026-06-11T06:46:21","modified_gmt":"2026-06-11T09:46:21","slug":"eu-comigo-eu-contigo-o-outro-lado-do-dia-dos-namorados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/eu-comigo-eu-contigo-o-outro-lado-do-dia-dos-namorados\/","title":{"rendered":"Eu comigo, eu contigo, o outro lado do Dia dos Namorados"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Pelo Psicanalista Jackson Shella<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">@psicanalista_jackson_shella<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje eu queria te convidar a fazer um pequeno experimento comigo: falar de Dia dos Namorados sem falar s\u00f3 de casal perfeito, mesa de restaurante lotado e cora\u00e7\u00e3ozinho vermelho. Falar de amor, sim. Mas tamb\u00e9m de um tipo de amor que a gente costuma esquecer: aquele que come\u00e7a em casa, dentro da gente. \u00c9 a\u00ed que entra a tal da autonomia afetiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez voc\u00ea esteja em um relacionamento, esperando uma mensagem especial, um jantar, um gesto que prove que voc\u00ea \u00e9 importante. Talvez voc\u00ea esteja solteiro, fingindo que n\u00e3o liga para a data, mas se pega comparando a pr\u00f3pria vida com o feed alheio. Seja como for, tem um ponto comum: o quanto voc\u00ea coloca a sua paz, a sua alegria, nas m\u00e3os de outra pessoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Autonomia afetiva n\u00e3o \u00e9 frieza, nem desapego radical. N\u00e3o \u00e9 aquela pose de \u201cn\u00e3o preciso de ningu\u00e9m\u201d que, no fundo, esconde medo de se machucar. Autonomia afetiva \u00e9 outra coisa: \u00e9 gostar de estar com algu\u00e9m sem deixar de estar com voc\u00ea. \u00c9 poder amar sem se abandonar. \u00c9 conseguir dizer \u201ceu quero voc\u00ea\u201d sem que isso se transforme em \u201ceu n\u00e3o existo sem voc\u00ea\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Repara como a gente foi educado, direta ou indiretamente, a acreditar que um dia algu\u00e9m viria \u201cnos completar\u201d. A frase \u00e9 bonita, mas perigosa. Porque, se o outro completa, o que sobra quando ele vai embora? Metade de gente? Um peda\u00e7o de vida pela metade? A autonomia afetiva, ao contr\u00e1rio, parte de outro lugar: eu sou inteiro, voc\u00ea \u00e9 inteiro, e a gra\u00e7a est\u00e1 em caminhar lado a lado, n\u00e3o grudado por necessidade, mas conectado por escolha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez voc\u00ea j\u00e1 tenha vivido algo assim: esperar a mensagem que n\u00e3o chega, aceitar menos do que voc\u00ea merece s\u00f3 para n\u00e3o \u201cperder\u201d a pessoa, engolir choro, engolir opini\u00e3o, engolir a pr\u00f3pria vontade, tudo com medo de ficar sozinho. A conta \u00e9 simples e cruel: para manter o outro, a gente vai se perdendo da gente. Quando percebe, est\u00e1 vivendo um amor que at\u00e9 tem algu\u00e9m, mas n\u00e3o tem mais voc\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Autonomia afetiva \u00e9 justamente come\u00e7ar a inverter essa equa\u00e7\u00e3o. \u00c9 conseguir se perguntar: \u201cO que eu sinto?\u201d, \u201cO que eu quero?\u201d, \u201cO que me faz bem de verdade?\u201d e levar essas respostas a s\u00e9rio. \u00c9 parar de aceitar qualquer migalha em nome de um \u201camor\u201d que, se voc\u00ea observar com carinho, machuca mais do que acolhe. \u00c9 reconhecer que sentir falta de algu\u00e9m \u00e9 humano, mas se faltar a si mesmo \u00e9 uma viol\u00eancia silenciosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso n\u00e3o significa, nem de longe, viver num relacionamento sem conflitos, como se voc\u00ea fosse um ser iluminado, resolvido, zen 24 horas por dia. Autonomia afetiva tamb\u00e9m cansa, tamb\u00e9m chora, tamb\u00e9m sente ci\u00fames, medo, inseguran\u00e7a. A diferen\u00e7a \u00e9 que, em vez de jogar tudo isso no colo do outro e dizer \u201cconserta aqui\u201d, voc\u00ea come\u00e7a a se responsabilizar pelo que sente. Voc\u00ea pode pedir ajuda, pode pedir abra\u00e7o, pode pedir presen\u00e7a. Mas n\u00e3o entrega a chave da sua autoestima na m\u00e3o de ningu\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um relacionamento saud\u00e1vel, em qualquer Dia dos Namorados, \u00e9 aquele em que duas pessoas podem se escolher sem se possuir. Podem cuidar uma da outra sem se anular. Podem se apoiar sem se afundar juntas. Podem ter planos em comum, mas tamb\u00e9m ter vida pr\u00f3pria, desejos pr\u00f3prios, momentos de solid\u00e3o escolhida, que n\u00e3o s\u00e3o sinal de rejei\u00e7\u00e3o, mas de maturidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E se voc\u00ea estiver solteiro hoje, a autonomia afetiva talvez seja um dos maiores presentes que voc\u00ea pode se dar. N\u00e3o como discurso de autoajuda barata, mas como pr\u00e1tica concreta: se tratar com gentileza, respeitar seus limites, n\u00e3o se enfiar em qualquer hist\u00f3ria s\u00f3 para passar o Dia dos Namorados acompanhado. Tem solid\u00e3o que \u00e9 ferida, eu sei. Mas tem solid\u00e3o que \u00e9 \u00fatero: lugar de gestar uma vers\u00e3o mais honesta de si.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0s vezes, o verdadeiro \u201cfeliz Dia dos Namorados\u201d come\u00e7a quando voc\u00ea para de esperar que algu\u00e9m venha te salvar da sua pr\u00f3pria vida. E passa a se perguntar: \u201cQue tipo de rela\u00e7\u00e3o eu quero ter comigo, antes de querer qualquer rela\u00e7\u00e3o com outra pessoa?\u201d. Porque, no fim, a forma como voc\u00ea se trata cria o molde de como voc\u00ea permite que os outros te tratem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta coluna sobre autonomia afetiva, o meu convite \u00e9 simples e, ao mesmo tempo, profundo: que voc\u00ea use esse Dia dos Namorados, esteja ou n\u00e3o em um relacionamento, como um espelho. N\u00e3o para se julgar, mas para se ver com mais sinceridade. Em vez de s\u00f3 perguntar \u201cquem me ama?\u201d, experimentar perguntar \u201ccomo eu tenho me amado?\u201d. E, silenciosamente, ir reformulando o jeito como voc\u00ea se coloca no mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se o amor \u00e9 encontro, que ele comece pelo encontro mais dif\u00edcil e mais transformador: o encontro entre voc\u00ea e voc\u00ea mesmo. A partir da\u00ed, qualquer outro amor que chegar n\u00e3o vem para te completar, mas para caminhar ao seu lado \u2014 e isso, sim, \u00e9 um presente \u00e0 altura da sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E voc\u00ea, como quer se encontrar com voc\u00ea hoje?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Whatsapp: (41) 99182-9353<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">e-mail: contato@ashellspsicanalise.com.br<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Psicanalista vice presidente do Instituto Nacional de Psicanalise Clinica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fundador da Ashells Psicanalise Clinica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atua\u00e7\u00e3o com depend\u00eancia emocional, terapia de casais e psicanalista organizacional<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pelo Psicanalista Jackson Shella @psicanalista_jackson_shella Hoje eu queria te convidar a fazer um pequeno experimento comigo: falar de Dia dos Namorados sem falar s\u00f3 de casal perfeito, mesa de restaurante lotado e cora\u00e7\u00e3ozinho vermelho. 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