{"id":50602,"date":"2026-06-24T15:49:18","date_gmt":"2026-06-24T18:49:18","guid":{"rendered":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/?p=50602"},"modified":"2026-06-24T15:49:18","modified_gmt":"2026-06-24T18:49:18","slug":"tenho-que-comunicar-o-dia-da-festa-junina-se-o-pai-do-meu-filho-nunca-participa-de-nada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/tenho-que-comunicar-o-dia-da-festa-junina-se-o-pai-do-meu-filho-nunca-participa-de-nada\/","title":{"rendered":"Tenho que comunicar o dia da festa junina, se o pai do meu filho nunca participa de nada?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Por Valqu\u00edria Gomes da Silva<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">@valquiriagomes.adv<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa \u00e9 uma das perguntas que mais escuto no escrit\u00f3rio. E sempre, ela vem acompanhada de um desabafo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDra., ele n\u00e3o pergunta da escola, n\u00e3o vai \u00e0s reuni\u00f5es, sequer sabe o nome da professora. N\u00e3o paga a pens\u00e3o em dia, n\u00e3o participa das consultas m\u00e9dicas. Ou seja, ele n\u00e3o participa de nada da vida do filho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E ent\u00e3o surge a d\u00favida: se o pai n\u00e3o participa de nada da vida da crian\u00e7a, a m\u00e3e \u00e9 obrigada a avisar sobre a festa junina da escola, apresenta\u00e7\u00e3o de dan\u00e7a, reuni\u00e3o de pais e outros eventos escolares?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Juridicamente, a resposta \u00e9: em regra, sim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fato de um do genitor ser ausente ou pouco participativo n\u00e3o retira automaticamente seu direito \u2014 e tamb\u00e9m seu dever \u2014 de acompanhar a vida do filho. Porque a conviv\u00eancia familiar \u00e9 um direito da crian\u00e7a e n\u00e3o um privil\u00e9gio dos pais. Por esse motivo, quando existe guarda compartilhada, ambos os genitores devem ter acesso \u00e0s informa\u00e7\u00f5es relevantes sobre educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e desenvolvimento dos filhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas isso n\u00e3o significa que a m\u00e3e deva implorar pela participa\u00e7\u00e3o do pai ou insistir, convencer e correr atr\u00e1s dele para que exer\u00e7a sua fun\u00e7\u00e3o paterna.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que a m\u00e3e n\u00e3o pode \u00e9 impedir o acesso \u00e0s informa\u00e7\u00f5es. Contudo, tamb\u00e9m n\u00e3o pode ser responsabilizada pela falta de interesse daquele que recebe a informa\u00e7\u00e3o e decide n\u00e3o comparecer, porque existe uma grande diferen\u00e7a entre informar e responsabilizar-se pela omiss\u00e3o do outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitas mulheres acabam desistindo de comunicar determinados eventos porque, afinal, s\u00e3o elas que acordam cedo, acompanham tarefas escolares, levam ao m\u00e9dico, participam das reuni\u00f5es, organizam fantasias e administram toda a rotina dos filhos e, depois de tudo isso, surge um sentimento compreens\u00edvel de revolta: \u201cPor que eu tenho que avisar algu\u00e9m que nunca participa?\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E a resposta est\u00e1 no melhor interesse da crian\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A crian\u00e7a tem o direito de construir sua pr\u00f3pria percep\u00e7\u00e3o sobre o comportamento dos pais. Quando a m\u00e3e comunica adequadamente e o pai n\u00e3o comparece, a responsabilidade pela aus\u00eancia recai sobre ele. Por outro lado, quando a m\u00e3e n\u00e3o comunica, abre-se espa\u00e7o para conflitos, acusa\u00e7\u00f5es e interpreta\u00e7\u00f5es equivocadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso n\u00e3o significa que a m\u00e3e \u00e9 secret\u00e1ria do pai. Uma simples mensagem informando data, hor\u00e1rio e local do evento costuma ser suficiente. A partir da\u00ed, cabe ao pai decidir se participar\u00e1 ou n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m \u00e9 importante lembrar que a aus\u00eancia reiterada do pai pode ter consequ\u00eancias jur\u00eddicas. Embora ningu\u00e9m possa ser obrigado a amar ou demonstrar afeto, o abandono afetivo e a neglig\u00eancia parental podem ser analisados pelo Poder Judici\u00e1rio em determinadas circunst\u00e2ncias, especialmente quando causam preju\u00edzos ao desenvolvimento ps\u00edquico da crian\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A reflex\u00e3o mais profunda \u00e9 outra: por que ainda existem tantas mulheres carregando sozinhas responsabilidades que deveriam ser compartilhadas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto milhares de m\u00e3es organizam fantasias, compram prendas, ajudam nas tarefas escolares e acompanham cada fase da inf\u00e2ncia dos filhos, muitos pais continuam aparecendo apenas quando lhes conv\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E \u00e9 justamente por isso que a comunica\u00e7\u00e3o deve existir. N\u00e3o para beneficiar o pai ausente, mas para proteger a crian\u00e7a e evitar que a m\u00e3e seja injustamente responsabilizada por uma aus\u00eancia que n\u00e3o foi ela quem escolheu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Informar \u00e9 um ato de responsabilidade parental. Participar \u00e9 uma escolha. E cada adulto deve responder pelas escolhas que faz na vida dos pr\u00f3prios filhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Valqu\u00edria Gomes da Silva @valquiriagomes.adv Essa \u00e9 uma das perguntas que mais escuto no escrit\u00f3rio. E sempre, ela vem acompanhada de um desabafo. \u201cDra., ele n\u00e3o pergunta da escola, n\u00e3o vai \u00e0s reuni\u00f5es, sequer sabe o nome da professora. N\u00e3o paga a pens\u00e3o em dia, n\u00e3o participa das consultas m\u00e9dicas. 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