{"id":50669,"date":"2026-06-26T05:04:26","date_gmt":"2026-06-26T08:04:26","guid":{"rendered":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/?p=50669"},"modified":"2026-06-25T19:06:52","modified_gmt":"2026-06-25T22:06:52","slug":"o-lobo-o-vento-e-as-escolhas-que-fazemos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/o-lobo-o-vento-e-as-escolhas-que-fazemos\/","title":{"rendered":"O Lobo, O Vento e as Escolhas que fazemos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; *Por Poetisa Thaisy Moraes&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;@thaisymoraespoetisa<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 aqui, vencido certo lapso temporal, falamos sobre o lobo. Mas toda narrativa que aponta um vil\u00e3o, inevitavelmente, cria tamb\u00e9m os seus her\u00f3is. E \u00e9 por isso que os tr\u00eas porquinhos deixam de ser somente personagens \u2014 e \u00e9 justamente aqui que a hist\u00f3ria fica desconfortavelmente interessante. Aqueles tr\u00eas porquinhos jovens, inocentes, rosados e fofinhos tinham uma origem comum: os mesmos pais, av\u00f3s e tatarav\u00f3s. Cresceram sob o mesmo teto, foram ensinados e amados de forma parecida e contemplaram o mundo pela familiar janela de sempre. Conheciam os mesmos perigos, os mesmos medos, as mesmas assombra\u00e7\u00f5es.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda assim, sa\u00edram da mesma casa, e fizeram escolhas completamente diferentes diante da vida. Reagiram ao vento de formas e com ferramentas diferentes. Armaram-se perante esta for\u00e7a da natureza com os materiais que entenderam serem \u00fateis e efetivos no momento da constru\u00e7\u00e3o de sua base, de seu lar. Sobre isso, \u00e9 verdade que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel prever a velocidade e a f\u00faria com que o vento bater\u00e1 em nossas casas. Mas cada um, \u00e0 sua maneira, construiu. Isto \u00e9 fato. E \u00e9 exatamente neste ponto do conto que a antiga literatura fant\u00e1stica, de forma cir\u00fargica, deixa de ser apenas f\u00e1bula para se revelar um retrato silencioso da pr\u00f3pria sociedade.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro porquinho habita o imediatismo e defende a ideia da rapidez, do conforto e da leveza para a constru\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria casa. Segundo o seu pr\u00f3prio depoimento, ela precisa ficar pronta logo para que tenha tempo de sobra para o descanso di\u00e1rio, o beijo da namorada, a cerveja da sexta-feira com os amigos e o churrasco do final de semana com a fam\u00edlia. O material escolhido, naturalmente, ser\u00e1 a palha: quase n\u00e3o exige esfor\u00e7o para carregar e permite que, em um curto intervalo, haja material suficiente para a constru\u00e7\u00e3o. Otimiza\u00e7\u00e3o do tempo e do esfor\u00e7o; precariza\u00e7\u00e3o da consist\u00eancia e da qualidade do material. Ele \u00e9 aquele tipo de porquinho que ignora as rachaduras enquanto o c\u00e9u ainda est\u00e1 limpo. Representa a parte humana que cr\u00ea que o amanh\u00e3 pode esperar, que prefere o prazer r\u00e1pido ao esfor\u00e7o duradouro. Pode-se dizer que este nobre su\u00edno \u2014 infeliz diabo \u2014 est\u00e1 mais interessado no prazer imediato do que nas consequ\u00eancias do porvir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O segundo porquinho \u00e9 um pouco mais sensato e habilidoso no racioc\u00ednio. Consegue analisar melhor a subst\u00e2ncia da pr\u00f3pria constru\u00e7\u00e3o; afinal de contas, \u00e9 necess\u00e1rio considerar as estruturas. Utiliza a madeira, material que demanda mais tempo para a extra\u00e7\u00e3o, mais trabalho e maior responsabilidade. Ele sabe que ter\u00e1 de lidar com machado e serrote. Compreende, inclusive, a import\u00e2ncia dos EPIs no manejo desse insumo. Acredite: este sujeito porcino possui maturidade suficiente para reparar as goteiras do telhado, por\u00e9m n\u00e3o o bastante para trocar as telhas quebradas. Mas, pelo menos, ele n\u00e3o quer apenas brincar. Percebe os riscos, embora tamb\u00e9m continue tentando minimizar o esfor\u00e7o para aproveitar o momento. Infelizmente, falta-lhe a perspectiva de planejamento de longo prazo. Nem ingenuidade completa, nem consci\u00eancia plena. \u00c9 um porquinho mediano, meu amigo. Tem uma inclina\u00e7\u00e3o acentuada \u00e0 mediocridade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 o \u00faltimo porquinho \u00e9 o mais rigoroso, met\u00f3dico e detalhista de todos: exigente, cuidadoso, cauteloso, aprofundou-se nos conhecimentos sobre constru\u00e7\u00f5es para depois p\u00f4r a m\u00e3o na massa. Eu diria que ele \u00e9 quase obsessivo nos detalhes. Ele, por\u00e9m, entendeu algo que os outros dois n\u00e3o haviam sacado: o mundo n\u00e3o se sustenta apenas com inten\u00e7\u00f5es. Casas resistentes demandam paci\u00eancia, estudo, ren\u00fancia, for\u00e7a de vontade e esfor\u00e7o cont\u00ednuo. Isso requer tempo, pode demorar. O tijolo \u00e9 pesado. Cansa, faz suar, incomoda. A argamassa tem a sua receita de sucesso e voc\u00ea precisa buscar a informa\u00e7\u00e3o correta. Pode ser que tenhamos que sacrificar os encontros amorosos, o churrasco do domingo. Quem sabe, seja necess\u00e1rio aprimorar os conhecimentos sobre tipos de azulejos num curso EAD justamente aos s\u00e1bados.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez seja por isso que admiremos tanto o terceiro porquinho, mas raramente desejar\u00edamos verdadeiramente erguer uma casa, como ele fez. Porque estabilidade quase sempre cobra um pre\u00e7o silencioso antes de oferecer prote\u00e7\u00e3o. E \u00e9 a\u00ed que as escolhas come\u00e7am a pesar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ah! Espero voc\u00ea na segunda que vem! \ud83d\ude0a<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; *Thaisy Moraes \u00e9 servidora p\u00fablica municipal respons\u00e1vel pelo setor de Patrim\u00f4nio do Munic\u00edpio de S\u00e3o Carlos\/SC, biom\u00e9dica formada pela Universidade Federal do Piau\u00ed (UFPI), escritora e poetisa h\u00e1 treze anos: \u201cEscrevo h\u00e1 treze anos sobre tristezas e alegrias, e belezas e feiuras, t\u00e3o presentes em nossa condi\u00e7\u00e3o humana.\u201d&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; ** Este material possui imagem ilustrativa feita por Intelig\u00eancia Artificial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; *Por Poetisa Thaisy Moraes&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":50670,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[2,224,41],"tags":[],"class_list":["post-50669","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques","category-poemas-reflexoes","category-ultimasnoticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50669","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=50669"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50669\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":50671,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50669\/revisions\/50671"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/50670"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=50669"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=50669"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=50669"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}