{"id":51228,"date":"2026-07-19T09:16:59","date_gmt":"2026-07-19T12:16:59","guid":{"rendered":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/?p=51228"},"modified":"2026-07-19T09:16:59","modified_gmt":"2026-07-19T12:16:59","slug":"quando-o-cao-se-esquece-o-que-essa-experiencia-pode-revelar-ao-tutor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/quando-o-cao-se-esquece-o-que-essa-experiencia-pode-revelar-ao-tutor\/","title":{"rendered":"Quando o C\u00e3o se Esquece: O que essa experi\u00eancia pode revelar ao tutor?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Um olhar da Medicina Veterin\u00e1ria Sist\u00eamica sobre a S\u00edndrome da Disfun\u00e7\u00e3o Cognitiva Canina, os v\u00ednculos e os aprendizados que surgem quando a mem\u00f3ria enfraquece<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Por *Carla Perin<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">@CACAPERIN<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante muitos anos, ele conheceu cada canto da casa, sabia a hora da comida, reconhecia o som dos passos de seus tutores e percebia a chegada da fam\u00edlia antes mesmo que a porta se abrisse, acompanhou mudan\u00e7as, Presenciou alegrias, permaneceu nos momentos dif\u00edceis, talvez tenha visto os filhos crescerem, talvez tenha oferecido companhia quando algu\u00e9m se sentia sozinho, talvez tenha sido presen\u00e7a quando nenhuma palavra parecia suficiente, at\u00e9 que, com o passar do tempo, algo come\u00e7ou a mudar, o c\u00e3o que conhecia todos os caminhos passou a se perder dentro da pr\u00f3pria casa, come\u00e7ou a caminhar sem dire\u00e7\u00e3o, passou a trocar o dia pela noite, em alguns momentos, parecia n\u00e3o reconhecer lugares familiares, em outros, vocalizava, permanecia inquieto ou precisava ser conduzido de volta, e, diante dessas mudan\u00e7as, a fam\u00edlia come\u00e7a a perguntar:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO que est\u00e1 acontecendo com ele?\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Medicina Veterin\u00e1ria busca compreender a doen\u00e7a. a vis\u00e3o sist\u00eamica acrescenta outra pergunta:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO que essa experi\u00eancia est\u00e1 mobilizando em n\u00f3s?\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A S\u00edndrome da Disfun\u00e7\u00e3o Cognitiva Canina, conhecida popularmente como \u201cAlzheimer canino\u201d ou \u201cs\u00edndrome do c\u00e3o velho\u201d, \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o neurodegenerativa relacionada ao envelhecimento cerebral, ela pode provocar altera\u00e7\u00f5es na mem\u00f3ria, na orienta\u00e7\u00e3o, no ciclo do sono, na intera\u00e7\u00e3o social, nos h\u00e1bitos de higiene e comportamento. Portanto, a vis\u00e3o sist\u00eamica n\u00e3o deve afirmar que o tutor causou a doen\u00e7a, que o animal est\u00e1 adoecendo para carregar um conflito familiar ou que existe uma emo\u00e7\u00e3o espec\u00edfica por tr\u00e1s do diagn\u00f3stico, a doen\u00e7a precisa ser investigada, acompanhada e tratada pela Medicina Veterin\u00e1ria, mas toda doen\u00e7a vivida dentro de uma fam\u00edlia produz movimentos, ela modifica rotinas, e pode trazer \u00e0 consci\u00eancia sentimentos que antes permaneciam silenciosos, \u00e9 nesse espa\u00e7o que a Medicina Veterin\u00e1ria Sist\u00eamica amplia o olhar, durante muitos anos, o c\u00e3o pode ter ocupado um lugar importante na vida emocional da fam\u00edlia. talvez tenha acompanhado o tutor durante um per\u00edodo de solid\u00e3o, talvez tenha permanecido ao seu lado em momentos de luto, separa\u00e7\u00f5es ou mudan\u00e7as, talvez tenha sido aquele que parecia perceber quando algu\u00e9m estava triste. mas agora os lugares se transformam. Aquele que acompanhava passa a precisar ser acompanhado. Aquele que oferecia seguran\u00e7a passa a necessitar de prote\u00e7\u00e3o. Aquele que encontrava o caminho passa a precisar que algu\u00e9m o conduza. E talvez a primeira reflex\u00e3o sist\u00eamica esteja justamente em deixar de esperar que o c\u00e3o continue sendo aquele companheiro forte, ativo e dispon\u00edvel de antes? Consegue reconhecer que agora \u00e9 o animal quem precisa receber aquilo que ofereceu durante tantos anos? A doen\u00e7a pode convidar a fam\u00edlia a experimentar uma nova forma de amor. Um amor que n\u00e3o depende do que o outro consegue oferecer. Conviver com um c\u00e3o com disfun\u00e7\u00e3o cognitiva tamb\u00e9m pode confrontar o tutor com algo dif\u00edcil: Nem tudo pode ser controlado. Mesmo oferecendo medicamentos, alimenta\u00e7\u00e3o adequada, est\u00edmulos, acompanhamento veterin\u00e1rio e muito amor, algumas mudan\u00e7as podem continuar acontecendo. Para pessoas que passaram grande parte da vida tentando cuidar de todos, prever problemas ou impedir perdas, essa experi\u00eancia pode ser especialmente dolorosa. O tutor pode se perguntar: \u201cSer\u00e1 que estou fazendo o suficiente? \u201d Ser\u00e1 que deixei de perceber alguma coisa? \u201d Ser\u00e1 que poderia ter evitado? \u201cMas talvez a experi\u00eancia traga uma compreens\u00e3o importante: Existem situa\u00e7\u00f5es em que o amor n\u00e3o consegue impedir a doen\u00e7a. Mas consegue permanecer diante dela. Existe algo profundamente simb\u00f3lico na imagem de um c\u00e3o que come\u00e7a a perder suas refer\u00eancias. Ele pode caminhar pela casa sem saber para onde est\u00e1 indo. Pode permanecer diante de uma parede. Pode n\u00e3o encontrar a porta. Pode parecer preso em um espa\u00e7o conhecido. E, diante dessa cena, algumas perguntas podem surgir:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que essa experi\u00eancia pode estar convidando o tutor a aprender?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez n\u00e3o exista uma resposta \u00fanica. Para alguns, pode ser um aprendizado sobre paci\u00eancia. Para outros, sobre aceita\u00e7\u00e3o. Pode ser um convite para diminuir o ritmo. Para cuidar sem controlar. Para receber ajuda. Para reconhecer os pr\u00f3prios limites. Para compreender que o valor de um ser n\u00e3o depende daquilo que ele consegue oferecer. E, talvez, para aprender que amar algu\u00e9m tamb\u00e9m \u00e9 permanecer quando esse algu\u00e9m j\u00e1 n\u00e3o consegue ser como antes. A doen\u00e7a n\u00e3o precisa ser vista como castigo. Nem como miss\u00e3o. Nem como consequ\u00eancia de uma falha do tutor<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTalvez a doen\u00e7a n\u00e3o tenha vindo para ensinar. Mas, ao atravess\u00e1-la, podemos aprender que o amor mais profundo n\u00e3o \u00e9 aquele que impede o outro de se perder \u2014 \u00e9 aquele que permanece ao seu lado e o ajuda a encontrar seguran\u00e7a, mesmo quando a mem\u00f3ria j\u00e1 n\u00e3o encontra o caminho.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*Carla Perin<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M\u00e9dica Veterin\u00e1ria Sist\u00eamica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Terapeuta Multiesp\u00e9cie<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um olhar sist\u00eamico sobre o v\u00ednculo entre humanos e animais.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um olhar da Medicina Veterin\u00e1ria Sist\u00eamica sobre a S\u00edndrome da Disfun\u00e7\u00e3o Cognitiva Canina, os v\u00ednculos e os aprendizados que surgem quando a mem\u00f3ria enfraquece Por *Carla Perin @CACAPERIN Durante muitos anos, ele conheceu cada canto da casa, sabia a hora da comida, reconhecia o som dos passos de seus tutores e percebia a chegada da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":51229,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[2,374,41],"tags":[],"class_list":["post-51228","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques","category-pet-2","category-ultimasnoticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51228","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=51228"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51228\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":51230,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51228\/revisions\/51230"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/51229"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=51228"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=51228"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=51228"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}