{"id":51331,"date":"2026-07-24T04:58:04","date_gmt":"2026-07-24T07:58:04","guid":{"rendered":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/?p=51331"},"modified":"2026-07-23T19:02:46","modified_gmt":"2026-07-23T22:02:46","slug":"a-geracao-z-esta-ficando-mais-solteira-a-conta-do-divorcio-que-ela-esta-pagando-sem-saber","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/a-geracao-z-esta-ficando-mais-solteira-a-conta-do-divorcio-que-ela-esta-pagando-sem-saber\/","title":{"rendered":"A Gera\u00e7\u00e3o Z est\u00e1 ficando mais solteira? A conta do div\u00f3rcio que ela est\u00e1 pagando sem saber?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Por Bia Rossatti \u2013 Terapeuta Familiar&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">@biarossattiterapeuta<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vale lembrar que a \u201cGera\u00e7\u00e3o Z\u201d re\u00fane quem nasceu, em geral, entre 1997 e 2012 \u2014 a primeira gera\u00e7\u00e3o que cresceu com internet, redes sociais e smartphone desde a inf\u00e2ncia ou adolesc\u00eancia. S\u00e3o, hoje, os jovens adultos que est\u00e3o entrando (ou decidindo n\u00e3o entrar) no mercado de relacionamentos s\u00e9rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando eu ou\u00e7o isso no consult\u00f3rio fa\u00e7o outra pergunta: por que estamos tendo tanto medo de construir v\u00ednculos? Durante muito tempo acreditamos que o casamento era o destino natural da vida adulta. Hoje, os n\u00fameros mostram outro cen\u00e1rio: jovens se casam menos, mais tarde e muitos sequer desejam casar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir da\u00ed rapidamente surgem as explica\u00e7\u00f5es simplistas: &#8220;Essa gera\u00e7\u00e3o \u00e9 ego\u00edsta.&#8221; &#8220;N\u00e3o quer compromisso.&#8221; &#8220;S\u00f3 pensa na carreira.&#8221; Embora essas afirma\u00e7\u00f5es possam conter elementos de verdade para algumas pessoas, elas n\u00e3o explicam o fen\u00f4meno inteiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como terapeuta familiar, acredito que existe uma quest\u00e3o mais profunda \u2014 e a ci\u00eancia tem me dado raz\u00e3o. Essa gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o nasceu com medo de amar. Ela \u201cassistiu\u201d! Assistiu aos pais brigando em sil\u00eancio. Assistiu a separa\u00e7\u00f5es malconduzidas. Assistiu adultos usando os filhos como mensageiros de m\u00e1goas que n\u00e3o sabiam nomear. E isso n\u00e3o \u00e9 impress\u00e3o cl\u00ednica. \u00c9 dado de pesquisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estudos em psicologia do apego mostram que filhos adultos de pais divorciados apresentam, em m\u00e9dia, menor bem-estar emocional, rela\u00e7\u00f5es menos positivas com os pr\u00f3prios pais e estilos de apego mais inseguros na vida adulta \u2014 o que inclui medo de intimidade, dificuldade de confiar e maior probabilidade de repetir o pr\u00f3prio div\u00f3rcio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas aqui est\u00e1 o ponto que muda tudo \u2014 e que eu preciso dizer com o m\u00e1ximo de responsabilidade: o fator decisivo n\u00e3o \u00e9 o div\u00f3rcio em si. \u00c9 como ele foi conduzido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mesma pesquisa mostra que, quando h\u00e1 respeito entre os ex-c\u00f4njuges e liberdade emocional para o filho falar bem do outro pai ou m\u00e3e \u2014 sem lealdade for\u00e7ada, sem ter que escolher lado \u2014, a inseguran\u00e7a relacional na vida adulta diminui de forma significativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou seja. muito do medo de amar que vemos hoje na Gera\u00e7\u00e3o Z \u00e9 uma fatura sendo paga por uma conta que n\u00e3o foram eles que fizeram. E existe at\u00e9 um nome para isso na literatura cient\u00edfica: o &#8220;efeito retardado&#8221; (sleeper effect ), descrito pela psic\u00f3loga Judith Wallerstein em seus estudos longitudinais. Muitos filhos de pais separados n\u00e3o sentem o impacto emocional completo na inf\u00e2ncia \u2014 ele aparece anos depois, exatamente no momento em que tentam construir seus pr\u00f3prios v\u00ednculos adultos.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 por isso que tantos jovens hoje fogem do compromisso sem nem saber exatamente de onde vem esse medo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na minha pr\u00e1tica cl\u00ednica, \u00e9 muito comum encontrar adultos jovens que carregam, sem saber nomear, um pacto silencioso: &#8220;N\u00e3o vou repetir a dor que vi em casa.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 que, sem elabora\u00e7\u00e3o, esse pacto n\u00e3o protege \u2014 ele paralisa. Vira medo de compromisso disfar\u00e7ado de independ\u00eancia. Vira exig\u00eancia de perfei\u00e7\u00e3o no parceiro disfar\u00e7ada de &#8220;alto padr\u00e3o&#8221;. Vira fuga no primeiro sinal de conflito, porque conflito, para essa gera\u00e7\u00e3o, aprendeu a significar cat\u00e1strofe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso n\u00e3o \u00e9 fraqueza de car\u00e1ter. \u00c9 uma \u201clealdade invis\u00edvel\u201d \u2014 um conceito que a terapia familiar sist\u00eamica reconhece h\u00e1 d\u00e9cadas: os filhos carregam, sem perceber, os padr\u00f5es emocionais n\u00e3o resolvidos dos pais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E aqui fica o alerta que eu, como m\u00e3e, terapeuta e mulher que atravessou essa travessia, preciso fazer: se voc\u00ea \u00e9 pai ou m\u00e3e separado, a forma como voc\u00ea conduziu \u2014 ou est\u00e1 conduzindo \u2014 sua dor n\u00e3o fica s\u00f3 com voc\u00ea. Ela vira roteiro. Vira cren\u00e7a. Vira, \u00e0s vezes, o motivo pelo qual seu filho adulto hoje tem pavor de se entregar a algu\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 para gerar culpa. \u00c9 para gerar consci\u00eancia \u2014 porque s\u00f3 o que se nomeia pode ser transformado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vivemos em uma cultura que valoriza performance. Precisamos parecer fortes, bem resolvidos, produtivos, livres. Mas relacionamentos n\u00e3o sobrevivem de performance. Eles sobrevivem de presen\u00e7a \u2014 e presen\u00e7a exige vulnerabilidade, algo que muitos nunca viram um adulto sustentar de verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso n\u00e3o significa defender relacionamentos a qualquer custo, nem permanecer onde existe viol\u00eancia, abuso ou desrespeito. Mas tamb\u00e9m precisamos reconhecer o outro extremo: confundimos desconforto com incompatibilidade, diferen\u00e7a com falta de amor, imperfei\u00e7\u00e3o com fracasso. E esquecemos que intimidade n\u00e3o elimina conflitos \u2014 ela ensina a atravess\u00e1-los.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez o maior desafio da nova gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja encontrar algu\u00e9m. Seja \u201cdesaprender\u201d o que aprendeu, sem saber, observando os adultos que mais amaram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pergunta talvez nunca tenha sido &#8220;por que a Gera\u00e7\u00e3o Z est\u00e1 ficando mais solteira?&#8221; A pergunta \u00e9: que heran\u00e7a emocional estamos deixando \u2014 e ainda d\u00e1 tempo de revisar essa heran\u00e7a antes que ela vire destino?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na terapia, aprendi que a cura n\u00e3o prepara algu\u00e9m para encontrar a pessoa perfeita. Ela prepara algu\u00e9m para construir um relacionamento poss\u00edvel, consciente e emocionalmente respons\u00e1vel \u2014 quebrando ciclos, e n\u00e3o os repassando.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porque o amor n\u00e3o nasce pronto. Ele \u00e9 cultivado por duas pessoas que decidem crescer juntas, e \u00e0s vezes essa jornada come\u00e7a muito antes: em curar o que aprendemos, sem querer, a temer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E mais, a minha grande motiva\u00e7\u00e3o em trabalhar este tema do \u201cdepois do div\u00f3rcio\u201d eu, como terapeuta de fam\u00edlia e casal, vem desta constata\u00e7\u00e3o \u2013 por conta das nossas dificuldades em amar e manter v\u00ednculos saud\u00e1veis nos relacionamentos, nossos filhos podem estar pagando um pre\u00e7o muito alto.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cura \u00e9 antes de tudo responsabilidade \u00e9tica de todos n\u00f3s que optamos pelo div\u00f3rcio, para que nossas futuras gera\u00e7\u00f5es n\u00e3o sofram al\u00e9m do que \u00e9 natural para quem passa por esta experi\u00eancia de vida. Fica a dica para reflex\u00e3o!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Bia Rossatti \u2013 Terapeuta Familiar&nbsp; @biarossattiterapeuta &nbsp; Vale lembrar que a \u201cGera\u00e7\u00e3o Z\u201d re\u00fane quem nasceu, em geral, entre 1997 e 2012 \u2014 a primeira gera\u00e7\u00e3o que cresceu com internet, redes sociais e smartphone desde a inf\u00e2ncia ou adolesc\u00eancia. 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