{"id":51399,"date":"2026-07-27T04:35:06","date_gmt":"2026-07-27T07:35:06","guid":{"rendered":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/?p=51399"},"modified":"2026-07-26T18:00:31","modified_gmt":"2026-07-26T21:00:31","slug":"o-desvelar-do-subconsciente-e-a-proposicao-do-conhecimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/o-desvelar-do-subconsciente-e-a-proposicao-do-conhecimento\/","title":{"rendered":"O desvelar do subconsciente e a proposi\u00e7\u00e3o do conhecimento"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Por Fabiana Ribeiro<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A arteterapia est\u00e1 pautada em princ\u00edpios da Psicologia junguiana, sendo considerado a perspectiva de que as imagens produzidas emergem espontaneamente do inconsciente e representam uma linguagem simb\u00f3lica da psique, expressando conte\u00fados que n\u00e3o podem ser compreendidos racionalmente. Ent\u00e3o, considerando que estes s\u00edmbolos s\u00e3o subjetivos e pertencentes a um ser, constitu\u00eddo historicamente, possivelmente voc\u00ea esteja se perguntando, mas de que modo o arteterapeuta pode interpretar estas imagens e propiciar ao seu atendido uma compreens\u00e3o de si e de suas emo\u00e7\u00f5es e sentimentos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na arteterapia, a interpreta\u00e7\u00e3o das imagens produzidas pelo paciente \u00e9 um processo extremamente complexo, \u00e9tico e n\u00e3o se restringe a significados pr\u00e9-estabelecidos ou universais, ou seja, o significado das imagens ser\u00e3o atrelados ao contexto de vida do paciente, o momento do processo terap\u00eautico e respeito a sua singularidade. Destarte, por exemplo, em um setting terap\u00eautico um paciente traz em sua pr\u00e1tica expressiva a representa\u00e7\u00e3o de uma casa, universalmente a casa pode ser observada como um local de ref\u00fagio e prote\u00e7\u00e3o, um lugar para orientar se no espa\u00e7o e organizar a vida, lugar de pertencimento, introspec\u00e7\u00e3o. No entanto, diante deste s\u00edmbolo o arteterapeuta precisa entender o contexto em que esta casa se insere na hist\u00f3ria do paciente, como esta casa est\u00e1 representada, se ela tem portas, janelas, se est\u00e3o abertas ou fechadas, o que est\u00e1 no entorno desta casa, em que espa\u00e7o do suporte utilizado esta casa foi representada, enfim, a observ\u00e2ncia de detalhes que se constituem em informa\u00e7\u00f5es importantes para o entendimento desta imagem. Por\u00e9m, conv\u00e9m ressaltar que o arteterapeuta n\u00e3o decifra a imagem, ele favorece o di\u00e1logo entre o sujeito e sua produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica, de forma que o pr\u00f3prio paciente construa significados a partir de suas viv\u1ebdncias, de sua hist\u00f3ria.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando a imagem est\u00e1 materializada, o arteterapeuta em setting terap\u00eautico conduz o paciente a observar sua obra e expressar dialogicamente o que ele representou e atrav\u00e9s de questionamentos objetivos e coesos, o paciente tende a compreender o que antes n\u00e3o lhe era revelado. A escuta sens\u00edvel do arteterapeuta \u00e9 fundamental para que ele conduza as pr\u00e1ticas e tenha \u00eaxito na consolida\u00e7\u00e3o do processo de emancipa\u00e7\u00e3o deste paciente.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com Kramer (1971), \u00e9 importante que o arteterapeuta observe o processo criativo como um todo, observando a forma como o s\u00edmbolo foi constru\u00eddo, a escolha dos materiais, as cores utilizadas, a organiza\u00e7\u00e3o espacial, os movimentos, a qualidade da linha, o ritmo e o envolvimento emocional do paciente durante o processo de cria\u00e7\u00e3o, todo este contexto \u00e9 t\u00e3o significativo, quanto o produto final. Ciornai (2004), aborda algo extremamente importante para o \u00eaxito da pr\u00e1tica terap\u00eautica em arteterapia, a isen\u00e7\u00e3o de julgamentos. \u00c9 necess\u00e1rio informar o paciente que sua pr\u00e1tica expressiva n\u00e3o est\u00e1 atrelada a est\u00e9tica e que sua individualidade e subjetividade ser\u00e1 respeitada sem qualquer intencionalidade de julgamentos. A fun\u00e7\u00e3o do terapeuta \u00e9 de ampliar sua consci\u00eancia, atrav\u00e9s da rela\u00e7\u00e3o estabelecida entre o sujeito e seu s\u00edmbolo, considerando todos os aspectos acima citados e n\u00e3o a interpreta\u00e7\u00e3o isolada e descontextualizada.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dessa forma, o arteterapeuta atua como um facilitador da constru\u00e7\u00e3o de sentidos, e n\u00e3o como um int\u00e9rprete que imp\u00f5e verdades sobre a imagem. \u00c9 essencial que a escuta do arteterapeuta seja constitu\u00edda em uma postura fenomenol\u00f3gica, acolhendo as obras como se apresentam e permitindo que seus significados emerjam gradualmente ao longo do processo terap\u1ebdutico, oportunizando ao seu atendido que ele seja aut\u00f4nomo e que sua identidade seja fortalecida, atrav\u00e9s do processo de reconhecer, simbolizar e integrar conte\u00fados ps\u00edquicos a sua consci\u00eancia atrav\u00e9s da verbaliza\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, o arteterapeuta n\u00e3o interpreta a imagem sozinho, obviamente atrav\u00e9s de suas pesquisas ele compreende este s\u00edmbolo, mas ele necessita estabelecer um di\u00e1logo respeitoso com o universo simb\u00f3lico do paciente, considerando a express\u00e3o art\u00edstica do paciente como um espa\u00e7o vivo de encontro com a arte, emo\u00e7\u00e3o e consci\u00eancia, auxiliando o mesmo a elabora\u00e7\u00e3o de conflitos internos e externos, ao autoconhecimento e ao desenvolvimento humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: CIORNAI, Selma (Org.) Percursos em Arteterapia, Arteterapia Gest\u00e1ltica e Transdisciplinaridade. S\u00e3o Paulo:Summus, 2004.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">JUNG, Carl Gustav. O homem e seus s\u00edmbolos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1964.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">KRAMER, Edith. Art as Therapy with Children. New York: Schocken Books, 1971.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por Fabiana Ribeiro dos Santos, pedagoga, psicopedagoga, arteterapeuta, Neuroeducadora, graduanda em Terapia Ocupacional, p\u00f3s graduanda em Ludicidade e Artes, An\u00e1lise do Comportamento e Psicologia Ativa, gest\u00e3o de pessoas e Sa\u00fade no Trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Fabiana Ribeiro &nbsp; A arteterapia est\u00e1 pautada em princ\u00edpios da Psicologia junguiana, sendo considerado a perspectiva de que as imagens produzidas emergem espontaneamente do inconsciente e representam uma linguagem simb\u00f3lica da psique, expressando conte\u00fados que n\u00e3o podem ser compreendidos racionalmente. 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