{"id":52136,"date":"2026-08-27T08:27:20","date_gmt":"2026-08-27T11:27:20","guid":{"rendered":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/?p=52136"},"modified":"2026-08-27T08:27:20","modified_gmt":"2026-08-27T11:27:20","slug":"quando-o-clima-e-o-juros-apertam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/quando-o-clima-e-o-juros-apertam\/","title":{"rendered":"Quando o clima e o juros apertam"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Por Alexandre Ang\u00e9lico&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Matem\u00e1tico e Economista<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Brasil atravessa um momento em que dois fatores pesados se encontram: juros altos e clima extremo. Essa combina\u00e7\u00e3o explica por que tantas empresas est\u00e3o pedindo recupera\u00e7\u00e3o judicial. Segundo a Serasa Experian, os pedidos cresceram mais de 20% em um ano, superando inclusive alguns per\u00edodos da pandemia. E isso preocupa o sergipano, que teme falta de produtos, rem\u00e9dios e impacto direto no bolso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os juros elevados, monitorados pelo Banco Central, encarecem o capital de giro que \u00e9 o dinheiro que o varejo usa para comprar mercadorias, repor estoque e manter o neg\u00f3cio funcionando. Quando esse cr\u00e9dito fica caro, o comerciante reduz compras, adia investimentos e opera no limite. \u00c9 por isso que algumas lojas fecham e outras trabalham com prateleiras mais enxutas. N\u00e3o \u00e9 desabastecimento generalizado, mas sim cautela for\u00e7ada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No agroneg\u00f3cio, o cen\u00e1rio \u00e9 ainda mais sens\u00edvel. A CNA e o INMET alertam para um poss\u00edvel super El Ni\u00f1o, capaz de reduzir chuvas e elevar temperaturas. Em Sergipe, isso afeta diretamente hortas, leite, pequenas cria\u00e7\u00f5es e a produ\u00e7\u00e3o de alimentos frescos. Menos chuva resulta em mais gasto com irriga\u00e7\u00e3o, energia e ra\u00e7\u00e3o, o que leva a uma press\u00e3o nos pre\u00e7os. O produtor n\u00e3o quebra de um dia para o outro, mas perde margem e capacidade de rea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse impacto chega \u00e0 mesa do consumidor. O IBGE j\u00e1 mostra que alimentos in natura ficam mais caros em per\u00edodos de seca prolongada. Se o super El Ni\u00f1o se confirmar, o sergipano pode sentir isso no tomate, na cebola, no leite e em produtos de pequenos agricultores do interior. \u00c9 um efeito em cadeia: clima ruim leva a uma produ\u00e7\u00e3o menor, que por sua vez leva a um pre\u00e7o mais alto por conta da demanda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O turismo, que sustenta boa parte da economia de Aracaju, tamb\u00e9m sente o aperto. Com o pa\u00eds mais cauteloso, viagens ficam mais curtas e o gasto m\u00e9dio cai. Hot\u00e9is da Orla, bares da Atalaia e operadores de passeios trabalham com margens menores. Se o clima extremo afetar praias, ventos ou mar\u00e9s, o impacto pode ser ainda maior na baixa temporada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para os pequenos neg\u00f3cios, o momento exige estrat\u00e9gia. Setores com baixo estoque, alta rotatividade e demanda constante tendem a resistir melhor. Alimenta\u00e7\u00e3o, servi\u00e7os essenciais, manuten\u00e7\u00e3o, pequenos reparos, turismo local e com\u00e9rcio de itens b\u00e1sicos s\u00e3o mais resilientes. J\u00e1 neg\u00f3cios dependentes de cr\u00e9dito caro, grandes estoques ou clima favor\u00e1vel precisam de aten\u00e7\u00e3o redobrada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o que o leitor de Aracaju pode fazer? Planejar. Evitar d\u00edvidas caras, acompanhar previs\u00f5es clim\u00e1ticas, observar pre\u00e7os e buscar neg\u00f3cios menos dependentes de cr\u00e9dito. Para quem empreende, o foco deve ser efici\u00eancia: reduzir custos fixos, negociar prazos e manter caixa saud\u00e1vel. Para quem consome, comparar pre\u00e7os e evitar compras por impulso \u00e9 essencial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cen\u00e1rio \u00e9 desafiador, mas n\u00e3o \u00e9 um colapso. Sergipe j\u00e1 atravessou per\u00edodos dif\u00edceis e sempre encontrou caminhos. Informa\u00e7\u00e3o, calma e organiza\u00e7\u00e3o continuam sendo os melhores aliados, seja para quem empreende seja para quem consome.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alexandre Ang\u00e9lico<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">@alexandreangelico<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alexandre Ang\u00e9lico \u00e9 Matem\u00e1tico e Economista formado pela USP e Mestre em Economia dos Mercados pelo Mackenzie.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Alexandre Ang\u00e9lico&nbsp; Matem\u00e1tico e Economista &nbsp; O Brasil atravessa um momento em que dois fatores pesados se encontram: juros altos e clima extremo. 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