{"id":52229,"date":"2026-08-30T05:28:01","date_gmt":"2026-08-30T08:28:01","guid":{"rendered":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/?p=52229"},"modified":"2026-08-29T19:32:22","modified_gmt":"2026-08-29T22:32:22","slug":"amante-tem-direitos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/amante-tem-direitos\/","title":{"rendered":"Amante tem Direitos?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Por Renata Cristina Galhardo Caserta&nbsp; OAB\/SP 259.267<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Instagram: @renatagalhardo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma rela\u00e7\u00e3o extraconjugal pode durar anos, envolver conviv\u00eancia frequente, viagens, aux\u00edlio financeiro e at\u00e9 filhos em comum. Mas ser\u00e1 que isso basta para transformar juridicamente a chamada \u201camante\u201d em companheira e gerar direitos sobre bens, heran\u00e7a ou at\u00e9 pens\u00e3o por morte?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A resposta depende de um ponto essencial: a pessoa casada estava ou n\u00e3o separada de fato?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O C\u00f3digo Civil reconhece a uni\u00e3o est\u00e1vel quando h\u00e1 conviv\u00eancia p\u00fablica, cont\u00ednua, duradoura e com inten\u00e7\u00e3o de constituir fam\u00edlia. E o fato de algu\u00e9m ainda estar formalmente casado n\u00e3o impede, por si s\u00f3, o reconhecimento de uma nova uni\u00e3o est\u00e1vel, desde que o casamento anterior j\u00e1 tenha terminado na pr\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outras palavras: se a pessoa continua casada apenas \u201cno papel\u201d, mas j\u00e1 vive separada, o novo relacionamento poder\u00e1, dependendo das circunst\u00e2ncias, ser reconhecido como uni\u00e3o est\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A situa\u00e7\u00e3o muda quando o casamento continua existindo tamb\u00e9m na vida real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se algu\u00e9m mant\u00e9m a conviv\u00eancia conjugal e, paralelamente, outro relacionamento amoroso, ainda que duradouro, essa segunda rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o se transforma automaticamente em uni\u00e3o est\u00e1vel. O simples passar do tempo n\u00e3o muda, sozinho, a natureza jur\u00eddica do v\u00ednculo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nem mesmo fatores como viagens, fotografias, ajuda financeira ou filhos em comum s\u00e3o suficientes, isoladamente, para garantir esse reconhecimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Supremo Tribunal Federal j\u00e1 decidiu que a exist\u00eancia de casamento ou de uni\u00e3o est\u00e1vel anterior impede, em regra, o reconhecimento de outro v\u00ednculo simult\u00e2neo, ressalvada justamente a hip\u00f3tese de separa\u00e7\u00e3o de fato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse ponto se torna ainda mais importante quando h\u00e1 pedido de pens\u00e3o por morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 raro que, ap\u00f3s o falecimento, al\u00e9m do c\u00f4njuge, outra pessoa reivindique a condi\u00e7\u00e3o de companheira. Mas uma rela\u00e7\u00e3o extraconjugal, ainda que longa, n\u00e3o garante automaticamente esse direito. O STF tamb\u00e9m j\u00e1 afastou a equipara\u00e7\u00e3o do concubinato \u00e0 uni\u00e3o est\u00e1vel para fins previdenci\u00e1rios quando havia casamento concomitante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso significa, ent\u00e3o, que a \u201camante\u201d nunca poder\u00e1 ter qualquer direito?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo quando n\u00e3o h\u00e1 reconhecimento de uni\u00e3o est\u00e1vel, pode existir discuss\u00e3o patrimonial se houver prova de contribui\u00e7\u00e3o efetiva para a aquisi\u00e7\u00e3o de determinados bens. Nesses casos, a an\u00e1lise n\u00e3o decorre dos mesmos efeitos jur\u00eddicos da uni\u00e3o est\u00e1vel, mas da realidade patrimonial constru\u00edda entre as partes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, cada caso precisa ser examinado com cuidado: quando terminou de fato o casamento anterior? Os c\u00f4njuges ainda mantinham vida em comum? O novo relacionamento era p\u00fablico? Havia verdadeira inten\u00e7\u00e3o de constituir fam\u00edlia? Houve aquisi\u00e7\u00e3o conjunta de patrim\u00f4nio?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Direito de Fam\u00edlia, os detalhes fazem toda a diferen\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, talvez a pergunta correta n\u00e3o seja apenas \u201camante tem direitos?\u201d, mas sim: qual era, de fato, a natureza daquele relacionamento?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 essa resposta que poder\u00e1 definir eventuais direitos patrimoniais, sucess\u00f3rios e previdenci\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Renata Cristina Galhardo Caserta \u00e9 advogada, inscrita na OAB\/SP sob o n\u00ba 259.267, bacharel em Direito pela UNORP e p\u00f3s-graduada em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho pela Faculdade de Direito Dam\u00e1sio de Jesus. Atua especialmente nas \u00e1reas de Direito das Fam\u00edlias, Previdenci\u00e1rio e Trabalhista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Instagram: @renatagalhardo | WhatsApp: (17) 99701-8996<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Renata Cristina Galhardo Caserta&nbsp; OAB\/SP 259.267 Instagram: @renatagalhardo &nbsp; Uma rela\u00e7\u00e3o extraconjugal pode durar anos, envolver conviv\u00eancia frequente, viagens, aux\u00edlio financeiro e at\u00e9 filhos em comum. Mas ser\u00e1 que isso basta para transformar juridicamente a chamada \u201camante\u201d em companheira e gerar direitos sobre bens, heran\u00e7a ou at\u00e9 pens\u00e3o por morte? 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