{"id":52379,"date":"2026-09-04T04:02:00","date_gmt":"2026-09-04T07:02:00","guid":{"rendered":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/?p=52379"},"modified":"2026-09-03T20:04:26","modified_gmt":"2026-09-03T23:04:26","slug":"independencia-afetiva-ou-morte-de-si-mesmo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/independencia-afetiva-ou-morte-de-si-mesmo\/","title":{"rendered":"Independ\u00eancia Afetiva ou Morte de si mesmo?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Pelo Psicanalista Jackson Shella<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">@Psicanalista_Jackson_Shella<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">@psicanaliseativainpc<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o falo da liberdade que se celebra em pra\u00e7a p\u00fablica, com bandeiras e hinos, mas daquela que se negocia em sil\u00eancio, no espa\u00e7o \u00edntimo entre duas pessoas. A independ\u00eancia que me interessa hoje n\u00e3o est\u00e1 no grito do Ipiranga, mas na coragem de dizer, baixinho, para si mesmo: chega. Ou, \u00e0s vezes, fica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 alguns anos, vi uma cena que n\u00e3o saiu mais da minha cabe\u00e7a. Uma mulher, no meio de um restaurante movimentado, ria alto com o parceiro. Parecia leve, entregue ao momento. Mas, quando ele se levantou para ir ao banheiro, a m\u00e1scara caiu. Ela ficou ali, sozinha, com o olhar perdido, girando o anel no dedo, como se aquilo fosse um amuleto para adiar uma decis\u00e3o. N\u00e3o era tristeza, era cansa\u00e7o. Um cansa\u00e7o de quem j\u00e1 n\u00e3o sabe se est\u00e1 ali por escolha ou por in\u00e9rcia. A liberdade dela estava em disputa, e ela nem tinha coragem de admitir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra cena, mais recente. Um amigo me ligou no meio da madrugada. N\u00e3o chorava, mas sua voz tremia. Ele havia terminado um relacionamento de oito anos. N\u00e3o por trai\u00e7\u00e3o, n\u00e3o por briga. Porque, um dia, olhou para si mesmo e percebeu que n\u00e3o se reconhecia mais. Disse assim: \u201cEu n\u00e3o sei quem eu sou fora desse n\u00f3s.\u201d A independ\u00eancia afetiva, para ele, n\u00e3o foi um ato heroico. Foi um resgate. Um retorno lento, doloroso, mas necess\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A gente aprende cedo que liberdade \u00e9 n\u00e3o ter correntes. Mas, com o tempo, descubro que as correntes mais pesadas s\u00e3o invis\u00edveis. Elas se tecem em promessas que n\u00e3o fizemos, em expectativas que n\u00e3o escolhemos, em medos que n\u00e3o s\u00e3o nossos. Amar n\u00e3o deveria ser sin\u00f4nimo de ren\u00fancia. Amar deveria ser um convite \u00e0 presen\u00e7a, n\u00e3o um contrato de sil\u00eancio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando falo em autonomia afetiva, n\u00e3o estou falando de frieza, nem de individualismo. Falo de um tipo de lucidez que nasce do afeto por si mesmo. \u00c9 poss\u00edvel amar e, ainda assim, manter um p\u00e9 no pr\u00f3prio ch\u00e3o. \u00c9 poss\u00edvel entregar o cora\u00e7\u00e3o sem entregar o destino. \u00c9 poss\u00edvel permanecer porque se escolhe, n\u00e3o porque se teme a solid\u00e3o ou o julgamento alheio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A virada, para mim, veio quando percebi que a independ\u00eancia afetiva n\u00e3o \u00e9 um ponto de chegada, mas um exerc\u00edcio di\u00e1rio. \u00c9 escolher, de novo e de novo, se aquilo que vivo ainda faz sentido. \u00c9 ter coragem de perguntar: o que eu ganho e o que eu perco ao permanecer aqui? \u00c9 aceitar que, \u00e0s vezes, o amor n\u00e3o basta. Que o respeito, a reciprocidade e a possibilidade de ser verdadeiro s\u00e3o t\u00e3o essenciais quanto o desejo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 simples. N\u00e3o \u00e9 bonito em todas as fotos. Muitas vezes, a decis\u00e3o de sair d\u00f3i mais do que a perman\u00eancia. Mas h\u00e1 uma dignidade silenciosa em quem decide por si mesmo, mesmo que o mundo ao redor diga que deveria ser diferente. E h\u00e1, tamb\u00e9m, uma dignidade em quem escolhe ficar, mas agora com consci\u00eancia, com presen\u00e7a, com verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No fim das contas, a independ\u00eancia afetiva \u00e9 uma esp\u00e9cie de independ\u00eancia nacional do cora\u00e7\u00e3o. \u00c9 declarar, sem alarde, que sua vida emocional pertence a voc\u00ea. Que voc\u00ea pode amar, mas n\u00e3o precisa se perder. Que pode despedir-se, mas n\u00e3o precisa se culpar. Que pode recome\u00e7ar, mesmo que o resto do mundo ainda esteja comemorando o Sete de Setembro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se eu pudesse deixar uma ideia para voc\u00ea guardar, seria esta: liberdade dentro de um v\u00ednculo n\u00e3o \u00e9 aus\u00eancia de compromisso, \u00e9 presen\u00e7a escolhida. \u00c9 saber que, mesmo de m\u00e3os dadas, cada um caminha com seus pr\u00f3prios p\u00e9s. E isso, por si s\u00f3, j\u00e1 \u00e9 revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Idealizador da Ashells Psican\u00e1lise Cl\u00ednica especialista em Depend\u00eancia Emocional<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vice-presidente do Instituto Nacional de Psican\u00e1lise Cl\u00ednica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Whatsapp: (41) 99182-9353<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Credito da imagem: \u0418\u0440\u0438\u043d\u0430 \u0421\u0430\u043c\u0441\u043e\u043d\u043e\u0432\u0430<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pelo Psicanalista Jackson Shella @Psicanalista_Jackson_Shella @psicanaliseativainpc N\u00e3o falo da liberdade que se celebra em pra\u00e7a p\u00fablica, com bandeiras e hinos, mas daquela que se negocia em sil\u00eancio, no espa\u00e7o \u00edntimo entre duas pessoas. 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