{"id":52453,"date":"2026-09-07T14:44:27","date_gmt":"2026-09-07T17:44:27","guid":{"rendered":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/?p=52453"},"modified":"2026-09-07T14:44:27","modified_gmt":"2026-09-07T17:44:27","slug":"quando-o-preconceito-se-torna-barreira-pra-aprender-uma-leitura-neuropsicopedagogica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/quando-o-preconceito-se-torna-barreira-pra-aprender-uma-leitura-neuropsicopedagogica\/","title":{"rendered":"Quando o preconceito se torna barreira pra aprender: uma leitura neuropsicopedag\u00f3gica"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Por Antonio Junior<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">antonio_souza.jr (Instagram)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RESUMO<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este artigo discute como o preconceito pode constituir uma barreira para a aprendizagem quando interfere na seguran\u00e7a emocional, no pertencimento e nas oportunidades pedag\u00f3gicas. A partir de uma perspectiva neuropsicopedag\u00f3gica, prop\u00f5e-se compreender as dificuldades escolares pela intera\u00e7\u00e3o entre caracter\u00edsticas individuais e contexto social. Discute-se a import\u00e2ncia de observar aten\u00e7\u00e3o, mem\u00f3ria, fun\u00e7\u00f5es executivas, motiva\u00e7\u00e3o e autorregula\u00e7\u00e3o sem reduzir o estudante ao d\u00e9ficit. Defende-se que pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas antirracistas e ambientes de pertencimento podem ampliar as condi\u00e7\u00f5es de desenvolvimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Palavras-chave: Neuropsicopedagogia; Aprendizagem; Racismo; Preconceito; Equidade educacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A aprendizagem n\u00e3o acontece em um vazio social. Embora diferen\u00e7as cognitivas, emocionais e do neurodesenvolvimento possam interferir no percurso escolar, tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio reconhecer que as experi\u00eancias vividas pelos estudantes podem criar barreiras concretas para aprender. Entre essas experi\u00eancias, o preconceito e a discrimina\u00e7\u00e3o ocupam lugar relevante, especialmente quando se tornam parte recorrente do ambiente escolar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sob uma perspectiva neuropsicopedag\u00f3gica, compreender uma dificuldade de aprendizagem exige observar a intera\u00e7\u00e3o entre caracter\u00edsticas individuais e condi\u00e7\u00f5es ambientais. A legisla\u00e7\u00e3o educacional brasileira reconhece a considera\u00e7\u00e3o da diversidade \u00e9tnico-racial como princ\u00edpio da educa\u00e7\u00e3o nacional, refor\u00e7ando que a experi\u00eancia escolar n\u00e3o pode ser separada da dimens\u00e3o social e cultural. (BRASIL, 1996).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Preconceito, seguran\u00e7a e aprendizagem<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O preconceito pode tornar-se uma barreira para aprender quando interfere no sentimento de seguran\u00e7a e pertencimento. O estudante que precisa administrar constantemente situa\u00e7\u00f5es de exclus\u00e3o ou antecipar poss\u00edveis julgamentos pode ter sua disponibilidade para a aprendizagem reduzida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Discuss\u00f5es recentes no campo da neuropsicologia t\u00eam destacado que experi\u00eancias recorrentes de racismo podem estar associadas a respostas de estresse e a impactos sobre processos como aten\u00e7\u00e3o, mem\u00f3ria de trabalho e controle inibit\u00f3rio. Essa literatura recomenda uma abordagem multidimensional, evitando atribuir ao indiv\u00edduo aquilo que tamb\u00e9m pode estar relacionado \u00e0s condi\u00e7\u00f5es sociais. (CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA, 2025).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A dimens\u00e3o racial das barreiras escolares<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A dimens\u00e3o racial torna essa discuss\u00e3o ainda mais importante. Estudantes negros podem enfrentar experi\u00eancias de racismo expl\u00edcito ou impl\u00edcito que afetam sua rela\u00e7\u00e3o com a escola, com os colegas e consigo mesmos. Pesquisas e produ\u00e7\u00f5es recentes sobre educa\u00e7\u00e3o e racismo apontam que silenciamentos curriculares, discrimina\u00e7\u00f5es cotidianas e falta de representatividade podem interferir nos processos educativos. (SANTOS, 2025).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Lei n\u00ba 10.639\/2003 tornou obrigat\u00f3rio o ensino de Hist\u00f3ria e Cultura Afro-Brasileira e determinou que esses conte\u00fados fossem trabalhados no curr\u00edculo escolar. Posteriormente, a Lei n\u00ba 11.645\/2008 ampliou essa obriga\u00e7\u00e3o para incluir tamb\u00e9m a hist\u00f3ria e cultura dos povos ind\u00edgenas. (BRASIL, 2003; BRASIL, 2008).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contribui\u00e7\u00f5es da Neuropsicopedagogia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Neuropsicopedagogia pode contribuir justamente no deslocamento do olhar. Em vez de perguntar somente qual \u00e9 a dificuldade, \u00e9 necess\u00e1rio perguntar quais condi\u00e7\u00f5es est\u00e3o favorecendo ou dificultando a aprendizagem. A avalia\u00e7\u00e3o deve buscar tanto dificuldades quanto potencialidades, estrat\u00e9gias que funcionam e barreiras presentes no ambiente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso n\u00e3o significa negar transtornos do neurodesenvolvimento ou outras condi\u00e7\u00f5es. Significa evitar interpreta\u00e7\u00f5es simplistas. Uma manifesta\u00e7\u00e3o comportamental pode ter diferentes significados e exigir diferentes estrat\u00e9gias de interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Considera\u00e7\u00f5es finais<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aprender exige conhecimento, mas tamb\u00e9m seguran\u00e7a, reconhecimento e possibilidade de participa\u00e7\u00e3o. Combater o preconceito no ambiente educacional \u00e9 tamb\u00e9m uma forma de proteger o direito de aprender. Uma perspectiva neuropsicopedag\u00f3gica comprometida com a equidade precisa reconhecer que o desenvolvimento resulta da intera\u00e7\u00e3o entre c\u00e9rebro, emo\u00e7\u00f5es, rela\u00e7\u00f5es e contexto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No pr\u00f3ximo encontro falaremos de como: O c\u00e9rebro que aprende e o c\u00e9rebro que se protege: estresse, racismo e aprendizagem\u2026aguardem!!!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">REFER\u00caNCIAS<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BRASIL. Lei n\u00ba 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educa\u00e7\u00e3o nacional. Bras\u00edlia, DF: Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, 1996.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BRASIL. Lei n\u00ba 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Altera a Lei n\u00ba 9.394\/1996 para incluir no curr\u00edculo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da tem\u00e1tica Hist\u00f3ria e Cultura Afro-Brasileira. Bras\u00edlia, DF: Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, 2003.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BRASIL. Lei n\u00ba 11.645, de 10 de mar\u00e7o de 2008. Altera a Lei n\u00ba 9.394\/1996, modificada pela Lei n\u00ba 10.639\/2003, para incluir no curr\u00edculo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da tem\u00e1tica Hist\u00f3ria e Cultura Afro-Brasileira e Ind\u00edgena. Bras\u00edlia, DF: Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Interseccionalidades das desigualdades raciais e socioecon\u00f4micas na perspectiva neuropsicol\u00f3gica: entrevista com o Grupo de Trabalho de Neuropsicologia do Conselho Federal de Psicologia. Psicologia: Ci\u00eancia e Profiss\u00e3o, 2025.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LISBOA, Cristiane Almeida; SOUZA J\u00daNIOR, Antonio Cordeiro de. A mulher negra como protagonista na interse\u00e7\u00e3o entre pol\u00edticas p\u00fablicas e neuropsicopedagogia: caminhos para a equidade e inclus\u00e3o. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ci\u00eancias e Educa\u00e7\u00e3o, S\u00e3o Paulo, v. 12, n. 1, 2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SANTOS, Bianca Cristina Garcia. O impacto do racismo no desenvolvimento da aprendizagem: o papel do\/a psicopedagogo\/a institucional. 2025. Monografia de Especializa\u00e7\u00e3o \u2013 Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo, S\u00e3o Paulo, 2025.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antonio Junior \u00e9 Mestre e Doutorando em Educa\u00e7\u00e3o, neuropsicopedagogo, especialista em ABA para o Transtorno do Espectro Autista (TEA), contador e escritor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Antonio Junior antonio_souza.jr (Instagram) RESUMO Este artigo discute como o preconceito pode constituir uma barreira para a aprendizagem quando interfere na seguran\u00e7a emocional, no pertencimento e nas oportunidades pedag\u00f3gicas. A partir de uma perspectiva neuropsicopedag\u00f3gica, prop\u00f5e-se compreender as dificuldades escolares pela intera\u00e7\u00e3o entre caracter\u00edsticas individuais e contexto social. 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