{"id":53009,"date":"2026-09-30T11:35:09","date_gmt":"2026-09-30T14:35:09","guid":{"rendered":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/?p=53009"},"modified":"2026-09-30T11:36:11","modified_gmt":"2026-09-30T14:36:11","slug":"brasil-tem-duas-das-aves-mais-barulhentas-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/brasil-tem-duas-das-aves-mais-barulhentas-do-mundo\/","title":{"rendered":"Brasil tem duas das aves mais barulhentas do mundo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Por Andr\u00e9 Henrique&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Araponga-de-garganta-nua e seriema ultrapassam 120 decib\u00e9is e est\u00e3o entre as aves com os cantos mais intensos j\u00e1 medidos pela ci\u00eancia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Brasil j\u00e1 \u00e9 reconhecido mundialmente por sua extraordin\u00e1ria diversidade de aves. Agora, duas esp\u00e9cies encontradas no pa\u00eds ganharam destaque por uma caracter\u00edstica impressionante: a pot\u00eancia de suas vocaliza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A araponga-de-garganta-nua (Procnias nudicollis) e a seriema (Cariama cristata) est\u00e3o entre as aves mais barulhentas j\u00e1 medidas pela ci\u00eancia. Seus cantos podem ultrapassar 120 decib\u00e9is de pico, intensidade compar\u00e1vel \u00e0 produzida por equipamentos extremamente ruidosos, como motosserras e britadeiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um estudo sobre o som das aves<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A descoberta faz parte de uma pesquisa conduzida por cientistas da Universidade de Massachusetts Amherst, nos Estados Unidos, com participa\u00e7\u00e3o do pesquisador brasileiro Jo\u00e3o C. T. Menezes. O trabalho foi publicado na revista cient\u00edfica Evolution.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao todo, os pesquisadores mediram a amplitude das vocaliza\u00e7\u00f5es de 123 esp\u00e9cies de aves, em \u00e1reas dos Estados Unidos e de diferentes regi\u00f5es do Brasil. Um dado chama aten\u00e7\u00e3o: 113 dessas esp\u00e9cies nunca haviam tido anteriormente a intensidade de seus cantos catalogada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O objetivo, entretanto, ia muito al\u00e9m de descobrir qual ave poderia levar o t\u00edtulo de mais barulhenta. Os cientistas queriam compreender quais caracter\u00edsticas f\u00edsicas permitem que determinadas esp\u00e9cies produzam vocaliza\u00e7\u00f5es t\u00e3o poderosas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais de 120 decib\u00e9is<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre as esp\u00e9cies estudadas, houve uma diferen\u00e7a de aproximadamente 58 decib\u00e9is entre as vocaliza\u00e7\u00f5es registradas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na extremidade mais silenciosa apareceu um beija-flor, com cerca de 64 decib\u00e9is, intensidade pr\u00f3xima \u00e0 de uma conversa. No outro extremo estavam a seriema e a araponga-de-garganta-nua, ultrapassando os 120 decib\u00e9is.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso da araponga-de-garganta-nua, uma das medi\u00e7\u00f5es alcan\u00e7ou 122,4 decib\u00e9is, quando o som foi padronizado para uma dist\u00e2ncia de um metro. Dependendo do m\u00e9todo utilizado para calcular a amplitude, um indiv\u00edduo chegou a apresentar pico pr\u00f3ximo dos 131 decib\u00e9is.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 uma capacidade surpreendente para um animal desse tamanho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O segredo pode estar no corpo e no bico<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os resultados mostraram que o tamanho corporal ajuda a explicar parte dessa pot\u00eancia sonora. De maneira geral, aves maiores tendem a produzir sons mais intensos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas existe outro detalhe importante: a abertura do bico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As esp\u00e9cies capazes de produzir cantos mais fortes tamb\u00e9m tendem a apresentar uma abertura de bico mais larga. A l\u00f3gica pode ser comparada aos instrumentos de sopro: estruturas mais amplas podem favorecer a proje\u00e7\u00e3o e a propaga\u00e7\u00e3o do som.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse aspecto, as duas brasileiras apresentam caracter\u00edsticas interessantes. A seriema foi a maior ave analisada no estudo, enquanto as arapongas possuem uma abertura de bico especialmente larga em rela\u00e7\u00e3o ao tamanho do corpo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda assim, tamanho e formato do bico n\u00e3o explicam tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por que cantar t\u00e3o alto?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa talvez seja a pergunta mais interessante deixada pela pesquisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os cientistas investigaram se os cantos mais intensos poderiam estar associados a determinados ambientes, dificuldades de voo ou estrat\u00e9gias reprodutivas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das hip\u00f3teses era de que esp\u00e9cies que vivem em florestas densas precisariam emitir sons mais fortes para se comunicar atrav\u00e9s da vegeta\u00e7\u00e3o. Outra possibilidade seria utilizar vocaliza\u00e7\u00f5es de grande alcance para encontrar ou atrair parceiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, quando diferentes esp\u00e9cies foram comparadas, nenhuma dessas hip\u00f3teses conseguiu explicar de maneira geral a evolu\u00e7\u00e3o dos cantos extremamente intensos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso significa que diferentes aves podem ter desenvolvido vocaliza\u00e7\u00f5es poderosas por raz\u00f5es distintas ao longo da evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A famosa voz da araponga<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para quem j\u00e1 esteve em uma \u00e1rea de Mata Atl\u00e2ntica onde ocorre a araponga, sua presen\u00e7a dificilmente passa despercebida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O som met\u00e1lico e extremamente forte produzido pelo macho pode ser ouvido a grandes dist\u00e2ncias e constitui uma das vocaliza\u00e7\u00f5es mais caracter\u00edsticas das florestas brasileiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nova pesquisa tamb\u00e9m se soma a descobertas anteriores envolvendo outra integrante do g\u00eanero: a araponga-branca (Procnias albus), encontrada na Amaz\u00f4nia, j\u00e1 havia chamado aten\u00e7\u00e3o internacional ap\u00f3s um estudo de 2019 registrar vocaliza\u00e7\u00f5es chegando a 125,4 decib\u00e9is.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, os novos resultados refor\u00e7am a capacidade extraordin\u00e1ria desse grupo de aves para produzir sons de elevada intensidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ci\u00eancia feita no campo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Medir tudo isso n\u00e3o \u00e9 simples.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A intensidade registrada por um equipamento varia conforme a dist\u00e2ncia da ave. Para conseguir comparar diferentes esp\u00e9cies em condi\u00e7\u00f5es naturais, os pesquisadores utilizaram tel\u00eametros a laser, capazes de determinar a dist\u00e2ncia exata do animal, combinados com medidores de som de alta resolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, foi poss\u00edvel corrigir as medi\u00e7\u00f5es levando em considera\u00e7\u00e3o a dist\u00e2ncia e comparar de maneira mais confi\u00e1vel as vocaliza\u00e7\u00f5es observadas em campo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O trabalho demonstra tamb\u00e9m a import\u00e2ncia das pesquisas realizadas diretamente na natureza. Observar, ouvir e medir os animais em seus pr\u00f3prios ambientes permite revelar caracter\u00edsticas que dificilmente seriam compreendidas apenas em laborat\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um mist\u00e9rio que a ci\u00eancia ainda tenta explicar<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pesquisa conseguiu responder parte da quest\u00e3o: aves maiores e com aberturas de bico mais largas tendem a produzir sons mais intensos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas permanece uma pergunta fundamental: por que algumas esp\u00e9cies evolu\u00edram para cantar t\u00e3o alto?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pr\u00f3ximos estudos dever\u00e3o investigar tanto os mecanismos f\u00edsicos respons\u00e1veis por essa extraordin\u00e1ria capacidade quanto suas vantagens \u2014 e poss\u00edveis custos \u2014 evolutivos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto essas respostas n\u00e3o chegam, arapongas e seriemas mostram que a biodiversidade brasileira tamb\u00e9m impressiona pelos sons.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em meio \u00e0s florestas e campos do pa\u00eds, algumas das vozes mais poderosas do mundo animal continuam ecoando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se voc\u00ea deseja aprender mais sobre como iniciar na \u00e1rea ambiental e fazer a diferen\u00e7a no mercado de trabalho, confira o eBook &#8220;Como Iniciar sua Consultoria Ambiental&#8221; dispon\u00edvel na Hotmart. Com ele, voc\u00ea ter\u00e1 um guia pr\u00e1tico para iniciar nas carreiras ambientais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Andr\u00e9 Henrique de Rezende Almeida<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">@BIOLOGOANDREHENRIQUE<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bi\u00f3logo CRBIO 02: 60.945<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Engenheiro Ambiental CREA: ES-055476\/D<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Andr\u00e9 Henrique&nbsp; Araponga-de-garganta-nua e seriema ultrapassam 120 decib\u00e9is e est\u00e3o entre as aves com os cantos mais intensos j\u00e1 medidos pela ci\u00eancia O Brasil j\u00e1 \u00e9 reconhecido mundialmente por sua extraordin\u00e1ria diversidade de aves. Agora, duas esp\u00e9cies encontradas no pa\u00eds ganharam destaque por uma caracter\u00edstica impressionante: a pot\u00eancia de suas vocaliza\u00e7\u00f5es. A araponga-de-garganta-nua (Procnias [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":53011,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[2,345,41],"tags":[],"class_list":["post-53009","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques","category-meio-ambiente","category-ultimasnoticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53009","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53009"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53009\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":53010,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53009\/revisions\/53010"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/53011"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53009"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53009"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53009"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}