{"id":53369,"date":"2026-10-13T05:19:58","date_gmt":"2026-10-13T08:19:58","guid":{"rendered":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/?p=53369"},"modified":"2026-10-12T19:23:01","modified_gmt":"2026-10-12T22:23:01","slug":"quando-a-mae-nao-quer-ser-mae-porque-algumas-cadelas-rejeitam-seus-filhotes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/quando-a-mae-nao-quer-ser-mae-porque-algumas-cadelas-rejeitam-seus-filhotes\/","title":{"rendered":"Quando a m\u00e3e n\u00e3o quer ser m\u00e3e: porque algumas cadelas rejeitam seus filhotes?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Por Carla Perin<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">@cacaperin<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando pensamos em uma cadela que acaba de dar \u00e0 luz, imaginamos uma cena quase instintiva: ela limpa seus filhotes, aproxima-os do corpo, permite que mamem e permanece atenta a cada movimento. Mas nem sempre \u00e9 assim. Algumas cadelas se afastam dos rec\u00e9m-nascidos, recusam a amamenta\u00e7\u00e3o, demonstram irrita\u00e7\u00e3o quando eles se aproximam e, em situa\u00e7\u00f5es mais graves, podem at\u00e9 agredi-los. E ent\u00e3o surge uma pergunta que intriga muitos tutores: Como uma m\u00e3e pode rejeitar os pr\u00f3prios filhotes? O instinto materno pode falhar? Na Medicina Veterin\u00e1ria, o comportamento materno envolve uma complexa intera\u00e7\u00e3o entre horm\u00f4nios, sistema nervoso, condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e ambiente. Durante o parto e ap\u00f3s o nascimento, horm\u00f4nios como a ocitocina e a prolactina participam dos processos relacionados \u00e0 lacta\u00e7\u00e3o e ao comportamento materno. Entretanto, essas mudan\u00e7as hormonais n\u00e3o garantem que todas as cadelas apresentem o mesmo comportamento. F\u00eameas que est\u00e3o passando pela primeira gesta\u00e7\u00e3o podem demonstrar inseguran\u00e7a ou dificuldade inicial para cuidar dos filhotes. Partos dif\u00edceis, dor, exaust\u00e3o, mastite, altera\u00e7\u00f5es metab\u00f3licas e outras doen\u00e7as tamb\u00e9m podem interferir na aceita\u00e7\u00e3o da ninhada. O ambiente exerce influ\u00eancia importante. Barulho excessivo, manipula\u00e7\u00e3o constante dos rec\u00e9m-nascidos, falta de privacidade e situa\u00e7\u00f5es de estresse podem prejudicar o comportamento materno. Em alguns casos, a cadela rejeita apenas um filhote, especialmente quando ele est\u00e1 debilitado. Mas isso n\u00e3o significa que toda rejei\u00e7\u00e3o indique que o rec\u00e9m-nascido esteja doente Estamos diante de um comportamento que precisa ser compreendido a partir da biologia e das condi\u00e7\u00f5es em que aquele animal se encontra. A primeira atitude deve ser procurar orienta\u00e7\u00e3o veterin\u00e1ria. Os filhotes rec\u00e9m-nascidos dependem de aquecimento, alimenta\u00e7\u00e3o e cuidados constantes para sobreviver. Quando a m\u00e3e n\u00e3o oferece esses cuidados, a interven\u00e7\u00e3o humana pode ser necess\u00e1ria. Tamb\u00e9m \u00e9 fundamental investigar se existe alguma condi\u00e7\u00e3o cl\u00ednica causando dor ou desconforto na cadela.Nem sempre insistir na aproxima\u00e7\u00e3o \u00e9 seguro. Quando existe agressividade, os filhotes precisam ser protegidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que essa situa\u00e7\u00e3o nos convida a compreender?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pelo olhar sist\u00eamico, podemos ampliar nossa reflex\u00e3o sobre a maternidade. Costumamos associar o nascimento \u00e0 ideia de que toda m\u00e3e naturalmente saber\u00e1 cuidar. Mas a natureza nos mostra que a maternidade envolve condi\u00e7\u00f5es que v\u00e3o al\u00e9m do nascimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gerar uma vida e conseguir cuidar dela n\u00e3o s\u00e3o exatamente a mesma coisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso n\u00e3o significa que devemos comparar diretamente a maternidade humana \u00e0 dos animais. Cada esp\u00e9cie possui sua pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica e comportamental. Entretanto, observar a natureza pode nos ajudar a abandonar julgamentos precipitados. Uma cadela que rejeita seus filhotes n\u00e3o precisa ser condenada por um comportamento que ainda n\u00e3o compreendemos. Ela precisa ser observada, avaliada e, quando necess\u00e1rio, receber cuidados. Talvez essa seja uma das grandes li\u00e7\u00f5es que os animais nos oferecem:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de julgar um comportamento, precisamos compreender o que existe por tr\u00e1s dele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porque nem tudo aquilo que parece rejei\u00e7\u00e3o nasce da aus\u00eancia de v\u00ednculo. \u00c0s vezes, existem condi\u00e7\u00f5es que impedem que esse v\u00ednculo se manifeste da maneira que esperamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Carla Perin<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M\u00e9dica Veterin\u00e1ria Sist\u00eamica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Terapeuta Multiesp\u00e9cie<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um olhar sist\u00eamico sobre o v\u00ednculo entre humanos e animais<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Carla Perin @cacaperin Quando pensamos em uma cadela que acaba de dar \u00e0 luz, imaginamos uma cena quase instintiva: ela limpa seus filhotes, aproxima-os do corpo, permite que mamem e permanece atenta a cada movimento. 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