{"id":53959,"date":"2026-11-04T08:39:58","date_gmt":"2026-11-04T11:39:58","guid":{"rendered":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/?p=53959"},"modified":"2026-11-04T08:40:03","modified_gmt":"2026-11-04T11:40:03","slug":"a-saudade-tem-quatro-patas-e-um-lugar-no-coracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/a-saudade-tem-quatro-patas-e-um-lugar-no-coracao\/","title":{"rendered":"A saudade tem quatro patas e um lugar no cora\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Por Carla Perin<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">@cacaperin<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem j\u00e1 perdeu um animal de estima\u00e7\u00e3o conhece um tipo muito particular de sil\u00eancio. \u00c9 chegar em casa e n\u00e3o ouvir aquelas patinhas correndo pelo corredor. \u00c9 olhar para o cantinho onde ele costumava dormir e perceber que est\u00e1 vazio. \u00c9 preparar a rotina do dia e, por um instante, esquecer que ele j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 ali. S\u00e3o pequenas aus\u00eancias que revelam o tamanho de uma presen\u00e7a. No Dia de Finados, costumamos recordar as pessoas que partiram. Mas existe uma saudade que tamb\u00e9m merece ser acolhida: a dos animais que fizeram parte da nossa fam\u00edlia. Para muitas pessoas, perder um cachorro ou um gato n\u00e3o significa apenas perder um companheiro. Significa despedir-se de uma rela\u00e7\u00e3o constru\u00edda durante anos de conviv\u00eancia, cuidado, confian\u00e7a e afeto. E nem sempre essa dor \u00e9 compreendida. Quantas vezes algu\u00e9m que perdeu um animal j\u00e1 ouviu frases como: \u201cEra s\u00f3 um cachorro\u201d, \u201cVoc\u00ea pode arrumar outro\u201d ou \u201cJ\u00e1 passou da hora de esquecer\u201d? Mas quem ama sabe que nenhum v\u00ednculo pode ser simplesmente substitu\u00eddo. Na abordagem sist\u00eamica, o pertencimento \u00e9 um dos temas centrais das rela\u00e7\u00f5es familiares. Quando um animal passa a fazer parte da vida de uma fam\u00edlia, ele participa de sua rotina, de suas mudan\u00e7as e de momentos importantes de sua hist\u00f3ria. Ele esteve presente quando algu\u00e9m nasceu, quando os filhos cresceram, durante mudan\u00e7as de casa, separa\u00e7\u00f5es, alegrias e per\u00edodos dif\u00edceis. E quando parte, sua aus\u00eancia tamb\u00e9m modifica a din\u00e2mica daquela fam\u00edlia. Pelo olhar sist\u00eamico, podemos compreender que reconhecer o lugar de quem partiu \u00e9 diferente de permanecer preso \u00e0 perda. N\u00e3o precisamos apagar fotografias, esconder lembran\u00e7as ou deixar de falar sobre aquele animal para seguir em frente. Tamb\u00e9m n\u00e3o precisamos permanecer sofrendo para provar que o amamos. O v\u00ednculo pode encontrar uma nova maneira de existir: nas lembran\u00e7as, na gratid\u00e3o e na hist\u00f3ria que compartilhamos. Algumas fam\u00edlias sentem culpa ao pensar em acolher um novo cachorro ou gato depois de uma perda. Como se amar novamente significasse esquecer aquele que partiu. Mas o amor n\u00e3o precisa funcionar como uma substitui\u00e7\u00e3o. Cada animal possui sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, seu temperamento, seus h\u00e1bitos e seu lugar na fam\u00edlia. Talvez essa seja uma das formas mais bonitas de compreender o pertencimento: permitir que cada v\u00ednculo seja reconhecido por aquilo que foi, sem compara\u00e7\u00f5es e sem exclus\u00f5es. Se voc\u00ea j\u00e1 perdeu um animal que amava, talvez hoje seja um dia para recordar n\u00e3o apenas sua partida, mas principalmente sua exist\u00eancia. Lembre-se das brincadeiras, dos passeios, das travessuras e at\u00e9 daqueles h\u00e1bitos que, na \u00e9poca, pareciam t\u00e3o comuns. Permita-se sentir saudade. E, se fizer sentido para voc\u00ea, experimente dizer silenciosamente:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cVoc\u00ea teve seu lugar na minha vida. Eu reconhe\u00e7o tudo o que vivemos juntos. Guardo nossa hist\u00f3ria com carinho e me permito continuar vivendo.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porque seguir em frente n\u00e3o significa abandonar quem amamos. Significa aprender a carregar essa hist\u00f3ria de outra maneira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste Dia de Finados, que possamos recordar nossos animais n\u00e3o apenas pela falta que fazem, mas pelo amor que existiu enquanto estiveram conosco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Afinal, algumas presen\u00e7as deixam de estar ao nosso lado, mas continuam fazendo parte de quem nos tornamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Carla Perin<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M\u00e9dica Veterin\u00e1ria Sist\u00eamica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Terapeuta Multiesp\u00e9cie<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um olhar sist\u00eamico sobre o v\u00ednculo entre humanos e animais<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Carla Perin @cacaperin Quem j\u00e1 perdeu um animal de estima\u00e7\u00e3o conhece um tipo muito particular de sil\u00eancio. \u00c9 chegar em casa e n\u00e3o ouvir aquelas patinhas correndo pelo corredor. \u00c9 olhar para o cantinho onde ele costumava dormir e perceber que est\u00e1 vazio. \u00c9 preparar a rotina do dia e, por um instante, esquecer [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":53961,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[2,374,41],"tags":[],"class_list":["post-53959","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques","category-pet-2","category-ultimasnoticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53959","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53959"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53959\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":53960,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53959\/revisions\/53960"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/53961"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53959"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53959"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53959"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}