{"id":54088,"date":"2026-11-07T03:58:47","date_gmt":"2026-11-07T06:58:47","guid":{"rendered":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/?p=54088"},"modified":"2026-11-06T21:00:29","modified_gmt":"2026-11-07T00:00:29","slug":"idosos-lgbtqia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/somdepapo.com.br\/portal\/idosos-lgbtqia\/","title":{"rendered":"Idosos LGBTQIA+"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Por Ramon Henrique&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Existe uma gera\u00e7\u00e3o que aprendeu a amar em sil\u00eancio. Que cresceu ouvindo que o seu amor era errado, que o seu jeito era pecado, que o seu corpo era vergonha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Uma gera\u00e7\u00e3o que teve que esconder cartas, apagar nomes, engolir o choro, sorrir em casamentos que n\u00e3o eram seus, viver vidas que n\u00e3o eram suas s\u00f3 para sobreviver. E mesmo assim, eles sobreviveram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Eles viram amigos partirem cedo demais. Perderam amores para o preconceito, para a AIDS, para a solid\u00e3o, para fam\u00edlias que viraram as costas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Carregam no peito cicatrizes que ningu\u00e9m v\u00ea, mas que contam a hist\u00f3ria de um Brasil que tentou apag\u00e1-los. E eles continuam aqui. Com as rugas, com as mem\u00f3rias, com a dignidade intacta e com o direito de serem vistos, ouvidos e amados exatamente como s\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Hoje, muitos desses idosos voltam para o arm\u00e1rio por medo. Medo de ir para um asilo e serem humilhados. Medo de n\u00e3o poderem segurar a m\u00e3o de quem amaram a vida inteira. Medo de serem tratados como se a sua hist\u00f3ria n\u00e3o existisse.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Tem senhor que viveu 40 anos com o mesmo companheiro e n\u00e3o p\u00f4de nem se despedir no vel\u00f3rio. Tem senhora que criou filhos, cuidou de todos, e hoje chora sozinha porque nunca p\u00f4de viver o seu amor em paz.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Tem pessoa trans que passou a vida lutando s\u00f3 para existir e hoje s\u00f3 quer uma coisa simples: ser chamada pelo seu nome.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Mas envelhecer sendo LGBTQIA \u00e9 um ato de coragem e de orgulho. \u00c9 a prova viva de que n\u00f3s sempre existimos. Eles s\u00e3o a nossa mem\u00f3ria, a nossa raiz, a nossa hist\u00f3ria. Foram eles que abriram as portas que hoje atravessamos com mais liberdade.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Se hoje podemos postar uma foto com quem amamos, andar de m\u00e3os dadas na rua, falar de quem somos sem tanto medo, \u00e9 porque eles pagaram um pre\u00e7o muito alto l\u00e1 atr\u00e1s, quando ningu\u00e9m tinha coragem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Por isso, cuidar dos nossos idosos LGBTQIA n\u00e3o \u00e9 favor, \u00e9 obriga\u00e7\u00e3o de amor. \u00c9 ligar, \u00e9 visitar, \u00e9 incluir, \u00e9 perguntar como est\u00e3o, \u00e9 n\u00e3o deixar ningu\u00e9m envelhecer sozinho.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; \u00c9 garantir respeito no posto de sa\u00fade, no hospital, no asilo, na igreja, na fam\u00edlia e em todos os lugares. \u00c9 olhar nos olhos deles e dizer: voc\u00eas n\u00e3o est\u00e3o sozinhos, voc\u00eas s\u00e3o importantes, voc\u00eas merecem viver essa fase da vida com paz, com afeto e com orgulho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; Que a gente nunca esque\u00e7a: todo idoso j\u00e1 foi jovem, j\u00e1 amou, j\u00e1 sonhou, j\u00e1 lutou. E todo jovem LGBTQIA um dia vai envelhecer.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;O futuro que queremos para eles \u00e9 o futuro que queremos para n\u00f3s. Um futuro onde ningu\u00e9m precise se esconder para envelhecer em paz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Porque orgulho n\u00e3o tem prazo de validade. Amor n\u00e3o envelhece. E ningu\u00e9m, absolutamente ningu\u00e9m, deve ser esquecido s\u00f3 porque ficou mais velho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Texto: Ramon Henrique<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Instagram:@ramonhenriquee<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cr\u00e9dito Fotogr\u00e1fico: coletivo de g\u00eanero&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: UOL\/Terra\/revista Veja\/ANTRA &#8211; Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transexuais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ramon Henrique&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Existe uma gera\u00e7\u00e3o que aprendeu a amar em sil\u00eancio. 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