Solidão! Isolamento! Reclusão! Abandono! Como enfrentar?

* Por Auxiliadora Paiva

“ Me desculpem, mas não deu mais. A velhice nesse país é um caos, como tudo aqui. A humanidade não deu certo. A impressão que foram 85 anos jogados fora num país como este e com esse tipo de gente que acabei encontrando. Cuida das crianças de hoje.” Esse são trechos da carta deixada pelo ator FLÁVIO MIGLIACCIO, antes de cometer o mais triste e trágico acontecimento para o ser humano, que é a interrupção da vida, através do suicídio.
Por quê? Muitos se perguntam, pois o ator era uma pessoa que exalava bom humor e grande alegria. Quais os fatores que contribuiram para esse desfecho fatal? Teria sido SOLIDÃO? ISOLAMENTO? RECLUSÃO? OU ABANDONO? Esse será o tema da nossa conversa de hoje. Não traremos aqui a TÁBUA DOS JULGAMENTOS, nem as explicações para tal ato. Iremos sim, opinar sobre o posicionamento e conduta da sociedade, frente a chegada de um patamar deverasmente especial e altamente desafiador, que é a Velhice, a Senilidade.
SOLIDÃO- é um sentimento no qual uma pessoa, sente uma profunda sensação de vazio e isolamento. Na Solidão é preciso que haja uma transformação nos sentimentos. É preciso que algo novo se apresente. A Solidão não é simplesmente um ato de estar desacompanhado, de estar sozinho, pois existem pessoas que vivenciam experiências positivas, mesmo estando sós. Muitos estão rodeados de gente, e no entanto vivem na Solidão, na falta de esperança, na insegurança, no abandono. A Solidão é um estado onde há uma disfunção da comunicação. É um sentimento de não pertencer, de não criar vínculos afetivos sólidos. Ela se divide em estágios de intensidade: Leve – Mediano – Intenso. Sendo que nesse último estágio se faz necessário buscar ajuda terapêutica.
ISOLAMENTO- tem como significação, o ato de se estar separado dos seus semelhantes. Muito em “moda” na atualidade devido a Pandemia pelo Coronavírus. O Isolamento Social favorece a falta de interação com outras pessoas, seja ele voluntário ou não. Estudos científicos realizados nos Estados Unidos, há alguns anos atrás, revelam que isolar-se por muito tempo do convívio social, poderá provocar alterações cerebrais. Isso sem contar que uma das suas consequências é a Depressão, além de contribuir também para a Obesidade e para as alterações da frequência cardíaca.
RECLUSÃO- essa é uma palavra que ao ser pronunciada, remete o pensamento para a área jurídica, para os presídios e carceragem. Mas ela também é um ato de afastamento do convívio social, seja por uma punição ou por um ato de cunho pessoal, onde determinada pessoa resolve se recluir por um determinado período, por vontade própria.
ABANDONO- é um ato ou efeito de abandonar, de desprezar coisas ou pessoas. O Abandono é sinônimo de Descuido, Descaso e Desatenção. Ele é classificado em níveis ou situações, que podem ser: Físico-Emocional, quando negligenciamos em atenção, com determinadas pessoas, sejam elas crianças, adultos ou idosos. Nesse contexto também encontramos pessoas que se permitiram transitar na Seara do Auto-abandono, decorrente de traumas, injustiças, desalento. Nesse patamar, elas além de abandonarem o convívio social, também se descuidam de realizar algumas práticas pessoais tais como: tomar banho, cortar os cabelos, fazer a barba e aparar as unhas. Mas também o Abandono pode ser Afetivo, onde existe a negação para outrem, da nossa capacidade de envolvimento com Amor, carinho, com cuidados e atenção.
Observamos no texto, essas quatro estruturas pessoais, que são interdependentes, pois uma imanta na outra como um verdadeiro “ efeito dominó”. Elas trazem em seu bojo, consequências psicológicas e jurídicas, porém a que requer de todos nós um olhar mais apurado, sem sombra de dúvidas, é a consequência psicológica, isto por que ela afeta todo o arcabouço mental. Causando assim grandes problemas e que em muitas das vezes, trazem sequelas irreparáveis, devido a invasão de alguns casos, em terrenos movediços como o da Depressão. Esse quadro ao se instalar, carece intervenção imediata de um profissional devidamente habilitado, para que venha bloquear a configuração de um quadro com desfecho fatal, que é o Suicídio. Esse foi o processo qual foi acometido o ator Flávio Migliaccio, na semana próxima passada.
Recentemente nós realizamos uma abordagem, aqui na nossa coluna sobre o tema TERAPIA NÃO É LUXO, NÃO É FRESCURA! É NECESSIDADE. No texto nós ressaltamos a importância do terapeuta, na condução dos processos psicoemocionais. Hoje além do amparo desse profissional, ressaltamos também a importância do núcleo familiar, na condução dessa estrutura e situações. Vamos acolher, vamos trazer para as pessoas, a energia do Cuore, para todos que estão ao nosso redor. Vamos olhar com maior cuidado, o desenvolvimento da jornada de vida de algumas pessoas. Vamos nos unir a elas hoje, mesmo que a dificuldade seja grandiosa, para evitar que possamos nos reunir, mais tarde, entorno de uma, energia vital que se esvaiu bruscamente, sem sequer dizer um bye, bye, um até logo, um até mais, um até breve. Pense nisso.
Namastê.
Referências – texto : www.opensador.com
Partes extraídas de texto autoral – O Que Fizemos da Nossa Vida. 2016.
Imagem : www.essencias.fsg.com.br
*Auxiliadora Paiva atua como Terapeuta Holística, em Salvador- Bahia

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*
*