terça-feira, maio 21, 2024
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São João: forró, licor e muita alegria!

Por Dôra Paiva

Depois do Carnaval, é  o São João  a festa mais aguardada pelos brasileiros. Realizada em todo território nacional, porém é na região  Nordeste, que ele se reveste de brilho e de luminosidade.  Essa festa  é esperada com muita ansiedade, principalmente  pelos irmãos  Nordestinos. Seja nas capitais ou nas cidades do interior, o São João  e todas as festas juninas, ganham força arrebatadora, junto às pessoas e às comunidades.

O São João, traz a alegria e o brilho colorido das quadrilhas. Traz o som contagiante da zabumba e  da sanfona. Perfuma as ruas e as casas, com o aroma das comidas e pratos típicos da época, isso tudo sem falar, na delicia dos diferentes  sabores de licor, além  do tão  tradicional quentão.  Ao som do forró, as populações lotam os parques, praças e sítios, com  um clima de muita festividade e alegria. Algumas cidades que são conhecidas como Reduto ou Capital do Forró, nesse período, vivem com um grande avanço econômico e  financeiro, principalmente nas áreas do comércio varejista e no setor de hotelaria. Cidades como Senhor do Bonfim, Santo Antônio de Jesus e  Amargosa, todas na Bahia,  chegam a ter 100% de ocupação, nas pousadas e nos hotéis  da região. 

Nos coretos e palcos armados no circuito joanino, encontramos  trios nordestinos e aqueles grupos  que tocam empolgadamente, as músicas  que são conhecidas como Forró Pé de Serra, a original tradição da época. Muito embora, esse ritmo esteja cada vez mais perdendo o seu espaço, para as musicas eletrônicas, para o piseiro,  para a axé music  e pasmem, para o trio elétrico carnavalesco. Com modernização, estão  tentando empanar o brilho de uma tradição secular. Cabe ressaltar que em alguns espaços e cidades, esse tipo de musicalidade é  terminantemente proibido. 

“A fogueira está queimando em homenagem à São João, o forró  já começou, eu quero ver arrasta pé pelo salão”. Esses versos foram retirados  da música A Fogueira Está Queimando, de autoria de Ranchinho e  Alvarenga, gravada em 1941, por eles e pelo inesquecível Luiz Gonzaga, o Rei do Baião.  Essa música hoje é  um ícone, uma verdadeira  ode  ao São João. 

A noite de São João, traz para todos nós, principalmente para os nordestinos, uma certa nostalgia ao lembrarmos dos outros tempos. Havia uma atmosfera de magia no ar. Uma noite cheia de luzes, balões, bandeiras e de muitos fogos a pipocar e a iluminar o céu. É nessa época em que as temperaturas ficam mais baixas, que as pessoas se aproximam uma das outras. É nessa noite que paramos para admirar a nossa “árvore de Natal junina”, que nada mais é  que a linda fogueira  que aos poucos vai sendo consumida pelo fogo.

Lembro muito bem, que nessa noite  existia a tradição de pular fogueira e fazer um pedido. Era a noite  em que os supersticiosos, faziam as suas simpatias. Enfim  era uma só alegria, que hoje não se vê mais, com tanta frequência. 

E o visual dos forrozeiros! Gente era um espetáculo à parte. Camisa xadrez, chapéu de palha desfiada, calças com remendos, dentes pintados de preto. E  as meninas meu povo, elas vinham de caipira coloridas,  bochechas  de rouge, com pintinhas pretas. Os cabelos  se eram longos, faziam duas Maria Chiquinha  ou duas tranças. Se os cabelos eram curtos, traziam uma grande laçarote na cabeça. Eita saudade  sô! Era bom demais. Bons tempos. 

Algumas ruas eram todas decoradas de banderolas e palha de coqueiro.  Seus moradores se cotizavam  para fazerem a decoração  e a farta mesa  com os quitutes juninos. Era uma noite inteira de alegria e diversão. Hoje já  não encontramos mais esse clima. A violência  tomando conta das ruas, tem afastado as pessoas  dessas comemorações.  Infelizmente estamos convivendo com uma sociedade muito agressiva e desalmada. Mesmo assim, não vamos deixar essa tradição se perder no tempo. Vamos preservar as tradições culturais  do nosso país. Vamos resgatar a nossa cidadania. Pense nisso carinhosamente. Namastê! 

 

Referências: 

Esse é um texto autoral, onde seu conteúdo,  retrata a minha infância e juventude, vivida no bairro da Liberdade, em Salvador. Ele foi escrito especialmente para a coluna Positividade. Gratidão!  Namastê! 

Imagem: www.pinterest.com.br

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